terça-feira, 21 de agosto de 2007

modo de vida

Na minha educação a palavra solidão sempre teve uma conotação ruim. Acho que não seja só na minha casa, mas acho que para toda a língua portuguesa estar sozinho ou sentir-se só chega a quase provocar sentimento de pena.

Eu que sempre rejeitei o rótulo festivo do brasileiro cheio de intromissões e não perceber o limite alheio, só agora vim perceber o quanto sou brasileira. E pior, o quanto sinto falta disso. Engraçado como são exatamente nesses momentos em que você encontra-se completamente só que consegue chegar a causa de certas angústias. É só quando estamos sozinhos que conseguimos entender os nossos limites e a saber lidar com eles.

Acho que essa é a minha primeira lição de Londres. Aprender a ficar sozinha. Mas de forma nenhuma porque sou estrangeira menos ainda porque acabei de chegar. Esse é o estilo de vida do inglês. Sabe aquela história que inglês é frio??? Eles não são frios. São solitários.

Um inglês é capaz de entrar num pub, ficar quatro horas lá, sozinho naquele balcão. Só ele e o pint. Não conversar com ninguém. Pagar a conta, abrir o guarda-chuva porque certamente está chovendo lá fora, e ir embora.

Mas também existe um outro tipo de solidão. A solidão no meio de um monte de gente. Não posso dizer que é o modo de vida da cidade grande que nos 'enselvagiza', porque venho de São Paulo e considero esta entre os top ten na lista "fora forasteiro". A questão ainda não é essa.

Aqui não tem banco no ponto de ônibus. E não é porque o ônibus não demora. Mas a idéia é de não fazer laços. É muito mais fácil puxar papo com uma pessoa que está sentada do seu lado do que uma em pé ao seu lado. Estar sentado parece que baixa a guarda. E não só nos pontos de ônibus que não tem banco. Em lugar nenhum tem banco. Você nunca pode sentar.

Dentro dos vagões do metrô e dos ônibus tem aquela separação - aquele braço, tipo em cadeira de cinema - deixando bem clara a idéia de único. Isso significa, inclusive, que você tem que comer em pé. Afinal, se quiser sentar para comer num restaurante paga um terço a mais na conta e como estamos falando de pounds, vale muito mais fazer economia do que papo-furado com um fulano qualquer.

Então, as pessoas simplesmente vão aos Subways, Starbucks e todas essas tranqueiras mais, compram seus lanchinhos e ficam comendo em pé, do lado de fora ou andando, esperando o tempo passar até a hora de voltar para o escritório. Ou pior. Isso quando elas não levam o almoço e comem na frente do computador. É a coisa mais comum do mundo você chegar num banco, secretaria da universidade....e o funcionário está almoçando na frente do computador!!!!

Inclusive os estrangeiros adquirem esse modo de vida solitário. Por isso começo a entender os guetos. Porque se você não se organiza com seus iguais se perde junto com a maioria. É diluído pela colcha de retalhos de nacionalidades de Londres.

Mas de maneira nenhuma posso chamar isso de bom ou ruim. É só uma situação completamente diferente de qualquer coisa que eu já tenha passado. É como se a cidade estivesse preparada para receber as pessoas apenas de forma unitária. Daí, outro dia, já vieram me dizer: "Mas estar sozinho em Londres é outra coisa...não é igual no Brasil". Será que dá para se medir solidão? Tem balança? Quantos quilos de solidão será que tenho hoje??

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Selfridges & Co

Pela primeira vez na minha vida meus olhos sorriram. Pelo menos pela primeira vez por causa de roupa. Garganta travada, arrepido, calafrio, tontura...e choro. Foi assim que me senti ao entrar pela primera vez na Selfridges. Uma vendedora me encarou e deve ter pensado "sei que os preços estão salgadinhos mas não precisa chorar nega, logo mais tem liquidação. É um pulo até janeiro".

Tem coisas que parece que as palavras simplesmente não são suficientes para explicar o tamanho da emoção e os níveis de sensações atingidos.

Pode ser quando você encontra aquele cara que ficou no sábado passado e ele veio falar com você; ou quando chega no ponto de ônibus mega atrasada e o seu ônibus passa em pouquíssimos segundos depois ou ainda quando aquela gorda gigante cheia de pacotes que ameaçou sentar ao seu lado por um golpe do destinho decide esmagar outro fulano. É isso, uma mistura de felicidade com alívio.

