De longe ela viu que ele ja estava comendo com outros dois colegas de trabalho. Entristeceu-se tinha certeza que depois do fim de semana, ele nao iria mais esconder nada. Nao se abateu. Levantou a cabeca, supirou novamente e reencaixou seu pe de uma forma um pouco mais confortavel naquele salto 8 centimetros, encolheu a barriga e foi ate a mesa deles. A vulgaridade com que falava exalava pelo ar. Mas nao se importava. So queria um pouco de atencao. Como ninguem cedeu um lugar para ela, muito menos a convidou para sentar, resolveu sentar na mesa ao lado. Nao se dando por vencida ficou naquele patetico dialogo entre-mesas.
Deve ter sido o sol. Mas ela percebeu que a situacao era constrangedora..uma mesa, com tres rapazes e uma cadeira sobrando. Na mesa ao lado, ela, sozinha, e tentando manter uma prosaica conversa enquanto eles insistiam no rugby. Olhou por aquela imensa janela do setimo andar. Viu o Tamisa. Aquele sol enganador que, para quem esta de fora, acha que nao precisa de leva blusa. Imaginou que os raios do sol, so tinham a cor do verao, mas, na verdade, eles eram gelados. Ela tinha que sair dali. Aquele andar era muito pequeno para ela. Aquela empresa era muito pequena para ela. Aquele `relacionamento` era muito pequeno para ela.
Foi almocar, dessa vez no que ela considerava sozinha, do outro lado do restaurante. Tentou esquecer que ele mal a havia cumprimentado. Tentou suprir aquela a fome de carinho com um chocolate. Tinha do de sim mesma. Seu pe estava inchado. Nao suportava aquele sapato mas ele tinha dito que `ficava muito bem de vermelho`. O queria dizer com ` ficava muito bem`? `Bonita`? `Gostosa`? Bem. `Que adjetivo mais imbecil!` `Deveria ser proibido usar nesse sentido!` Sentiu uma raiva de si mesma.
Lembrou-se das desculpas que inventou para suas amigas para nao sair no sabado a noite. Foi sentindo-se pequena. Era como se cada vez que ela dizesse sim, sentia-se um pouco mais humilhada. Era uma humilhacao que chegava a doer na pele. Tipo quando a gente bate o braco em algum lugar. Nao tinha jeito. Sempre sentia-se humilhada em relacionamentos. Queria dizer `nao`. Queria nada. Queria dizer sim. So nao queria quer fosse tao doloroso.
Nao queria ser observada. Queria poder ficar sentada na sua salinha o dia todo. Queria nao ver ninguem. Mas sentia fome. Muita fome. `Devo estar ansiosa`, pensou. A impressao que tinha era que todo mundo a observava, logo quando ela mais queria estar invisivel.
Nem chorar adiantava mais. Nao que algum dia tivesse adiantado. Mas, parece, que teve um tempo que o choro renovava alguma coisa por dentro. Dava um ar de esperanca, no fim de tudo. Mas, naquele almoco, sentiu que a ferida estava muito profunda para o choro consolar.
Mais uma vez prometeu-se que nao iria ceder. Naquele segundo, toda sua angustia juntou-se em um unico sentimento. Nao queria mais se sentir tao humilhada. Nao queria mais chorar sozinha depois que ele fosse embora. Nao queria mais chorar depois de saber as novidades da vida dele em que nao estava incluida.
Nao queria mais ser forte. Queria ser fraca. Queria ser carregada. Queria colo. So nao queria ter que pedir por isso.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário