Querida amiga,
sei que estamos juntas há muito tempo, por isso resolvi te escrever essa carta. Essa história de Natal e Ano Novo, chegando acabo me rendendo e fico mais emotiva...
Lembro de um dos primeiros dias que nos conhecemos, eu tinha acabado de ganhar a minha primeira barbie com um lindo vestido vermelho que eu achei muito comprido e resolvi cortá-lo. Na hora eu achei que tinha ficado tao bonito mas bastou meu pai reclamar para que eu não achasse mais minha obra de arte tão bonita e comecar a chorar porque, nas palavras do meu pai, 'tinha destruido o vestido'. Acho que nesse dia nos tornamos amigas.
E nesses meus 25 anos ja passamos por tantas coisas juntas. Ainda mais quando junta a ´mardita´. No dia seguite, sempre esta voce, ao meu lado na cama, me fazendo refletir sobre o que fiz e o que nao fiz.
Tenho muito a agradecer. Por sua causa voltei a falar com amigos, engolindo o orgulho.
Graças a você, grande amiga, não conseguia me relacionar. Por que cada vez que tentava alguma coisa, você se fazia presente impondo que ´enquanto assuntos passados nao fossem esclarecidos nada poderia ser feito´.
Amiga, quantas e quantas vezes você me segurou, impedindo-me de fazer algumas besteiras. E tantas outras vezes que eu nao fui quem eu sou, nao falei o que queria, nao beijei, nao abracei, nao terminei, nao implorei, nao comi, nao briguei, nao trai , nao contestei embora estando certa somente por sua causa. Graças a você ainda aceito ser suporte de auto-estima para certos amigos e estou realmente farta disso. Certa mediocridades nem com caminhão pipa de auto estima ajudam entao, nao estrague a minha noite.
Mas o motivo dessa carta é que embora voce seja uma das minhas primeiras amigas e eu te respeitar muito por isso acho que algumas coisas precisam ser revistas no nosso relacionamento.
Sei que ando distante nesses ultimos tempos e que nao temos tido muitas conversas mas acho que daqui para frente as coisas serao cada vez mais assim. Acabamos tomando rumos muito diferentes nas nossas vidas e embora exista um sentimento muito grande da minha parte de te querer bem, a amizade nao e mais a mesma.
Muita coisa aconteceu nesses ultimos meses que meu fizeram ver o quanto estive sua dependente e como deixei de fazer coisas que queria para estar com você.E isso me causa um certo arrependimento.
Tenho tentado ser um pouco mais livre, mas com a sua presenca constante tem sido dificil por causa das cobranças e justificativas. Eu te entendo. Te devo muito. Muito do que consegui devo a você. Se você nao exisse eu nao me esforcaria tanto para ser a melhor, eu nao perdoaria certos erros, comeria todos os doces, nao pagaria o onibus, nao tentaria ver pontos bons em quem quase nao tem (ahahahah cruel essa), nao usaria de meias palavras, nao me importaria em nao ter cabelo liso, nao ouviria mais uma briga entre namorados.
Mas acho que as coisas vao mudar daqui para frente. Claro que tudo que você me ensinou esta guardado dentro de mim para sempre. E nao acredito que vai mudar. Mas, daqui para frente preciso enfrentar os meus problemas sozinha.
Obrigada por tudo e a gente se fala.
Feliz Natal e um Otimo 2008. Infelizmente nao vai dar para você ir para praia comigo. A casa ja esta lotada. Quem sabe a gente nao combina uma outra viagem????
beijo grande
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
um outro museu
Ja fazia dois meses que eu nao ia no Tate Modern entao resolvi ir la no fim de semana passado. E como sempre parecia que eu nunca tinha estado la.
O que encanta em arte moderna e como ela evoca sentimentos e sensacoes diferentes cada vez que se tem contato com o ela. Mesmo que seja o mesmo quadro, a mesma ilustracao, a mesma gravura, a mesma instalacao.
Cada vez que vou no Tate, seja para o acervo permanente ou para alguma nova exposicao, me sinto tocada de uma forma diferente. Em um outro lado do meu coracao...ou do meu cerebro.
Mas nesse ultimo domingo fiquei meio confusa...fiquei confusa porque comecei a pensar sobre o que e um museu, sobre sua funcao e sobre o que ele expoe. E, principalmente a forma como nos, espectadores, vemos aquela arte.
Durante a semana tinha lido uma materia sobre um grafiteiro chamado Bansky. Ninguem sabe quem e o cara, ninguem nunca viu, ele nunca deu entrevistas. So que o cara esta domindo Londres. Seus quadros nao sao vendidos por menos de 20 mil pounds...(vou ate abrir um parenteses para o 'momento fofoca' e deixar essa aura de misterio mais suculenta: Angelina Jolie pagou 100 mil libras num quadro do cara - fim do momento Nelson Rubens). Enfim, tudo isso para dizer que um monte de gente fala que o cara nao e arte, estao falando agora que o galerista dele na verdade e o proprio artista...varias historias bem engracadas...
Mas voltando ao Tate. Comecei a pensar no grafite exposto em galeria de arte. SO que nao e estranho observar o grafite como se fosse qualquer outro quadro de qualquer outra epoca? Quando a gente ta na rua, e ve um grafite, a gente nunca para para observer. Sempre estamos com pressa, dentro do busao, atrasados. E como se na rua o grafite estivesse se movendo e no museu, quem esta se movendo somos nos...ele esta estatico..Acho que o Kandinski e o Duchamp pensaram nisso para fazer suas artes...enfim..talvez, uma opiniao muito pessoal, estejam ;domando o grafite.....nao sei nao sei mesmo..E nao so ele, claro, todas as formas de expressao urbanas que saem do seu habitat...assim como foi feito com o punk, com a jaqueta de couro, com o blackpower...
Depois disso, me veio uma outra ideia. Sera que alguem ja parou para pensar que tudo o que e exposto em museu sao artes qeu se pode prever? Por exemplo, um quadro do Picasso ou do Pollock ( meu favorito!!!) vc sabe que ele e o que e mas dentro daquela moldura.
Quando meus olhos vao de um quadro para outro, no meio tem uma parede, e como se eu ja soubesse 'o proximo passo e um quadro', 'agora e uma escultura'. E todos os museus sao assim...sao sempre coisas que tem um limite e uma previsao muito grande. Por exemplo, no museu de historia natural ou mesmo no V&A, estao expostos partes do corpo humano, reproducao humana, como funciona a memoria, roupas, acessorios...coisa que tem um limite e uma extensao bem palpaveis.
Mas sera que n unca ninguem pensou em fazer um museu do sentimento humano? Como seria entrar num coracao apaixonado? E num estomago quando vc atendeu o telefone e 'ele' falou 'alo'.
Seria engracado tambem as possibilidades: Voce ficou sabendo que o seu ex-namorado ficou com uma amiga sua...dai teriam varias possibilidades:
a -espancar a amiga - Ai e o trecho que voce passa e tem duas mulheres, dois homens ou uma mulher e um homem se pegando por causa da traicao;
b - espancava o ex-namorado - (Essa seria uma otima cena!!!)
c- nao fazia nada. Esperava o tempo curar a dor que nao se sabe se pode ser curada...
Mas como seriam esses corpos? Seria legal se os personagens desse museu fossem bem gigantes, assim dava para a gente entrar dentro e sentir, mesmo qeu artificialmente o que aquela pessoa sentiu naquela situacao.
E uma noticia de um emprego novo? Aquele emprego fantaaaaaaaastico na Dazed&Confused, na editoria de moda, tudo que voce sempre quis. Tem dinheiro para os editoriais e pode pirar o quanto quiser...sem censura! Como essa situacao seria representada?
Ah, e chocolate no cerebro feminio! Aposto que tem a sensacao bem parecida com um outro prazer mas o chocolate e substituido por outra (s) coisa (s).
E quando voce comeca a namorar e aquele cara que te desprezou, que nao te ligou, aquele cara que voce por quem voce esperava pela aprovacao para tudo que ia fazer, simplesmente te ve toda feliz com o seu novo namorado. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh EU QEURO ENTRAR DENTRO DESSE MUSEU!!!!!
E quando o sentimento acaba? Depois de tantos anos gostando de alguem, (nao precisa necessariamente ser correspondido), mas simplesmente o za za zu nao e mais como era antes. Ou melhor, ele nem existe mais. Como seria disposto no museu????
E o que acho mais legal desse museu e que para nenhuma situacao seria possivel apensar uma reacao. O comportamento humano e tao plausivel de mudandas e tao imprevisivel que seriam necessarias, pelo menos, umas tres possibilidades para cada historinha.
Acho que talvez se a gente se visse, ou melhor, estivesse dentro daquela pessoa que foi machucada, traida, ignorada evitariamos, ao maximo, de sermos os responsaveis pela dor alheia.
Mas por outro lado, tambem seria indescritivel nos realizarmos - nem que seja so dentro de um museu - aqueles sonhos que pelas mais diversas razoes ainda sao sonhos - o emprego perfeito, sapato do Manolo Blahnik, balada-todo-dia-de-graca, internet que sempre funciona, LP bem baratinho nos mercadinhos de Londres, lojas vintage com precos vintage, descobrir uma musica fantastica todos os dias....
O que encanta em arte moderna e como ela evoca sentimentos e sensacoes diferentes cada vez que se tem contato com o ela. Mesmo que seja o mesmo quadro, a mesma ilustracao, a mesma gravura, a mesma instalacao.