Alívio por causa da magnitude das roupas. Alívo por encontrar a perfeição em forma de um vestinho floral com uma jaquetinha de couro marrom. É como se eu estivesse na revista Caras das roupas. Sabe quando tem aquelas matérias de Oscar e aparece o nome da atriz menciona o nome do estilista que a veste??? Pois é, a Selfridges tem todos esses estilistas e muito mais.

São mais de sete pisos (mais porque perdi a conta ao olhar para cima...os andares são muito largos) só dedicados à roupa, sapato, acessórios, produto de beleza e comida. E cada andar tem uns restaurantezinhos, com cara de cantina Bixiga mas com preço de Emiliano. Tem loja própria da Godiva!!

Minhas lágrimas chegaram ao ápice quando fui na sessão do Marc Jacobs. A perfeição do caimento dá impressão que Marc colou em casa e costurou um vestido no meu corpo. Nada de fazer barra porque tem calça de tudo quanto é tamanho. Zíper torto, babado pouco armado, cetim barato que imita seda é considerado eresia. E aí vai...Vera Rekiel, All Saints, Gucci, Prada, Armani, Azedine Alaïa, Viktor&Rolf até chegar nos sapatos....

Não resisti. Experimentei um Manolo Blahnik. A ferrari dos sapatos. Pedi para a moça um 37, mas disse que estava em dúvida quanto ao tamanho. Era um chanel com o bico redondo, salto quadrado grosso, 8 centímetros. Preto. Para não ter perigo de errar.

Quando a vendedora veio de longe era como se ela ficasse tão pequenininha perto daquela caixa de sapato. Abri a caixa e experimentei.

Sabe aquele dia que você está se sentindo um lixo? cólica de menstruação, olheiras de panda - que vem até o joelho - engordou 6 quilos de um dia para o outro, sua coxa está mais grossa do que o pescoço do seu namorado, choveu bem no dia da progressiva, os pelos da virilha encravaram, a calça jeans fantástica por R$ 10 reais não tem o seu tamanho...então, todas essas sensações desaparecem quando você calça um Manolo. Como fiquei bonita! Além de alta, minha coxa ficou mais fina. Olha, não importa a roupa....com um sapato desses...

Fiquei lá, namorando...olhando, passando a mão, vendo a costura da sola que segue certinha por seu contorno...

"E aí, gostou? Vai levar???", me perguntou a loirinha de 1,90m e 20 quilos que me antedia.
"Não, não ficou muito bom!!".....Não tive nem coragem de perguntar o preço.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

currículo

Cara Susannah Frankel,

Meu nome é Maria Eugenia (na verdade te um acento mas como o inglês não permite isso acabo me rendendo às peculiaridades da sua língua e deixo para lá), tenho 25 anos e sou uma jornalista brasileira. Ou melhor, era.

Era porque desde que cheguei nesse país (há pouco mais de uma semana) me encontrei numa situação que nunca havia antes sentido. A de sub-empregada.

Toda a minha experiência de 5 anos de Estadão (ah, vc não deve saber mas esse é um dos maiores jornais do Brasil, claro que a tiragem não chega aos pés do seu jornal, afinal, estamos falando de BRASIL, onde as pessoas não compram jornal porque ele suja a mão).

Além disso falo bem francês (tenho o diploma de Delf, mas para quê isso importa,né??? a França deixou de ser um país dominante no século XIX, o negócio agora é aprender mandarim....não é isso que dizem???).

Ah, também falo muito bem espanhol, resultado de curso dificílimo que fiz na melhor universidade da Argentina. ("Agora fiquei confusa", pensa a editora Susannah - "Mas não se fala espanhol no Brasil??? Então porque essa menina foi fazer um curso na Argentina??).


Estou em Londres fazendo meu mestrado em Jornalismo de Moda na London College of Fashion e gostaria muito de trabalhar com a senhora. O seu jornal é um dos mais respeitados do mundo, leio-o todos os domingos (não dá para comprar todos os dias porque o dinheiro que me mantém aqui vem em real e não em libra, ops, pound).


Na verdade não sei nem se devo mandar esse e-mail para a senhora, afinal, deve ser uma pessoa muito ocupada, mas é que já tentei de algumas outras formas e até agora não tive resultados favoráveis. Na verdade estive em uma dessas agências de emprego mantidas pelo governo e gostaria até de comentar com a senhora sobre esse fato.


