domingo, 24 de fevereiro de 2008

Sem titulo e sem motivo

Aquela mania estava ficando pessima. Nao conseguia mais segurar. Essa historia de chorar em publico ja estava te deixando sem graca. Isso sem falar na frequencia das crises de choro. Nao tinha hora, lugar e, muito menos motivo. Absolutamente qualquer coisa ja enchiam seus olhos de lagrimas. Ou melhor, nenhuma coisa. Nada, nada ja lhe fazia sentir aquela dor insuportavel que aumenta os olho, pressiona o nariz e vai parar na garganta. A pratica ja era tanta, que ela ja ate sabia relaxar a garganta para o choro passar mais facil e, assim, controla-lo melhor. "Era questao de tecnica", pensou entre uma crise e outra.

Mas o que mais a incomodava era a falta de motivo. Um amigo, em mais uma tentativa de ajuda, lhe perguntou porque chorava tanto. E, sugeriu que no momento da proxima crise, ela se perguntasse o que lhe angustiava tanto. Nao precisou muitas horas. Chegou em casa e comecou.

Assim que entrou em seu quarto, ainda na porta viu a janela e toda aquela escuridao que se misturava a escuridao que sentia, comecou. Nem quis acender a luz. Nem tirar o fone do ouvido. Jogou longe aquelas sacolas que pesaram o dia inteiro nos seus ombros. Mas nem por isso o peso que sentia foi embora. Deitou no chao e chorou. De se encolher no chao. Era como se eu conseguisse a ver por cima, naquela sensacao de angustica e solidao. E o choro nao parava de descer, igual enxorrada. Ela sentia que a cada lagrima cortava um pouco suas esperancas de parar de sentir aquela dor filha da puta. Aquela dor que nao tem comeco, nao tem fim e nao tem movito. E uma falta de explicacao, falta de razao, falta de nocao.

No dia seguinte, ao tomar banho, esfregava seu rosto achando que poderia levar junto todas aquelas lagrimas e desejando para que a sensacao de solidao fosse embora junto com a agua. Mas nao adiantava mais. Ela ja culpou o trabalho, o namorado, os amigos (ou a falta deles), a falta de sorte, o clima, a escuridao, a falta de grana, os precos. Mas sabe que para onde ela for, a dor vai estar junto.

Nao sabendo mais o que fazer, sentiu um infinito cansaco da vida. Daquelas que nunca achou que sentiria naquela idade. E resolveu que era hora de desistir. Resolveu que era hora de perceber seu limite e desistir. Desistir de tentar, de gostar, de saber, de fazer, de amar, de pensar, de procurar. Desistir.

5 comentários:

Diazz disse...

Que isso? Desistir não!

Nathiane Capibaribe disse...

Maria Eugênia! Boa tarde (no Brasil- afinal não sei se ainda está em Londres).
Sou estudante de jornalismo, me formo no 1o semestre de 2009, tenho 19 anos.
Estou completamente "perdida" na profissão, faço estágio na TV Diário
(Fortaleza/CE) e há um ano me apaixonei completamente por moda. Achei seu
blogger procurando desesperadamente algo como "mestrado em jornalismo de moda"
e cai exatamente no seu post de agosto de 2007, falando um pouco da sua saga em
largar o Brasil e ir estudar no London College of Art & Design, é assim mesmo?
Por favor, me manda um e-mail. Queria manter contato com você e tirar um montão
de dúvidas.
Grata,
Nathiane Capibaribe
Fortaleza, CE, Brasil

Nathiane Capibaribe disse...

Maria Eugênia...
Boa noite (no Brasil são exatamente 19:25), ainda estou no meu estágio, na TV Diário - Fortaleza/CE, vê comentário anterior.
Preciso dizer algo pessoal, mas preciso de verdade. Acredito em Deus, muito... E sei que foi ele que me levou até você, ou então ao contrário.
Hoje, passei a tarde inteira, ou melhor, até agora lendo todo o seu blog. E, simplesmtente AMEI. A-M-E-I porque senti um pedaço de mim.
Muitas vezes parece a Nathiane falando.
Você me deu uma "luz no fim do túnel", me deu a esperança que ainda é possivel ser feliz no que escolhi. Estou passando por um momento dificil, tudo parece mais complicado do que na verdade é.
Preciso conversar com você. Pode me passar seu -mail? Na verdade consegui um seu mas não sei se ainda é.
Virei sua fã e não importa o que aconteça, continuarei sendo.

Te achei na folha de sp, na revista estilo e o mais importante pra mim foi o seu relato pessoal no blogger.

Meu e-mail é: nathicapibaribe@gmail.com

Aguardo contato.

ps.: Juro que se tivesse seu telefone ligaria agora... Mesmo sendo em Londres e não no Brasil. Agora nada importa, só algo que possa me ajudar. E mesmo sem me conhecer já me tocou de alguma forma.

Deus te abençoe,

Nathiane Capibaribe

Rita Loiola disse...

O negocio é filosofia, menina. Desapego, zen budismo, assassinar as esperanças, ver Rambo dublado em francês. Um abraço bem apertado procê. A gente se fala.

Harissa B. disse...

assista persépolis. te devo um e-mail.