Cada vez que vou no Tate, seja para o acervo permanente ou para alguma nova exposicao, me sinto tocada de uma forma diferente. Em um outro lado do meu coracao...ou do meu cerebro.
Mas nesse ultimo domingo fiquei meio confusa...fiquei confusa porque comecei a pensar sobre o que e um museu, sobre sua funcao e sobre o que ele expoe. E, principalmente a forma como nos, espectadores, vemos aquela arte.
Durante a semana tinha lido uma materia sobre um grafiteiro chamado Bansky. Ninguem sabe quem e o cara, ninguem nunca viu, ele nunca deu entrevistas. So que o cara esta domindo Londres. Seus quadros nao sao vendidos por menos de 20 mil pounds...(vou ate abrir um parenteses para o 'momento fofoca' e deixar essa aura de misterio mais suculenta: Angelina Jolie pagou 100 mil libras num quadro do cara - fim do momento Nelson Rubens). Enfim, tudo isso para dizer que um monte de gente fala que o cara nao e arte, estao falando agora que o galerista dele na verdade e o proprio artista...varias historias bem engracadas...
Mas voltando ao Tate. Comecei a pensar no grafite exposto em galeria de arte. SO que nao e estranho observar o grafite como se fosse qualquer outro quadro de qualquer outra epoca? Quando a gente ta na rua, e ve um grafite, a gente nunca para para observer. Sempre estamos com pressa, dentro do busao, atrasados. E como se na rua o grafite estivesse se movendo e no museu, quem esta se movendo somos nos...ele esta estatico..Acho que o Kandinski e o Duchamp pensaram nisso para fazer suas artes...enfim..talvez, uma opiniao muito pessoal, estejam ;domando o grafite.....nao sei nao sei mesmo..E nao so ele, claro, todas as formas de expressao urbanas que saem do seu habitat...assim como foi feito com o punk, com a jaqueta de couro, com o blackpower...
Depois disso, me veio uma outra ideia. Sera que alguem ja parou para pensar que tudo o que e exposto em museu sao artes qeu se pode prever? Por exemplo, um quadro do Picasso ou do Pollock ( meu favorito!!!) vc sabe que ele e o que e mas dentro daquela moldura.
Quando meus olhos vao de um quadro para outro, no meio tem uma parede, e como se eu ja soubesse 'o proximo passo e um quadro', 'agora e uma escultura'. E todos os museus sao assim...sao sempre coisas que tem um limite e uma previsao muito grande. Por exemplo, no museu de historia natural ou mesmo no V&A, estao expostos partes do corpo humano, reproducao humana, como funciona a memoria, roupas, acessorios...coisa que tem um limite e uma extensao bem palpaveis.
Mas sera que n unca ninguem pensou em fazer um museu do sentimento humano? Como seria entrar num coracao apaixonado? E num estomago quando vc atendeu o telefone e 'ele' falou 'alo'.
Seria engracado tambem as possibilidades: Voce ficou sabendo que o seu ex-namorado ficou com uma amiga sua...dai teriam varias possibilidades:
a -espancar a amiga - Ai e o trecho que voce passa e tem duas mulheres, dois homens ou uma mulher e um homem se pegando por causa da traicao;
b - espancava o ex-namorado - (Essa seria uma otima cena!!!)
c- nao fazia nada. Esperava o tempo curar a dor que nao se sabe se pode ser curada...
Mas como seriam esses corpos? Seria legal se os personagens desse museu fossem bem gigantes, assim dava para a gente entrar dentro e sentir, mesmo qeu artificialmente o que aquela pessoa sentiu naquela situacao.
E uma noticia de um emprego novo? Aquele emprego fantaaaaaaaastico na Dazed&Confused, na editoria de moda, tudo que voce sempre quis. Tem dinheiro para os editoriais e pode pirar o quanto quiser...sem censura! Como essa situacao seria representada?
Ah, e chocolate no cerebro feminio! Aposto que tem a sensacao bem parecida com um outro prazer mas o chocolate e substituido por outra (s) coisa (s).
E quando voce comeca a namorar e aquele cara que te desprezou, que nao te ligou, aquele cara que voce por quem voce esperava pela aprovacao para tudo que ia fazer, simplesmente te ve toda feliz com o seu novo namorado. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh EU QEURO ENTRAR DENTRO DESSE MUSEU!!!!!
E quando o sentimento acaba? Depois de tantos anos gostando de alguem, (nao precisa necessariamente ser correspondido), mas simplesmente o za za zu nao e mais como era antes. Ou melhor, ele nem existe mais. Como seria disposto no museu????
E o que acho mais legal desse museu e que para nenhuma situacao seria possivel apensar uma reacao. O comportamento humano e tao plausivel de mudandas e tao imprevisivel que seriam necessarias, pelo menos, umas tres possibilidades para cada historinha.
Acho que talvez se a gente se visse, ou melhor, estivesse dentro daquela pessoa que foi machucada, traida, ignorada evitariamos, ao maximo, de sermos os responsaveis pela dor alheia.
Mas por outro lado, tambem seria indescritivel nos realizarmos - nem que seja so dentro de um museu - aqueles sonhos que pelas mais diversas razoes ainda sao sonhos - o emprego perfeito, sapato do Manolo Blahnik, balada-todo-dia-de-graca, internet que sempre funciona, LP bem baratinho nos mercadinhos de Londres, lojas vintage com precos vintage, descobrir uma musica fantastica todos os dias....
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amsterdam vai ter que ficar para proxima
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
sobre esteriotipos e outras anedotas
Se tem uma coisa que odeio sao esteriotipos. Para mim, eles sao o reflexo da burrice humana em acao. Sabe quando vc nao sabe alguma coisa e so aumenta alguns dos adjetivos daquela coisa? sem pensar, so para dizer qeu sabe? pois e...limitacao de pensamento, mediocridade, ignorancia...
Por mais que eu nao goste e acabe sempre tentando fugir disso..parece que as vezes nao tem jeito, a gente vai pelo caminho mais facil, generaliza tudo e corre para o abraco...
Aqui em londres constantemente passo por situacoes do tipo 'nossa nao achei que vc fosse brasileira, mas e tao baixinha!' - achou o que? eu penso...que so tem Gisele Bundchen andando na rua? - ou entao quando me perguntam de onde eu sou falo 'Brasil' e inevitavelmente a pergunta seguinte e 'o que esta fazendo aqui' - sempre esperando que a resposta seguinte sera 'trabalhando' dai eu respondo....'nao estou fazendo mestrado'...e ai que surge aqueles olhos gigantescos do tipo 'mas brasileiro nao e vagabundo?' sem falar as generalizacoes mais comuns do tipo 'tenho um amigo que esta aprendendo a falar espanhol vc podia ajuda-lo' ou 'nossa, mas vc nao tem cara de quem gosta de rap....e tao menininha' (palavras do diretor do meu curso....gracas a deus..ahahaahha)
Por que? se vc gosta de rap tem que andar que nem menino e falar que nem menino? quando ele ficou sabendo que o meu projeto de fim de termo era uma analise da representacao feminina nas capas de albuns de rap, por mais 'polited' que ele seja, nao conseguiu segurar....so faltou dizer 'qual e a importancia disso?'...eu so dou risada!
Mas, o pior de tudo e quando, se vc tem um pouco de 'sorte' um esteriotipo encontra vc. Pois e. Em Amsterdan, ele me encontrou.
Sabe aquele ideia de brasileira que muitos estrangeiros tem? Para ficar mais simples: facil, barraqueira, gosta de se mostrar, se veste mal e so quer saber de festa? pois e... a vida me colocou de frente de um dos meus piores pesadelos.
Ta, nao estou dando de puritana. Quem ja nao enfiou o pe na lama que atire a primeira pedra. (ja ate perdi a conta de quantas vezes fiz isso...) Sei que tb nao sou das mais quietinhas, fofinhas e que aceita as coisas. Mas bom senso minha gente. Bom senso e que nem Vitamina C...pode tomar sempre....antes sobrar do que faltar..e no fim das contas vc nao fica gripado.
Sabe aquele tipo que te da vergonha alheia? Que estao falando mal pelas costas e voce tenta, tenta nao prestar atencao, tenta fingir que a situacao nao esta acontecendo com voce mas nao da. E muita humilhacao. E mais do que vergonha alheia. E vergonha nacional.
Dai eu comecei a pensar. Como faco numa situacao dessas? Finjo que esta 'tudo certo' e caio no reggae???? Fico mais 'flexivel' com o que acredito? O que eu faco, porra!!! Fiz o que faco de melhor....me escondi, finji que nao era comigo...mas sabe quando vc nao se sente bem? Parece qeu esse meu comportamento ja deu???? Parece ele nao responde mais ao que acho certo.
E a mesma historia com arte. Eu tenho as minhas ideias do que e arte. Mas um determinado professor pensa muuuuito diferente de mim. Principalmente no qeu diz respeito a moda de luxo e moda popular. Nao da para opinar pq como uma comida, para uns e bom, para outros, nao.
Mas e ai, o que eu faco? Uso meu 'estilo' e o que eu entendo como moda ou me deixo influenciar? E ate que ponto e influencia e ate qeu ponto ele esta mudando meu estilo? Mas eu nao vim para ca para aprender? Ta foda. E agora, o que eu faco quando o que eu achava certo ja nao acho mais?
As vezes eu acho que deveria pensar menos. Deveria so viver. Parece que quem vive de qualquer jeito, sem observar muito, sem pensar muito, sem refletir muito e mais feliz. Porque como vc nao percebe outras miserias, nem a sua, ta feliz com tudo. A ignorancia protege.