Dona Sussanah, que lugar maravilhoso!!!! Nunca achei que procurar emprego seria agradável. (tá, eu sei que essa não é a melhor palavra, mas na falta de algo mais explicativo, vai isso mesmo...)


Você chega na agência e tem vários computadorezinhos...e você digita todas as informações que precisa: a localização de onde quer o trabalho, quantas horas deseja trabalhar (tem trabalho que a carga horária é de UMA HORA POR DIA), quanto deseja ganhar, cargo....o computador faz uma pesquisa e TCHANAAANNNN vem um monte de vagas...daí é só você escolher a que melhor se encaixa ao seu perfil e imprimir!!! Pois é!!! Não tem essa de ficar copiando...o computador imprime na hora para você....depois que todas as vagas foram impressas, esse centro de trabalho também oferece um telefone para que você ligue para todos os lugares que tem vagas abertas.
Essa busca por emprego é quase igual no meu país dona Susannah...a única diferença é que nessas agências de emprego do Brasil, além de toda essa organização ainda é servido bolachinhas e capuccino para os desempregados!!!!! (risadinha de canto de boca)


Ah, mas voltando a minha vaga. Te juro que tenho todas as habilidades necessárias para o emprego. Na verdade, conversando com outras meninas inglesas que também trabalham com moda fiquei impressionada com tamanha desqualificação. Marshall MacLuhan é nome de astronauta para elas. Ninguém leu George Orwell e "Big Brother" é nome de reality show.


Começo a pensar na necessidade de qualificação para fazer moda...pois é dona Susannah...
a senhora, que já deve ter passado por inúmeras crises na sua carreira, deve entender o que estou falando...ou melhor, não estou em crise, só gostaria de entender porque muitos de nós que viemos de países mais pobres, porém, somos infinitas vezes mais qualificados do que os 'natives' ficamos tão deixados de lado e somos tão subjulgados...parece que se você vem de fora tem que lutar 5 vezes mais do que um europeu qualquer.

Mas dona Susannah, não pense que vou me abater....afinal "sou brasileira e não desisto nunca"!!!
Então, peço para a senhora me dar uma chance, qualquer coisa mesmo....só para eu estar um pouco mais perto daquilo que mais amo...prometo que sou limpinha!
obrigada pela atenção,

Maria Eugenia Pacheco Tomazini

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

what is your ethnic group?

1 - branco (inglês)
2- branco, negro e caribenho
3 - branco e indígena
4 - negro e indígena
5 - caribenho e indígena
6- asiático
7- asiático e branco
8 - asiático e negro
9 - asiático e indígena
10 - branco europeu
11- me recuso a responder essa questão

Para minha Universidade, minha 'raça' não existe.

Depois de me deleitar num sorriso sem graça ao ter que responder numa sala com 250 alunos que "minha raça não existe nas opções", comecei a pensar sobre isso.

Escolhi a London University of Arts por ser uma das melhor universidades de arte do mundo. Referência mesmo. Assim como Havard está para o direito, a LUA está para as artes. Embora tenha tentado explicar que não existe "brasileiro puro", eles simplesmente desconversaram tentando se safar de um posicionamento pra lá de racista...
Ainda tive que aguentar a seguinte piadinha de uma aluna russa: "talvez os macacos sejam os brasileiros puros". Ainda bem que a faculdade é de gente esclarecida...

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Sabe uma coisa que me irrita??? Uma salada ter 300 calorias. Vou viver de big mac...

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domingo, 12 de agosto de 2007

dublinenses

Imagine a capital de um país. Enorme, cheia de arranha céus, pessoas correndo contra o tempo para conciliar a reunião com a academia com o último dia de liquidação daquela fantástica loja de sapatos. Pois é. Dublin não é assim.

Embora com status de capital, tem cara de cidade pequena que dá vontade de dar um abraço. Tirando a porra da chuva que é muito corta foda, Dublin é perfeita. Primeiro que todo mundo é bonito. Na boa, tirei foto com o mendigo para mostrar para minha mãe que até os homeless da cidade são bonitos. É um dos salários mínimos mais altos da Europa. Imagina, você, o 'cumim' (menos que garçom) ganhando o suficiente que dá para viajar pela Europa nas férias...pois é..por essas e outras que vem gente do mundo todo para Dublin.

Dublin é a disney do europeu. Engarrafamento é demorar meia hora de busão (que NUNCA ESTÁ CHEIO) do bairro distante até o centro. Igreja lá é igual boteco na periferia - cada esquina tem um. Só que os 'botecos' dublinenses datam do início do século e dão vontade de chorar tamanha complexidade arquitetônica.

Só tem casinha baixinha. E as portas são coloridas. Tradição que perdurou dos idos tempos de dominção inglesa quando esses, obrigavam a família irish a pintar a porta de casa de uma determinada cor para poder identificá-los. Em protesto, a cidade toda pintou as portas cada uma de uma cor.

Ninguém recebe troco no busão. Você põe o dinheiro numa caixinha, se tiver troco, vc recebe um tipo de 'vale' - em que o troca por dinheiro de verdade (obviamente, ninguém faz isso).

O lema 'se beber não dirija' é lei. É muito raro ver carros na madrugada dublinense que não sejam táxi ou busão. (a frota de táxi dessa cidade é de 60 mil carros - maior que nova iorque. Detalhe, a cidade só tem 2 milhões de habitantes). É tão bonitinho de madrugada, as pessoas fazem uma fila na O´Connel (avenida principal) para esperar o táxi e NINGUÉM FURA A FILA!!!!

A balada começa super cedo...8 da noite os pubs estão bombando e a festa vai até umas 5 da manhã.

James Joyce é herói nacional. Tem o pub dele, estátudas espalhadas pela cidade, o cemitério que ele está, suas escrituras, tem de tudo. Ele é Pelé irlandês. Com a diferença que além de ídolo nacional, não tenho medo de dizer, é o melhor escritor do século XX.

Minhas noites foram fantásticas. Conheci muita gente, dei risada em inglês, alemão, francês, italiano, espanhol e, claro, português. Me diverti ao som de "umbrela", pus o pé para uma italiana biscate tomar um tombo, fiquei bêbada de quase cair no chão na saída da fábrica da Guiness, não entendi quase nada que um irlandês fala (maldito sotaque), achei que dois irlandeses conversando em gaélico era uma briga e também não entendi porque os pontos de ônibus são ao contrário.

Dias que nunca mais vou esquecer. E que não seriam os mesmos sem Marininha, Gabis e Tiago. Obrigada por serem meus amigos. Obrigada pelas risadas. Obrigada.

kebab de cu é rola

Não vou falar da Irlanda. Pelo menos não agora. Fiz esse blog registrar a forma como vejo o mundo. Através das minhas observações das pessoas, o que vejo, o que crio, o que penso. Mas agora estou afim de falar de algumas coisas que estou sentindo...então não aconselho ninguém a ler esse texto..ele é só para mim mesmo, só para depois voltar, daqui um tempo e ler de novo.
Esse texto não merece ser lido porque não vou contar nada meu. Só vou repetir algo que todo mundo faz. (caralho, a porra da menina que mora do lado do meu dorm não pára de bater a porta)

Evitei. Tentei não olhar. Tentei não reparar na sua felicidade. Quis ignorar mesmo, achando que estava tudo bem. Mas não dava. Eu ficava pensando nisso, querendo saber como você estava mesmo que não faça mais parte da minha vida há muito tempo. Então ficava receosa de querer saber como você estava, se estava namorando, se estava bem no trabalho. Minha imaginação inventava situações que nunca existiram mas que meu coração jamais diria que essas sensações foram inventadas. ´

É como se eu tivesse vivido cada uma daquelas cenas na balada, com você me olhando, eu fingindo que não te via, com uma outra pessoa ao meu lado. Imaginava que vc viria conversar comigo. Como era seu fim de semana, no Ibirapuera, na Benedito KY, no cinema...e minha cabeça criava tanta coisa, que eu chegava a sentir o cheiro dos lugares imaginados, via a roupa que vocês estavam vestindo, sentia o gosto daquele maldito kebab.

Tomei coragem e parei de imaginar. Resolvi 'perguntar'. Deixar de ver com meu coração e começar a sentir com a cabeça.

Mesmo morrendo de medo resolvi encarar a real. E foi a melhor coisa que fiz. hahahahahahah
se soubesse que seria tão fácil, tão bom teria feito antes. Você virou uma piada amarela - aquela que as pessoas entendem e falam "ah, tá...". Cortei o laço que existia. O que sobrou foi só dor de cotovelo mesmo... mas nada que o tempo não tenha curado. O tempo. Meu melhor amigo.

