Ja fazia dois meses que eu nao ia no Tate Modern entao resolvi ir la no fim de semana passado. E como sempre parecia que eu nunca tinha estado la.
O que encanta em arte moderna e como ela evoca sentimentos e sensacoes diferentes cada vez que se tem contato com o ela. Mesmo que seja o mesmo quadro, a mesma ilustracao, a mesma gravura, a mesma instalacao.
Cada vez que vou no Tate, seja para o acervo permanente ou para alguma nova exposicao, me sinto tocada de uma forma diferente. Em um outro lado do meu coracao...ou do meu cerebro.
Mas nesse ultimo domingo fiquei meio confusa...fiquei confusa porque comecei a pensar sobre o que e um museu, sobre sua funcao e sobre o que ele expoe. E, principalmente a forma como nos, espectadores, vemos aquela arte.
Durante a semana tinha lido uma materia sobre um grafiteiro chamado Bansky. Ninguem sabe quem e o cara, ninguem nunca viu, ele nunca deu entrevistas. So que o cara esta domindo Londres. Seus quadros nao sao vendidos por menos de 20 mil pounds...(vou ate abrir um parenteses para o 'momento fofoca' e deixar essa aura de misterio mais suculenta: Angelina Jolie pagou 100 mil libras num quadro do cara - fim do momento Nelson Rubens). Enfim, tudo isso para dizer que um monte de gente fala que o cara nao e arte, estao falando agora que o galerista dele na verdade e o proprio artista...varias historias bem engracadas...
Mas voltando ao Tate. Comecei a pensar no grafite exposto em galeria de arte. SO que nao e estranho observar o grafite como se fosse qualquer outro quadro de qualquer outra epoca? Quando a gente ta na rua, e ve um grafite, a gente nunca para para observer. Sempre estamos com pressa, dentro do busao, atrasados. E como se na rua o grafite estivesse se movendo e no museu, quem esta se movendo somos nos...ele esta estatico..Acho que o Kandinski e o Duchamp pensaram nisso para fazer suas artes...enfim..talvez, uma opiniao muito pessoal, estejam ;domando o grafite.....nao sei nao sei mesmo..E nao so ele, claro, todas as formas de expressao urbanas que saem do seu habitat...assim como foi feito com o punk, com a jaqueta de couro, com o blackpower...
Depois disso, me veio uma outra ideia. Sera que alguem ja parou para pensar que tudo o que e exposto em museu sao artes qeu se pode prever? Por exemplo, um quadro do Picasso ou do Pollock ( meu favorito!!!) vc sabe que ele e o que e mas dentro daquela moldura.
Quando meus olhos vao de um quadro para outro, no meio tem uma parede, e como se eu ja soubesse 'o proximo passo e um quadro', 'agora e uma escultura'. E todos os museus sao assim...sao sempre coisas que tem um limite e uma previsao muito grande. Por exemplo, no museu de historia natural ou mesmo no V&A, estao expostos partes do corpo humano, reproducao humana, como funciona a memoria, roupas, acessorios...coisa que tem um limite e uma extensao bem palpaveis.
Mas sera que n unca ninguem pensou em fazer um museu do sentimento humano? Como seria entrar num coracao apaixonado? E num estomago quando vc atendeu o telefone e 'ele' falou 'alo'.
Seria engracado tambem as possibilidades: Voce ficou sabendo que o seu ex-namorado ficou com uma amiga sua...dai teriam varias possibilidades:
a -espancar a amiga - Ai e o trecho que voce passa e tem duas mulheres, dois homens ou uma mulher e um homem se pegando por causa da traicao;
b - espancava o ex-namorado - (Essa seria uma otima cena!!!)
c- nao fazia nada. Esperava o tempo curar a dor que nao se sabe se pode ser curada...
Mas como seriam esses corpos? Seria legal se os personagens desse museu fossem bem gigantes, assim dava para a gente entrar dentro e sentir, mesmo qeu artificialmente o que aquela pessoa sentiu naquela situacao.
E uma noticia de um emprego novo? Aquele emprego fantaaaaaaaastico na Dazed&Confused, na editoria de moda, tudo que voce sempre quis. Tem dinheiro para os editoriais e pode pirar o quanto quiser...sem censura! Como essa situacao seria representada?
Ah, e chocolate no cerebro feminio! Aposto que tem a sensacao bem parecida com um outro prazer mas o chocolate e substituido por outra (s) coisa (s).
E quando voce comeca a namorar e aquele cara que te desprezou, que nao te ligou, aquele cara que voce por quem voce esperava pela aprovacao para tudo que ia fazer, simplesmente te ve toda feliz com o seu novo namorado. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh EU QEURO ENTRAR DENTRO DESSE MUSEU!!!!!
E quando o sentimento acaba? Depois de tantos anos gostando de alguem, (nao precisa necessariamente ser correspondido), mas simplesmente o za za zu nao e mais como era antes. Ou melhor, ele nem existe mais. Como seria disposto no museu????
E o que acho mais legal desse museu e que para nenhuma situacao seria possivel apensar uma reacao. O comportamento humano e tao plausivel de mudandas e tao imprevisivel que seriam necessarias, pelo menos, umas tres possibilidades para cada historinha.
Acho que talvez se a gente se visse, ou melhor, estivesse dentro daquela pessoa que foi machucada, traida, ignorada evitariamos, ao maximo, de sermos os responsaveis pela dor alheia.
Mas por outro lado, tambem seria indescritivel nos realizarmos - nem que seja so dentro de um museu - aqueles sonhos que pelas mais diversas razoes ainda sao sonhos - o emprego perfeito, sapato do Manolo Blahnik, balada-todo-dia-de-graca, internet que sempre funciona, LP bem baratinho nos mercadinhos de Londres, lojas vintage com precos vintage, descobrir uma musica fantastica todos os dias....
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
Ehehehehehehe. muito maria eugenia esse post!
Postar um comentário