Por mais que eu nao goste e acabe sempre tentando fugir disso..parece que as vezes nao tem jeito, a gente vai pelo caminho mais facil, generaliza tudo e corre para o abraco...
Aqui em londres constantemente passo por situacoes do tipo 'nossa nao achei que vc fosse brasileira, mas e tao baixinha!' - achou o que? eu penso...que so tem Gisele Bundchen andando na rua? - ou entao quando me perguntam de onde eu sou falo 'Brasil' e inevitavelmente a pergunta seguinte e 'o que esta fazendo aqui' - sempre esperando que a resposta seguinte sera 'trabalhando' dai eu respondo....'nao estou fazendo mestrado'...e ai que surge aqueles olhos gigantescos do tipo 'mas brasileiro nao e vagabundo?' sem falar as generalizacoes mais comuns do tipo 'tenho um amigo que esta aprendendo a falar espanhol vc podia ajuda-lo' ou 'nossa, mas vc nao tem cara de quem gosta de rap....e tao menininha' (palavras do diretor do meu curso....gracas a deus..ahahaahha)
Por que? se vc gosta de rap tem que andar que nem menino e falar que nem menino? quando ele ficou sabendo que o meu projeto de fim de termo era uma analise da representacao feminina nas capas de albuns de rap, por mais 'polited' que ele seja, nao conseguiu segurar....so faltou dizer 'qual e a importancia disso?'...eu so dou risada!
Mas, o pior de tudo e quando, se vc tem um pouco de 'sorte' um esteriotipo encontra vc. Pois e. Em Amsterdan, ele me encontrou.
Sabe aquele ideia de brasileira que muitos estrangeiros tem? Para ficar mais simples: facil, barraqueira, gosta de se mostrar, se veste mal e so quer saber de festa? pois e... a vida me colocou de frente de um dos meus piores pesadelos.
Ta, nao estou dando de puritana. Quem ja nao enfiou o pe na lama que atire a primeira pedra. (ja ate perdi a conta de quantas vezes fiz isso...) Sei que tb nao sou das mais quietinhas, fofinhas e que aceita as coisas. Mas bom senso minha gente. Bom senso e que nem Vitamina C...pode tomar sempre....antes sobrar do que faltar..e no fim das contas vc nao fica gripado.
Sabe aquele tipo que te da vergonha alheia? Que estao falando mal pelas costas e voce tenta, tenta nao prestar atencao, tenta fingir que a situacao nao esta acontecendo com voce mas nao da. E muita humilhacao. E mais do que vergonha alheia. E vergonha nacional.
Dai eu comecei a pensar. Como faco numa situacao dessas? Finjo que esta 'tudo certo' e caio no reggae???? Fico mais 'flexivel' com o que acredito? O que eu faco, porra!!! Fiz o que faco de melhor....me escondi, finji que nao era comigo...mas sabe quando vc nao se sente bem? Parece qeu esse meu comportamento ja deu???? Parece ele nao responde mais ao que acho certo.
E a mesma historia com arte. Eu tenho as minhas ideias do que e arte. Mas um determinado professor pensa muuuuito diferente de mim. Principalmente no qeu diz respeito a moda de luxo e moda popular. Nao da para opinar pq como uma comida, para uns e bom, para outros, nao.
Mas e ai, o que eu faco? Uso meu 'estilo' e o que eu entendo como moda ou me deixo influenciar? E ate que ponto e influencia e ate qeu ponto ele esta mudando meu estilo? Mas eu nao vim para ca para aprender? Ta foda. E agora, o que eu faco quando o que eu achava certo ja nao acho mais?
As vezes eu acho que deveria pensar menos. Deveria so viver. Parece que quem vive de qualquer jeito, sem observar muito, sem pensar muito, sem refletir muito e mais feliz. Porque como vc nao percebe outras miserias, nem a sua, ta feliz com tudo. A ignorancia protege.
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comecei pelo lado B,
na proxima e o lado A
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
otimo dia
Para falar a verdade nao aconteceu nada. Pelo contrario. Hoje e segunda feira, o unico dia semana que tenho aula das 10 da manha ate as oito da noite. As meninas da minha sala continuam super esnobes e ainda viram a cara para mim na biblioteca; as pessoas continuam vestindo roupas de 2000 mil libras. Esta tudo igual. Mas esta tao diferente.
Ocorre que hoje todas as minhas aulas foram fantasticas. A aula mais chata do curso era essa de segunda de manha. Totalmente sem motivo. Mas hoje, foram duas curadoras do V&A (Victoria & Albert Museum) e eles estao com uma exposicao gigantesca sobre moda. So sei que essas duas mulheres sao pesquisadoras de vestimentas o qeu nao tem nada a ver com moda.
Elas levaram casacos usados pelas operarias durante a segunda guerra (originais) e levaram outros dois modelos feitos pelo Marc Jacobs e pelo Carl Lagaerfeld, anos a frente. E foi fantastico ouvir toda aquela historia, ver aquelas fotos, entender a moda como fenomeno social e nao consumo pela loucura de se sentir um pouco mais humano.
Ver a evolucao dauqele casaco caqui horroroso ate ir parar nas maos do Marc Jacobs (que nao canso de falar que e um dos meus favoritos) e transformar 'aquilo' que as pessoas usavam como roupa numa epoca de uniformes em sonho. Exatamente isso. Marc Jacobs tambem cria sonhos. Cria a fantasia, bem distante da guerra, que a gente pode se sentir mais bonita com aquele casaco. E, de fato, a gente se sente.
A tarde, as aulas sao sempre otimas. Mas hoje foi exepcionalmente otima. Todo o glamour da moda foi colocado de lado e comecamos a falar de trabalho escravo em Bhruma e de toda a logica, os lucros, a parte bem distante da champagne, da Kate Moss e dos tres beijinhos na bochecha (e assim quwe escreve?). Sem falar que vou ter que costurar um vestido para segunda feira. Como disse uma sabia amiga ' vai largar o jornal para pregar botao em londres?'.....pois, mas com um sorriso de orelha a orelha.
A noite, o diretor do curso de fotografia foi dar a aula. E ele e um velhinho apaixonado por rock'n'roll. Imagina, um velhinho de cabeca branca falando completamente apaixonado do rock dos anos 40 a 60. Assistimos ao filme 'The Wild One' e ele foi explicando cada tomada, cada iluminacao, cada roupa....fantaaaaaastico!!!!
Confesso que ate agora me perguntava o que estava fazendo aqui. Que nao estava aprendendo nada.
Mas estou tao feliz. Tenho certeza que e isso que eu sempre quis. Sem falar que estudar em faculdade de artes e bom porque tem discussoes toda hora sobre o que e arte, uma pessoa da um peido e falam que e arte, dai vem outro grupo e discute...super piegas, mediocre o texto, de mal gosto, mas estou muito feliz.
Tenho certeza que encotrei o que quero fazer. O problema agora e que talvez eu nao queria mais voltar.
Sei que hoje foi so o primeiro dia depois de uma fase bem nebulosa. E pode ser que amanha tudo fique uma merda de novo.
blah
que lixo..acabei de ler esse texto..ta uma bosta. So vou deixar para ser informativo mesmo. Tipo alguem que queira estudar na London College of Fashion pode ler e ficar com mais vontade...
acho que a alegria bloqueia meu acido humor. Prometo que melhoro na proxima.
ps1. Uma boa noticia. Abri uma conta no banco.
ps2. E para todo mundo que me perguntou...obrigada pela consideracao sobre o fogo aqui em Londres. Para falar a verdade, moro do lado do lugar que pegou fogo (leia-se 'do lado' padroes Londres). A distancia e tipo da Vila Mariana ate a Ana Rosa, traduzindo para os nossos padroes. Mas passei o dia todo fora de casa. O engracado e que o fogo foi na Zona Leste de Londres. Ate aqui a Zona Leste e zicada...
Ocorre que hoje todas as minhas aulas foram fantasticas. A aula mais chata do curso era essa de segunda de manha. Totalmente sem motivo. Mas hoje, foram duas curadoras do V&A (Victoria & Albert Museum) e eles estao com uma exposicao gigantesca sobre moda. So sei que essas duas mulheres sao pesquisadoras de vestimentas o qeu nao tem nada a ver com moda.
Elas levaram casacos usados pelas operarias durante a segunda guerra (originais) e levaram outros dois modelos feitos pelo Marc Jacobs e pelo Carl Lagaerfeld, anos a frente. E foi fantastico ouvir toda aquela historia, ver aquelas fotos, entender a moda como fenomeno social e nao consumo pela loucura de se sentir um pouco mais humano.
Ver a evolucao dauqele casaco caqui horroroso ate ir parar nas maos do Marc Jacobs (que nao canso de falar que e um dos meus favoritos) e transformar 'aquilo' que as pessoas usavam como roupa numa epoca de uniformes em sonho. Exatamente isso. Marc Jacobs tambem cria sonhos. Cria a fantasia, bem distante da guerra, que a gente pode se sentir mais bonita com aquele casaco. E, de fato, a gente se sente.
A tarde, as aulas sao sempre otimas. Mas hoje foi exepcionalmente otima. Todo o glamour da moda foi colocado de lado e comecamos a falar de trabalho escravo em Bhruma e de toda a logica, os lucros, a parte bem distante da champagne, da Kate Moss e dos tres beijinhos na bochecha (e assim quwe escreve?). Sem falar que vou ter que costurar um vestido para segunda feira. Como disse uma sabia amiga ' vai largar o jornal para pregar botao em londres?'.....pois, mas com um sorriso de orelha a orelha.