Como me sinto bem para continuar..é como se você não tivesse existido...ahahahhahaha e, você, de fato, não existe mais. Para sempre.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

constatações

gostaria de fazer algumas primeiras observações:

em londres não tem guia...tipo, a calçada e a rua estão no mesmo nível...logo, você está no meio da rua, nem percebe e pode ser facilmete atropelada (essa última parte foi meio confidencial)

as pessoas não comem com faca. Pois é minha gente, garfo e colher é super in e faca, super out...sei lá, vai ver que é porque corta...

sabe aquela hisória suuuuuuuuuuper irritante de quando você está na escada do metrô super atrasado para chegar no trampo tem um casal ocupando todo o degrau e não te deixa passar na frente??? pois é, isso aqui em Londres não acontece....é tão bonitinho..as pessoas que não estão com pressa ficam do lado direito da escada, paradinhas, e quem está com pressa, sobe correndo pelo lado esquerdo...e num é que dá certo???? ainda vou tirar uma foto!!!

outra coisa, ninguém aqui fala "welcome" depois que vc fala "thanks". Eles falam "chears".....adorei...

o metrô é uma cidade subterrânea. Todo mundo que me conhece também está familiarizado com a minha obceção com o metrô. Simplesmente adooooooro os trilhos subterrâneos...aqui, tem tantos corredores e tantas baldeações que vc pode demorar mais de 20 minutos entre um corredor e outro....

pronto.

dia engraçado

Louca. Essa é a palavra mais próxima para revelar um pouquinho do que eu sou. Londres tem um sério problema. Tanto pela manhã como à noite, é igualzinho..então se você tirar uma soneca, pode demorar um tempinho para saber se é manhã ou noite. E foi exatamente essa minha experiência (nem precisei de drogas para isso).

Ainda não tive coragem de mudar o horário do meu relógio de pulso. Então cada vez que olho no relógio tenho que ficar fazendo contas. Talvez more aí, parte da explicação do absurdo que vou contar.

Quando levantei hoje, o relógio marcava 6h30. Mas não sei porque razão, achei que eram 6h30 da tarde. Levantei desesperada porque tinha que comprar panelas, comida, descobrir como faço para ir para o aeroporto (vou para Dublin amanhã, mas isso é uma nova história)...ah, sei lá, mil coisas...(como já diria adriane galisteu). E, principalmente, arrumar a porra das tomadas do meu quarto que há três dias não funcionavam, logo não podia usar o computador, a máquina fotógráfica e principalmente, O SECADOR...

Levantei correndo, fui na recepção do prédio expliquei pela décima vez meu problema, disseram que iriam me mudar de quarto. Fui correndo na rua, comprar alguma coisa para comer e tentar resolver parte dos meus problemas. Comecei a reparar quea rua estava bem deserta...andei por vários lugares e tudo estava fechado. Achei que era feriado e eu não sabia.

Andei para cima e para baixo e só tinha gente da construção civil...achei um pouco estranho mas, pensei : "esse pessoal sim trabalha muito". Não conseguia tirar a idéia da minha cabeça que tinha dormido 18 horas. Inclusive liguei para um amigo aqui em Londres (mais tarde fui entender porque ele só ficava bocejando durante a ligação) e ainda insisti por instruções para ir para o tal aeroporto Stansted e, o sonolento rapaz, não sabia como me ajudar.

Fui no mac donnald´s´- único lugar aberto nesse 'fim de tarde' - e chegando lá perguntei para a mulher porque não serviam o menu normal, como em qualquer mac donnald´s do mundo...ela deu um sorriso e respondeu: "pq de manhã as pessoas não gostam de hamburguer".....

me rendi

Sempre quis ter um blog. Isso é fato. Por mais que zoasse quem tinha blog e tal sempre achei umj coisa legal mas com um péssimo defeito: todo mundo pode ler o que escrevo. Inclusive aqueles pessoas por quem, momentaneamente, estou falando mal!!! Mesmo que sejam meus amigos, afinal, atire a primeira pedra quem nunca quis atacar uma pedra na cabeça de um amigo!!!!

Mas, agora, como estou em Londres, posso falar mal de quem quiser, posso não falar de ninguém (aí não vão encher meu saco do tipo, 'poxa, tb tava com vc na balada e vc nem me citou') as pessoas que serão mencionadas aqui, certamente não sabem ler português, então....fuck brother (ahahahha versão inglesa para o meu bordão já aclamado pelas massas 'foda-se mano').