A noite, o diretor do curso de fotografia foi dar a aula. E ele e um velhinho apaixonado por rock'n'roll. Imagina, um velhinho de cabeca branca falando completamente apaixonado do rock dos anos 40 a 60. Assistimos ao filme 'The Wild One' e ele foi explicando cada tomada, cada iluminacao, cada roupa....fantaaaaaastico!!!!
Confesso que ate agora me perguntava o que estava fazendo aqui. Que nao estava aprendendo nada.
Mas estou tao feliz. Tenho certeza que e isso que eu sempre quis. Sem falar que estudar em faculdade de artes e bom porque tem discussoes toda hora sobre o que e arte, uma pessoa da um peido e falam que e arte, dai vem outro grupo e discute...super piegas, mediocre o texto, de mal gosto, mas estou muito feliz.
Tenho certeza que encotrei o que quero fazer. O problema agora e que talvez eu nao queria mais voltar.
Sei que hoje foi so o primeiro dia depois de uma fase bem nebulosa. E pode ser que amanha tudo fique uma merda de novo.
blah
que lixo..acabei de ler esse texto..ta uma bosta. So vou deixar para ser informativo mesmo. Tipo alguem que queira estudar na London College of Fashion pode ler e ficar com mais vontade...
acho que a alegria bloqueia meu acido humor. Prometo que melhoro na proxima.
ps1. Uma boa noticia. Abri uma conta no banco.
ps2. E para todo mundo que me perguntou...obrigada pela consideracao sobre o fogo aqui em Londres. Para falar a verdade, moro do lado do lugar que pegou fogo (leia-se 'do lado' padroes Londres). A distancia e tipo da Vila Mariana ate a Ana Rosa, traduzindo para os nossos padroes. Mas passei o dia todo fora de casa. O engracado e que o fogo foi na Zona Leste de Londres. Ate aqui a Zona Leste e zicada...
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
mais uma deles....
7 horas da madrugada ja estava em pe. Madrugada pq esse horario ainda esta totalmente noite. Tinha que ir na faculdade (de um lado da cidade) buscar pela infina vez a potencia azul uma carta para levar no banco para ainda, tentar, abrir uma conta.
Fui para a faculdade, peguei a tal carta. Sai do predio estava caindo um temporal dos infernos e um frio de 5 graus. Entrei correndo no metro, fui no banco que era do outro lado da cidade. Passei em duas bibliotecas publicas na volta.
Quando consegui voltar para a faculdade ja passava da uma e meia. Estava vendo estrelinhas de fome. Conseguia sentir as pegadas do meu pobre estomago colado nas minhas costas. COmo sempre, abri a bolsa com a minha marmitinha e ja estava pronta para comer.
Quando fui tomada pela brilhante ideia: 'Por que eu nao peco para esquentar na cantina?' - Nem terminei o pensamento enquanto corria para a cantina..em meia hora minha aula comecava.
Gentilmente pedi para a mocinha que, tambem gentilmente e toda sorridente disse que nao teria problemas em esquentar a minha nada quentinha.
Rezei para que aqueles dois minutos passassem rapido para eu comer logo.
'Lady', um sujeito tipo bruta-montes com o dente podre tipico de ingles me chamou. QUando olho para tras ele tem esse olhar muito nervoso. E me pergunta: 'Essa comida e sua' e, eu, toda sorridente e orgulhosa da minha comida preparada na noite anterior confirmo com a cabeca que sou dona daquele lindo marmitex cor de rosa.
Em alto e bom som ele diz: ' E ILEGAL ESQUENTAR SUA COMIDA!"
Pensei. So pode ser pegadinha. Ate olhei para o teto procurando a camera.
Na real achei que nao tivesse entendi direito....illegal...talvez fosse parecido com alguma outra palavra que eu desconhecesse..sei la...
pedi para ele repetir que nao estava entendendo. E, ele, ainda em tom mais alto disse: " Nao posso esquentar sua comida porque e ilegal. Voce pode me processar'.
Cai na gargalhada.
'Como assim? Te processar?", perguntei dando risada. Ele, mais serio e puto da vida, respondeu: " E se essa comida esta envenenada voce pode culpar essa lanchonete e abrir um processo contra a gente. Voce nao sabia disso? Que absurdo!!!"
Como assim???? O cara tava invertendo a situacao!!! Agora eu que passava de louca!!!! Eu que era louca por pedir para esquentar a minha marmita.
O pessoal que trabalha na cantina ficou todo atras dele, so espiando a situacao.
Nao aguentei. 'Moco, prometo que nao te processo! Sao so dois minutos, vc nao precisa nem abrir. Eu assino algum papel se vc quiser, dando minha palavra que nao te processo'
Todo mundo comecou a rir. O cara ficou mais puto ainda. E eu comecei a rir tambem.
Nao teve jeito. Legumes na manteiga e frango ao molho de manga gelados.
Fui para a faculdade, peguei a tal carta. Sai do predio estava caindo um temporal dos infernos e um frio de 5 graus. Entrei correndo no metro, fui no banco que era do outro lado da cidade. Passei em duas bibliotecas publicas na volta.
Quando consegui voltar para a faculdade ja passava da uma e meia. Estava vendo estrelinhas de fome. Conseguia sentir as pegadas do meu pobre estomago colado nas minhas costas. COmo sempre, abri a bolsa com a minha marmitinha e ja estava pronta para comer.
Quando fui tomada pela brilhante ideia: 'Por que eu nao peco para esquentar na cantina?' - Nem terminei o pensamento enquanto corria para a cantina..em meia hora minha aula comecava.
Gentilmente pedi para a mocinha que, tambem gentilmente e toda sorridente disse que nao teria problemas em esquentar a minha nada quentinha.
Rezei para que aqueles dois minutos passassem rapido para eu comer logo.
'Lady', um sujeito tipo bruta-montes com o dente podre tipico de ingles me chamou. QUando olho para tras ele tem esse olhar muito nervoso. E me pergunta: 'Essa comida e sua' e, eu, toda sorridente e orgulhosa da minha comida preparada na noite anterior confirmo com a cabeca que sou dona daquele lindo marmitex cor de rosa.
Em alto e bom som ele diz: ' E ILEGAL ESQUENTAR SUA COMIDA!"
Pensei. So pode ser pegadinha. Ate olhei para o teto procurando a camera.
Na real achei que nao tivesse entendi direito....illegal...talvez fosse parecido com alguma outra palavra que eu desconhecesse..sei la...
pedi para ele repetir que nao estava entendendo. E, ele, ainda em tom mais alto disse: " Nao posso esquentar sua comida porque e ilegal. Voce pode me processar'.
Cai na gargalhada.
'Como assim? Te processar?", perguntei dando risada. Ele, mais serio e puto da vida, respondeu: " E se essa comida esta envenenada voce pode culpar essa lanchonete e abrir um processo contra a gente. Voce nao sabia disso? Que absurdo!!!"
Como assim???? O cara tava invertendo a situacao!!! Agora eu que passava de louca!!!! Eu que era louca por pedir para esquentar a minha marmita.
O pessoal que trabalha na cantina ficou todo atras dele, so espiando a situacao.
Nao aguentei. 'Moco, prometo que nao te processo! Sao so dois minutos, vc nao precisa nem abrir. Eu assino algum papel se vc quiser, dando minha palavra que nao te processo'
Todo mundo comecou a rir. O cara ficou mais puto ainda. E eu comecei a rir tambem.
Nao teve jeito. Legumes na manteiga e frango ao molho de manga gelados.
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ainda consigo me impressionar...
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
muitas coisas de uma vez so
Nossa, faz tanto tempo que nao escrevo que nao sei nem por onde comecar...nao que varias coisas tenham acontecido..pelo menos nao na vida real. Nao no tempo do relogio. Por que essa historia de tempo e muito engracada..No tempo da minha cabeca, por exemplo, ja faz um ano que estou em Londres. Mas no tempo 'real' faz so dois meses.
Comecei a pensar sobre isso, entao talvez o tempo que conte e muito mais aquele que desejamos que seja. Por exemplo, eu nao queria que fizesse so dois meses que estou aqui. Queria que fizesse mais tempo. Porque eu acho que se estivesse aqui ha mais tempo estaria mais adapatada, ja teria passado por toda a pentelha etapa entrega-de-trabalhos-e-pesquisas-do-fim-do-ano.
Ja teria me acostumado a nao ser cumprimentada pelas pessoas que moram no mesmo hall que eu e que me veem todos os dias;
Ja teria me acostumado abrir a porta para homens;
Ja teria me acostumado a comer sanduiche em forma de triangulo, gelado com recheio de ovo com maionese;
Ja teria me acostumado ao frio de 4 graus no outono;
Ja teria me acostumado a ainda nao ter conseguido abrir uma conta no banco;
Ja teria me acostumado a nao ter me acostumado com quase nada;
No tempo da minha cabeca eu ja viajei por toda a Europa. De alguma forma, molhei o cabelo daquela loira que parece um traveco da minha sala e o cabelo dela ficou todo espichado, ja falei para minha chefe que sou capaz de muito mais do que abrir sua correspondencia. Ja namorei e terminei (pelos mais diferentes motivos) com 5 caras, ja deitei em um campo de tulipas da holanda, viajei pelos castelos da escocia e encontrei a Rita em Paris.
No tempo real, as pessoas ainda discutem banalidades da moda como o tamanho zero e anorexia. Discutem tendencias que sao medidas por estacoes do ano. No tempo da minha cabeca, ja fiz uma revolucao de informacao e nunca mais vi nenhuma menina no metro com o tragico conjunto sandalia, calca baixa com cintinho fino e blusinha. No tempo da minha cabeca eu ja entendi porque ainda tenho esperanca.
***
Outro dia, uma pessoa muito querida, veio me contar, estonteantemente que havia passado o ultimo feriado em um templo budista. E o que mais me chamou a atencao foi como o que chamou a atencao dessa pessoa foi o 'rigor e disciplina do templo'.
'Passamos o feriado todo sem conversar. Nossas tarefas eram domesticas, meditacao e caminhada. Tudo isso para nos encontrarmos com nos mesmos', tentou me explicar.
Acho que no mesmo dia, recebi um e-mail de uma amiga. Era um texto de uma mulher falando como ela gostaria de voltar aos 'velhos tempos'. Como ela nao queria mais a revolucao sexual, que ela queria mesmo era ficar em casa e nao ter jornada multipla entre ser mae-esposa-chefe-profissional-filha..enfim..queria mais romantismo, homem pagando a conta, abrindo a porta do carro..enfim...todas essas coisas qeu nao entendo porque algumas mulheres acham que seja sinal de amor.
FIquei pensado sobre essa historia de velhos costumes. Sera que o que a gente esta precisando e de um pouco mais de rigor nas nossas vidas? Sera que a liberdade de pensamento e de discurso de ideias deixou tudo mais facil??? Quero dizer, antes tinhamos pelo que lutar: seja para falar uma ideia, para pagar as contas sem depender do marido, fazer faculdade ou trabalhar fora. Mas, me parece, que essa independencia e liberdade de pensamento nao tem sido tao apreciada. Sera entao que no fundo, no fundo da alma o que queremos mesmo e ter alguem mandando com o objetivo de 'encontrarmos o nosso eu'?
Acho que o dia-a-dia tem nos deixado meio intediados e por achamos que o passado era melhor. Acho que nao e uma questao so minha, mas muita gente que esta saudosista do passado. Um passado em que fomos mais feliz do que o presente e, por isso, acabamos criando sentimentos e relacoes que nao existem. So existem no tempo da nossa cabeca, com dialogos imaginarios e situacoes pra la de fantasiosas que pelo menos no meu caso, a cada dia que passa tenho me libertado e tentado achar graca nos desafios presentes.
Comecei a pensar sobre isso, entao talvez o tempo que conte e muito mais aquele que desejamos que seja. Por exemplo, eu nao queria que fizesse so dois meses que estou aqui. Queria que fizesse mais tempo. Porque eu acho que se estivesse aqui ha mais tempo estaria mais adapatada, ja teria passado por toda a pentelha etapa entrega-de-trabalhos-e-pesquisas-do-fim-do-ano.
Ja teria me acostumado a nao ser cumprimentada pelas pessoas que moram no mesmo hall que eu e que me veem todos os dias;
Ja teria me acostumado abrir a porta para homens;
Ja teria me acostumado a comer sanduiche em forma de triangulo, gelado com recheio de ovo com maionese;
Ja teria me acostumado ao frio de 4 graus no outono;
Ja teria me acostumado a ainda nao ter conseguido abrir uma conta no banco;
Ja teria me acostumado a nao ter me acostumado com quase nada;
No tempo da minha cabeca eu ja viajei por toda a Europa. De alguma forma, molhei o cabelo daquela loira que parece um traveco da minha sala e o cabelo dela ficou todo espichado, ja falei para minha chefe que sou capaz de muito mais do que abrir sua correspondencia. Ja namorei e terminei (pelos mais diferentes motivos) com 5 caras, ja deitei em um campo de tulipas da holanda, viajei pelos castelos da escocia e encontrei a Rita em Paris.
No tempo real, as pessoas ainda discutem banalidades da moda como o tamanho zero e anorexia. Discutem tendencias que sao medidas por estacoes do ano. No tempo da minha cabeca, ja fiz uma revolucao de informacao e nunca mais vi nenhuma menina no metro com o tragico conjunto sandalia, calca baixa com cintinho fino e blusinha. No tempo da minha cabeca eu ja entendi porque ainda tenho esperanca.
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Outro dia, uma pessoa muito querida, veio me contar, estonteantemente que havia passado o ultimo feriado em um templo budista. E o que mais me chamou a atencao foi como o que chamou a atencao dessa pessoa foi o 'rigor e disciplina do templo'.
'Passamos o feriado todo sem conversar. Nossas tarefas eram domesticas, meditacao e caminhada. Tudo isso para nos encontrarmos com nos mesmos', tentou me explicar.
Acho que no mesmo dia, recebi um e-mail de uma amiga. Era um texto de uma mulher falando como ela gostaria de voltar aos 'velhos tempos'. Como ela nao queria mais a revolucao sexual, que ela queria mesmo era ficar em casa e nao ter jornada multipla entre ser mae-esposa-chefe-profissional-filha..enfim..queria mais romantismo, homem pagando a conta, abrindo a porta do carro..enfim...todas essas coisas qeu nao entendo porque algumas mulheres acham que seja sinal de amor.
FIquei pensado sobre essa historia de velhos costumes. Sera que o que a gente esta precisando e de um pouco mais de rigor nas nossas vidas? Sera que a liberdade de pensamento e de discurso de ideias deixou tudo mais facil??? Quero dizer, antes tinhamos pelo que lutar: seja para falar uma ideia, para pagar as contas sem depender do marido, fazer faculdade ou trabalhar fora. Mas, me parece, que essa independencia e liberdade de pensamento nao tem sido tao apreciada. Sera entao que no fundo, no fundo da alma o que queremos mesmo e ter alguem mandando com o objetivo de 'encontrarmos o nosso eu'?
Acho que o dia-a-dia tem nos deixado meio intediados e por achamos que o passado era melhor. Acho que nao e uma questao so minha, mas muita gente que esta saudosista do passado. Um passado em que fomos mais feliz do que o presente e, por isso, acabamos criando sentimentos e relacoes que nao existem. So existem no tempo da nossa cabeca, com dialogos imaginarios e situacoes pra la de fantasiosas que pelo menos no meu caso, a cada dia que passa tenho me libertado e tentado achar graca nos desafios presentes.
domingo, 7 de outubro de 2007
Instrucoes de como nao se apaixonar - nivel iniciante
1 - Cuidadosamente junte os seus relacionamentos fracassados. Um mal-resolvido, outro mal feito, outro feito demais, outro traido;
2- Em seguida, retire a tampa do seu coracao, jogue e mistura, aos poucos, com intervalos de aproximadamente de dois anos, dentro do pobre orgao. Deixe-o sentir-se repleto dessa mistura. Lembre-se a ideia e que o coracao retenha sempre o sentimento, entao se quiser, pode adicionar pitadas de solidao, falta de telefonemas e, ainda, mensagens do msn.
3 - Depois que toda a mistura foi levemente destribuida pelo coracao, deixe descansar. Para pegar gosto.
4- A etapa do descanso e muito importante porque e ai que o coracao sente medo. Para ficar cada vez mais incapaz de se apaixonar.
5 - Passados alguns anos, com um garfo, veja se a mistura esta homogena. Enfie o garfo lentamente no coracao...se ele sair sujo e porque ainda existem resquicios de esperanca de se apaixonar. Se ele sair limpinho, esse e o ponto procurado pela receita. Caso o garfo ainda esteja sujo, um ingrediente especial: historias de traicao. Elas sao sempre bem vindas para chegar ao ponto. Amiga que fica com ex-namorado, namorado que trai namorada com amiga, namorada que comeca a namorar outro cara e nao 'avisa' o namorado inicial, poligamia (so de um dos lados).....esse ingrediente, embora especial, e muito facil de ser encontrado. Quase em qualquer amizade ou relacionamento existe uma historia desastrosa. Vale uma notinha explicativa: como a ideia e fazer o coracao nao se apaixonar mais, entao, quanto mais ingredientes coersivos e que deixem o pobrezinho com medo desse sentimento, sua receita sera mais eficaz.
6 - Unte uma forma e ligue o forno da vida
7 - Pegue um saquinho de desconfianca, em po, para absorcao ser mais rapida e jogue na mistura como ingrediente final.
8 - Para misturar desconfianca no coracao e preciso forca. Aperte e sove a mistura com bastante forca ate que todo o po tenha desaparecido. Talvez leve um tempo, mas quanto mais bem misturado melhor e o gosto. Se nao tiver misturado, a inseguranca pode ficar concentrada em uma so regiao do coracao e o ideal e que ela fique homogena.
9 - Com a mistura pronta, pegue montinhos de aproximadamente 4 centimetro e faca bolinhas. Se quiser deixar mais real, pode ser no formato de coracao;
10 - Coloque na forma e ponha no forno. O tempo ideial e aproximadamente 10 anos. Quanto mais frio, mais falta faz;
11- Pronto. Pode retirar os cookies e servir para os convidados. Garantia de falta de paixao !!
Dica: E bom oferecer cookies a cada dois anos ou tres anos. Essa e a durabilidade dos efeitos da mistura.
2- Em seguida, retire a tampa do seu coracao, jogue e mistura, aos poucos, com intervalos de aproximadamente de dois anos, dentro do pobre orgao. Deixe-o sentir-se repleto dessa mistura. Lembre-se a ideia e que o coracao retenha sempre o sentimento, entao se quiser, pode adicionar pitadas de solidao, falta de telefonemas e, ainda, mensagens do msn.
3 - Depois que toda a mistura foi levemente destribuida pelo coracao, deixe descansar. Para pegar gosto.
4- A etapa do descanso e muito importante porque e ai que o coracao sente medo. Para ficar cada vez mais incapaz de se apaixonar.
5 - Passados alguns anos, com um garfo, veja se a mistura esta homogena. Enfie o garfo lentamente no coracao...se ele sair sujo e porque ainda existem resquicios de esperanca de se apaixonar. Se ele sair limpinho, esse e o ponto procurado pela receita. Caso o garfo ainda esteja sujo, um ingrediente especial: historias de traicao. Elas sao sempre bem vindas para chegar ao ponto. Amiga que fica com ex-namorado, namorado que trai namorada com amiga, namorada que comeca a namorar outro cara e nao 'avisa' o namorado inicial, poligamia (so de um dos lados).....esse ingrediente, embora especial, e muito facil de ser encontrado. Quase em qualquer amizade ou relacionamento existe uma historia desastrosa. Vale uma notinha explicativa: como a ideia e fazer o coracao nao se apaixonar mais, entao, quanto mais ingredientes coersivos e que deixem o pobrezinho com medo desse sentimento, sua receita sera mais eficaz.
6 - Unte uma forma e ligue o forno da vida
7 - Pegue um saquinho de desconfianca, em po, para absorcao ser mais rapida e jogue na mistura como ingrediente final.
8 - Para misturar desconfianca no coracao e preciso forca. Aperte e sove a mistura com bastante forca ate que todo o po tenha desaparecido. Talvez leve um tempo, mas quanto mais bem misturado melhor e o gosto. Se nao tiver misturado, a inseguranca pode ficar concentrada em uma so regiao do coracao e o ideal e que ela fique homogena.
9 - Com a mistura pronta, pegue montinhos de aproximadamente 4 centimetro e faca bolinhas. Se quiser deixar mais real, pode ser no formato de coracao;
10 - Coloque na forma e ponha no forno. O tempo ideial e aproximadamente 10 anos. Quanto mais frio, mais falta faz;
11- Pronto. Pode retirar os cookies e servir para os convidados. Garantia de falta de paixao !!
Dica: E bom oferecer cookies a cada dois anos ou tres anos. Essa e a durabilidade dos efeitos da mistura.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Mac x o resto...
Desde que cheguei aqui tenho vivido um problema diario: meu computador. Nao tem jeito. Cada semana e um problema novo. Primeiro e o harware. Depois e a placa mae. So sei que nos ultimos 20 dias nao usei o meu laptop. Em compensacao fiz varios amigos indianos na lanhouse. Mentira. Nao fiz amigo nenhum ate porque eles nao falam muito com mulher...se falam, e para dar em cima. Entao, e melhor que o dialogo seja estritatemente: `Eu: I would like to use the internet, please. /Indiano: You can go to computer number 8 (sempre me coloca no computador 8/Eu: Cheers man.`
Nao tem jeito. Vou ter que comprar um computador novo. Ai mora outro problema. Sempre quis ter um mac mas ele e caro e tal. Mas e um mac. E tem as outras varias marcas...toshiba, aplicant, vaio....que sao mais baratas. Mas nao e um Mac. Mac e Mac. Quem usa, nao troca por nada. Mac e mais do que computador. E estilo de vida. E luxo mesmo. Voce compra um estilo. Pode achar que e conversa de moderno mas nao e. Nas lojas da Apple tem FILA para brincar com o novo IPhone...que so vai ser lancado daqui quase 2 meses. E isso nao e a toa.
Dai eu comecei a pensar na vida...sera que temos as coisas que sao `Mac` e `os outros`. Sera que tem aquele cara que e um Mac e voce nao consegue esquece-lo por nada nessa vida e todos aqueles outros que sao `o resto`? E quanto aos amigos? Sera que poderiamos dizer....`ah, fulano 'e um Mac para mim!`
Ou sera que as coisas dependem de como a gente ve? Sera que a gente que escolhe quem e Mac e quem e o resto? ou sera que isso ja e pre-definido? Ou, ainda, (so para aumentar um pouquinho a confusao) tem aquelas pessoas que eram Macs mas, que de repente, por ciume, tpm, crise de identidade, gases..sei la..resolve virar um `outro`.
Mas tem outra coisa que tambem e importante levar em conta. Sera que preciso mesmo de um Mac? porque eu nao sou uma pessoa qeu suuuuuuuuuuuuper entende de computador, que suuuuuuuuuuuuuuuper mexe com varios programas ao mesmo tempo e que ate precisa de dois monitores..nao..para mim, o importante e ter um bom editor de textos, rapido acesso a internet, fotos, videos e basicamente e isso...Entao sera mesmo que eu preciso gastar uma fortuna comprando um Mac? Sera que para mim, vai ser util?
E novamente penso na vida. Tem certos luxos que nao sei porque a gente mantem. Sair para comer BEM pelo menos uma vez por mes, vicio por sapatos e livros, nao conseguir passar pela Acessorize e nao comprar nada..manter relacionamentos, que nem-deus-sabe-porque, mantemos. Todo mundo tem um amigo que sempre da mancada. Que so aparece quando ele quer. E se voce nao tem..das duas uma, ou ja cortou o relacionamento ou , sem duvida, esse `amigo` esta por vir. Sera que nao tem certas coisas que a gente as encara como se elas fossem Mac mas elas sao `o resto`?
Ou sera que realmente precisamos daquele Mac? Sei que tem alguns luxos que sao importantes para a gente se sentir um pouco mais vivo, sentir que ainda `da conta`..ainda mais em situacoes extremas, mudancas e tal...Bom, mas sera que certos outros luxos, apesar de serem deliciosos nao nos deixam mais ligados a situacoes passadas e, que, como o proprio nome disse `sao passadas`?
Nao e facil cortar raizes. Nao e facil. Virar o rosto e falar `nao me importo`. Ou ainda, gostaria de nao me importar. E como se cada vez que reavaliamos relacionamentos arrancassemos juntos pedacos nosso que ainda nao sabemos se sao Macs ou `o resto`.
Eu ainda nao descobri. A cada dia que passa vejo que muitos Macs so sao o que sao por causa da importancia que eu dou para eles. E que nao tem passado de `resto` ha muito tempo. So depende da forma como eu olho. E, principalmente, da forma como eu quero retirar sua importancia dentro de mim.
Na vida acho que ja fiz minha escolha. So nao escolhi o computador ainda.
Nao tem jeito. Vou ter que comprar um computador novo. Ai mora outro problema. Sempre quis ter um mac mas ele e caro e tal. Mas e um mac. E tem as outras varias marcas...toshiba, aplicant, vaio....que sao mais baratas. Mas nao e um Mac. Mac e Mac. Quem usa, nao troca por nada. Mac e mais do que computador. E estilo de vida. E luxo mesmo. Voce compra um estilo. Pode achar que e conversa de moderno mas nao e. Nas lojas da Apple tem FILA para brincar com o novo IPhone...que so vai ser lancado daqui quase 2 meses. E isso nao e a toa.
Dai eu comecei a pensar na vida...sera que temos as coisas que sao `Mac` e `os outros`. Sera que tem aquele cara que e um Mac e voce nao consegue esquece-lo por nada nessa vida e todos aqueles outros que sao `o resto`? E quanto aos amigos? Sera que poderiamos dizer....`ah, fulano 'e um Mac para mim!`
Ou sera que as coisas dependem de como a gente ve? Sera que a gente que escolhe quem e Mac e quem e o resto? ou sera que isso ja e pre-definido? Ou, ainda, (so para aumentar um pouquinho a confusao) tem aquelas pessoas que eram Macs mas, que de repente, por ciume, tpm, crise de identidade, gases..sei la..resolve virar um `outro`.
Mas tem outra coisa que tambem e importante levar em conta. Sera que preciso mesmo de um Mac? porque eu nao sou uma pessoa qeu suuuuuuuuuuuuper entende de computador, que suuuuuuuuuuuuuuuper mexe com varios programas ao mesmo tempo e que ate precisa de dois monitores..nao..para mim, o importante e ter um bom editor de textos, rapido acesso a internet, fotos, videos e basicamente e isso...Entao sera mesmo que eu preciso gastar uma fortuna comprando um Mac? Sera que para mim, vai ser util?
E novamente penso na vida. Tem certos luxos que nao sei porque a gente mantem. Sair para comer BEM pelo menos uma vez por mes, vicio por sapatos e livros, nao conseguir passar pela Acessorize e nao comprar nada..manter relacionamentos, que nem-deus-sabe-porque, mantemos. Todo mundo tem um amigo que sempre da mancada. Que so aparece quando ele quer. E se voce nao tem..das duas uma, ou ja cortou o relacionamento ou , sem duvida, esse `amigo` esta por vir. Sera que nao tem certas coisas que a gente as encara como se elas fossem Mac mas elas sao `o resto`?
Ou sera que realmente precisamos daquele Mac? Sei que tem alguns luxos que sao importantes para a gente se sentir um pouco mais vivo, sentir que ainda `da conta`..ainda mais em situacoes extremas, mudancas e tal...Bom, mas sera que certos outros luxos, apesar de serem deliciosos nao nos deixam mais ligados a situacoes passadas e, que, como o proprio nome disse `sao passadas`?
Nao e facil cortar raizes. Nao e facil. Virar o rosto e falar `nao me importo`. Ou ainda, gostaria de nao me importar. E como se cada vez que reavaliamos relacionamentos arrancassemos juntos pedacos nosso que ainda nao sabemos se sao Macs ou `o resto`.
Eu ainda nao descobri. A cada dia que passa vejo que muitos Macs so sao o que sao por causa da importancia que eu dou para eles. E que nao tem passado de `resto` ha muito tempo. So depende da forma como eu olho. E, principalmente, da forma como eu quero retirar sua importancia dentro de mim.
Na vida acho que ja fiz minha escolha. So nao escolhi o computador ainda.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Uma historia
De longe ela viu que ele ja estava comendo com outros dois colegas de trabalho. Entristeceu-se tinha certeza que depois do fim de semana, ele nao iria mais esconder nada. Nao se abateu. Levantou a cabeca, supirou novamente e reencaixou seu pe de uma forma um pouco mais confortavel naquele salto 8 centimetros, encolheu a barriga e foi ate a mesa deles. A vulgaridade com que falava exalava pelo ar. Mas nao se importava. So queria um pouco de atencao. Como ninguem cedeu um lugar para ela, muito menos a convidou para sentar, resolveu sentar na mesa ao lado. Nao se dando por vencida ficou naquele patetico dialogo entre-mesas.
Deve ter sido o sol. Mas ela percebeu que a situacao era constrangedora..uma mesa, com tres rapazes e uma cadeira sobrando. Na mesa ao lado, ela, sozinha, e tentando manter uma prosaica conversa enquanto eles insistiam no rugby. Olhou por aquela imensa janela do setimo andar. Viu o Tamisa. Aquele sol enganador que, para quem esta de fora, acha que nao precisa de leva blusa. Imaginou que os raios do sol, so tinham a cor do verao, mas, na verdade, eles eram gelados. Ela tinha que sair dali. Aquele andar era muito pequeno para ela. Aquela empresa era muito pequena para ela. Aquele `relacionamento` era muito pequeno para ela.
Foi almocar, dessa vez no que ela considerava sozinha, do outro lado do restaurante. Tentou esquecer que ele mal a havia cumprimentado. Tentou suprir aquela a fome de carinho com um chocolate. Tinha do de sim mesma. Seu pe estava inchado. Nao suportava aquele sapato mas ele tinha dito que `ficava muito bem de vermelho`. O queria dizer com ` ficava muito bem`? `Bonita`? `Gostosa`? Bem. `Que adjetivo mais imbecil!` `Deveria ser proibido usar nesse sentido!` Sentiu uma raiva de si mesma.
Lembrou-se das desculpas que inventou para suas amigas para nao sair no sabado a noite. Foi sentindo-se pequena. Era como se cada vez que ela dizesse sim, sentia-se um pouco mais humilhada. Era uma humilhacao que chegava a doer na pele. Tipo quando a gente bate o braco em algum lugar. Nao tinha jeito. Sempre sentia-se humilhada em relacionamentos. Queria dizer `nao`. Queria nada. Queria dizer sim. So nao queria quer fosse tao doloroso.
Nao queria ser observada. Queria poder ficar sentada na sua salinha o dia todo. Queria nao ver ninguem. Mas sentia fome. Muita fome. `Devo estar ansiosa`, pensou. A impressao que tinha era que todo mundo a observava, logo quando ela mais queria estar invisivel.
Nem chorar adiantava mais. Nao que algum dia tivesse adiantado. Mas, parece, que teve um tempo que o choro renovava alguma coisa por dentro. Dava um ar de esperanca, no fim de tudo. Mas, naquele almoco, sentiu que a ferida estava muito profunda para o choro consolar.
Mais uma vez prometeu-se que nao iria ceder. Naquele segundo, toda sua angustia juntou-se em um unico sentimento. Nao queria mais se sentir tao humilhada. Nao queria mais chorar sozinha depois que ele fosse embora. Nao queria mais chorar depois de saber as novidades da vida dele em que nao estava incluida.
Nao queria mais ser forte. Queria ser fraca. Queria ser carregada. Queria colo. So nao queria ter que pedir por isso.
Deve ter sido o sol. Mas ela percebeu que a situacao era constrangedora..uma mesa, com tres rapazes e uma cadeira sobrando. Na mesa ao lado, ela, sozinha, e tentando manter uma prosaica conversa enquanto eles insistiam no rugby. Olhou por aquela imensa janela do setimo andar. Viu o Tamisa. Aquele sol enganador que, para quem esta de fora, acha que nao precisa de leva blusa. Imaginou que os raios do sol, so tinham a cor do verao, mas, na verdade, eles eram gelados. Ela tinha que sair dali. Aquele andar era muito pequeno para ela. Aquela empresa era muito pequena para ela. Aquele `relacionamento` era muito pequeno para ela.
Foi almocar, dessa vez no que ela considerava sozinha, do outro lado do restaurante. Tentou esquecer que ele mal a havia cumprimentado. Tentou suprir aquela a fome de carinho com um chocolate. Tinha do de sim mesma. Seu pe estava inchado. Nao suportava aquele sapato mas ele tinha dito que `ficava muito bem de vermelho`. O queria dizer com ` ficava muito bem`? `Bonita`? `Gostosa`? Bem. `Que adjetivo mais imbecil!` `Deveria ser proibido usar nesse sentido!` Sentiu uma raiva de si mesma.
Lembrou-se das desculpas que inventou para suas amigas para nao sair no sabado a noite. Foi sentindo-se pequena. Era como se cada vez que ela dizesse sim, sentia-se um pouco mais humilhada. Era uma humilhacao que chegava a doer na pele. Tipo quando a gente bate o braco em algum lugar. Nao tinha jeito. Sempre sentia-se humilhada em relacionamentos. Queria dizer `nao`. Queria nada. Queria dizer sim. So nao queria quer fosse tao doloroso.
Nao queria ser observada. Queria poder ficar sentada na sua salinha o dia todo. Queria nao ver ninguem. Mas sentia fome. Muita fome. `Devo estar ansiosa`, pensou. A impressao que tinha era que todo mundo a observava, logo quando ela mais queria estar invisivel.
Nem chorar adiantava mais. Nao que algum dia tivesse adiantado. Mas, parece, que teve um tempo que o choro renovava alguma coisa por dentro. Dava um ar de esperanca, no fim de tudo. Mas, naquele almoco, sentiu que a ferida estava muito profunda para o choro consolar.
Mais uma vez prometeu-se que nao iria ceder. Naquele segundo, toda sua angustia juntou-se em um unico sentimento. Nao queria mais se sentir tao humilhada. Nao queria mais chorar sozinha depois que ele fosse embora. Nao queria mais chorar depois de saber as novidades da vida dele em que nao estava incluida.
Nao queria mais ser forte. Queria ser fraca. Queria ser carregada. Queria colo. So nao queria ter que pedir por isso.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Ainda bem que já passou
Nossa que ansiedade! Não sei porque, como, quando começou..mas não estou me aguentando..não sei nem se vou conseguir terminar esse post porque estou tão ansiosa e tão sem paciência que meus dedos estão mais rápidos do que a tecla do computador....minha perna não pára de balançar, os pensamentos não param de vir na minha cabeça...não consego terminar um pensamento e começar outro é como se eles viessem, sem começo nem fim..só em pedaços...estralo os dedos...como eu queria estar comendo chocolate para ver se aliviava..mas promessa é promessa...sempre que fico nesse estado procuro, numa falsa calma tentar compreender o motivo que faz parecer que meu estômago está fervendo, às palavras faltam à minha mente, me arrependo absuuuurdo de coisas que eu disse...e, o pior de coisas que eu deveria ter dito...sempre que escrevo e começo a errar muito é mais um dos sinais da minha ansidade.
Penso no show do rakim, numa festa que vai ter a maior batalha de b-boys e mcs aqui em Londres amanhã, penso no trabalho de ontem, que não trabalhei hoje, na galeria de arte, naquele monte de estrangeiros impressionados com o Phaternom em Londres (pois é, um museu só com coisas que os ingleses roubaram do mundo todo...bem vindo ao British Museum...tem um livro de mil seissentos e pouco com o título "Brazil and the Brazilians", mataria um guardinha para ter acesso àquele conteúdo).
Penso em todos os frilas que sugeri e até agora não tive resposta...será que vai ser sempre assim..será que na minha vida eu vou estar sempre na hora errada???? Parece que sou tão ansiosa, mas tão ansiosa para que as coisas acontecem que elas acontecem e eu simplesmente não percebo...parece que elas perdem o valor para mim..eu fico esperando sempre alguma outra coisa acontecer...minha alma não está satisfeita nunca e isso está me deixando louca..
tenho tantas idéias, de tantas coisas inviáveis que na minha mente elas são completamente possíveis...uma coisa que me irrita aqui em Londres, é que as mulheres deixam a unha do pé ficar grande...igual a unha da mão!!! É para combinar!!! Vê se pode uma coisa dessas!!!!
O pior é que eu nem quero ler o que escrevi porque sei que vai estar um lixo..pq não tá fazendo muito sentido..está meio no ritmo dos meus pensamentos..e pensamento não tem estilo...eles só vem e vão...eu queria que a vida aqui começasse a acontecer de verdade...daí eu fico querendo, querendo, querendo..e não vivo!!! Caralho, dá para eu ser mais normal???? Sei que vou me arrepender de um monte de coisas que estão escritas aqui, porque estou sendo muito sincera, estou me deixando ser lida com letra maiúscula e onde fica a sedução da coisa??? Tô deixando tudo muito fácil....(preciso confessar..odeio a palavra 'fácil'...pq quando vc fala, parece que ela termina com 'o'..tipo 'fácio'...e eu sempre escrevo, de primeira, errado..mas ainda bem que me resta um bom senso e logo faço a correção).
Desculpa, mas eu adoro fofocar. Fiquei pensando em umas fofocas que andaram me contando...mas sabe o que eu mais gosto em fofoca? É que geralmente a informação que chega aos seus ouvidos não são verdade..então vc pode inventar o que quiser daqui para frente que também não precisa ser verdade...não é fantástica essa lógica??? adoro dar mais emoção para as histórias....
eu bem que falaria algumas das fofocas que me contaram, e o melhor, o que imaginei depois..ahahahah..mas as pessoas que me contaram as fofocas definitivamente cortariam as relações...e se eu mudar os nomes??? acho que se eu mudar os nomes dos personagens não tem problema..ah, posso mudar um pouco a história também...aí não vai ser uma fofoca 'de verdade' porque eu vou ter inventado algumas coisinhas novas...
então, eu tenho um amigo que vive reclamando que só pega bagulho e que ninguém nunca queria nada sério com ele...toda vez que a gente conversa ele reclama a mesma coisa...daí ele começou a ficar com uma menina. De família, faz compra na C&A, compra pipoca na fila do Cinemark da pré-estréia do homem aranha, trabalha em telemarketing ("Passivo!". Ela deixou isso bem claro uma vez, em uma festa..afinal, ela não teria saco para ligar para as pessoas vendendo os produtos, são as pessoas que ligam para ela reclamando dos produtos)...uma beleza..só vendo!!! Sabe o que ele veio reclamar comigo agora??? que ela é muito grudenta!!! Vê se pode uma coisa dessas!!! Na boa, fica em casa com pena de si mesmo então!!!!
Sabe que comecei a me acalmar? consegui até dar um espaço entre um parágrafo e outro...mas de repente começo a pensar nas minhas amiguinhas koreanas e chinesas (pq para quem não sabe, eu mudei o nome da minha faculdade de London College of Fashion para Asian College of Fahion...acho que a mudança no nome é auto-explicativa).
Imagina elas, que cresceram no meio daquela plantação de arroz. Chovendo todo dia. Nossa até pensei numa coisa..na Ásia, as temporadas de moda não deviam ser primavera-verão e outono-inverno...deveriam ser temporada com chuva e temporada sem chuva.
Não é para ser piada.
Enfim, voltando à história das plantadoras de arroz. Uma delas, venceu bravamente toda a sua timidez e introspecção e pela primeira vez em quase 6 semanas sendo minha vizinha bateu na minha porta. Claro que eu pensei que a china tinha tido um ataque. Mas quem teve um ataque foi o computador dela.
Fui lá, arrumei o problema...(obviamente que não era nada complexo, porque meus conhecimentos informáticos estão bem distantes da palavra complexo). Menina, mas num é que a china ficou tão feliz...ela queria me abraçar para me agradecer e falava que estava tentando haviam 3 dias se registrar no provedor mas que não conseguia...mais uma vez ela tentou me abraçar...eu sentia que ela queria pular, gritar espernear mandar a porra do keysurf (nosso provedor) tomar no cu, pq aquela merda não funcionava...ela queria ser mais violenta, queria demonstrar paixão, queria muito ficar ansiosa com aqueles problemas da internet, queria ligar e reclamar, xingar a telemarketing (telemarketing PASSIVA, claro) mas a sua cultura e sua criação pesou mais. Ela segurou na minha mão, abaixou a cabeça e só falou obrigada.
Penso no show do rakim, numa festa que vai ter a maior batalha de b-boys e mcs aqui em Londres amanhã, penso no trabalho de ontem, que não trabalhei hoje, na galeria de arte, naquele monte de estrangeiros impressionados com o Phaternom em Londres (pois é, um museu só com coisas que os ingleses roubaram do mundo todo...bem vindo ao British Museum...tem um livro de mil seissentos e pouco com o título "Brazil and the Brazilians", mataria um guardinha para ter acesso àquele conteúdo).
Penso em todos os frilas que sugeri e até agora não tive resposta...será que vai ser sempre assim..será que na minha vida eu vou estar sempre na hora errada???? Parece que sou tão ansiosa, mas tão ansiosa para que as coisas acontecem que elas acontecem e eu simplesmente não percebo...parece que elas perdem o valor para mim..eu fico esperando sempre alguma outra coisa acontecer...minha alma não está satisfeita nunca e isso está me deixando louca..
tenho tantas idéias, de tantas coisas inviáveis que na minha mente elas são completamente possíveis...uma coisa que me irrita aqui em Londres, é que as mulheres deixam a unha do pé ficar grande...igual a unha da mão!!! É para combinar!!! Vê se pode uma coisa dessas!!!!
O pior é que eu nem quero ler o que escrevi porque sei que vai estar um lixo..pq não tá fazendo muito sentido..está meio no ritmo dos meus pensamentos..e pensamento não tem estilo...eles só vem e vão...eu queria que a vida aqui começasse a acontecer de verdade...daí eu fico querendo, querendo, querendo..e não vivo!!! Caralho, dá para eu ser mais normal???? Sei que vou me arrepender de um monte de coisas que estão escritas aqui, porque estou sendo muito sincera, estou me deixando ser lida com letra maiúscula e onde fica a sedução da coisa??? Tô deixando tudo muito fácil....(preciso confessar..odeio a palavra 'fácil'...pq quando vc fala, parece que ela termina com 'o'..tipo 'fácio'...e eu sempre escrevo, de primeira, errado..mas ainda bem que me resta um bom senso e logo faço a correção).
Desculpa, mas eu adoro fofocar. Fiquei pensando em umas fofocas que andaram me contando...mas sabe o que eu mais gosto em fofoca? É que geralmente a informação que chega aos seus ouvidos não são verdade..então vc pode inventar o que quiser daqui para frente que também não precisa ser verdade...não é fantástica essa lógica??? adoro dar mais emoção para as histórias....
eu bem que falaria algumas das fofocas que me contaram, e o melhor, o que imaginei depois..ahahahah..mas as pessoas que me contaram as fofocas definitivamente cortariam as relações...e se eu mudar os nomes??? acho que se eu mudar os nomes dos personagens não tem problema..ah, posso mudar um pouco a história também...aí não vai ser uma fofoca 'de verdade' porque eu vou ter inventado algumas coisinhas novas...
então, eu tenho um amigo que vive reclamando que só pega bagulho e que ninguém nunca queria nada sério com ele...toda vez que a gente conversa ele reclama a mesma coisa...daí ele começou a ficar com uma menina. De família, faz compra na C&A, compra pipoca na fila do Cinemark da pré-estréia do homem aranha, trabalha em telemarketing ("Passivo!". Ela deixou isso bem claro uma vez, em uma festa..afinal, ela não teria saco para ligar para as pessoas vendendo os produtos, são as pessoas que ligam para ela reclamando dos produtos)...uma beleza..só vendo!!! Sabe o que ele veio reclamar comigo agora??? que ela é muito grudenta!!! Vê se pode uma coisa dessas!!! Na boa, fica em casa com pena de si mesmo então!!!!
Sabe que comecei a me acalmar? consegui até dar um espaço entre um parágrafo e outro...mas de repente começo a pensar nas minhas amiguinhas koreanas e chinesas (pq para quem não sabe, eu mudei o nome da minha faculdade de London College of Fashion para Asian College of Fahion...acho que a mudança no nome é auto-explicativa).
Imagina elas, que cresceram no meio daquela plantação de arroz. Chovendo todo dia. Nossa até pensei numa coisa..na Ásia, as temporadas de moda não deviam ser primavera-verão e outono-inverno...deveriam ser temporada com chuva e temporada sem chuva.
Não é para ser piada.
Enfim, voltando à história das plantadoras de arroz. Uma delas, venceu bravamente toda a sua timidez e introspecção e pela primeira vez em quase 6 semanas sendo minha vizinha bateu na minha porta. Claro que eu pensei que a china tinha tido um ataque. Mas quem teve um ataque foi o computador dela.
Fui lá, arrumei o problema...(obviamente que não era nada complexo, porque meus conhecimentos informáticos estão bem distantes da palavra complexo). Menina, mas num é que a china ficou tão feliz...ela queria me abraçar para me agradecer e falava que estava tentando haviam 3 dias se registrar no provedor mas que não conseguia...mais uma vez ela tentou me abraçar...eu sentia que ela queria pular, gritar espernear mandar a porra do keysurf (nosso provedor) tomar no cu, pq aquela merda não funcionava...ela queria ser mais violenta, queria demonstrar paixão, queria muito ficar ansiosa com aqueles problemas da internet, queria ligar e reclamar, xingar a telemarketing (telemarketing PASSIVA, claro) mas a sua cultura e sua criação pesou mais. Ela segurou na minha mão, abaixou a cabeça e só falou obrigada.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
para abrir uma conta
"Ma, a primeira coisa que você faz quando chegar aqui é abrir uma conta de banco", já me avisou uma outra Ma, muito antes da minha chegada.
A lógica é simples: sem conta no banco não se compra celular; sem celular não tem como deixar um telefone de contato para emprego ou algum gatinho; sem emprego ou sem gatinho (ou sem as duas coisas), a vida fica um pouco mais pesada de ser vivida.
Do lado da minha casa tem um NatWest -vulgo 'Bradesco de Londres' - , tem em todo lugar e as filas ultrapassam os limites dos últimos caixas eletrônicos, do último corredor, já quase no meio da rua.
Quero só fazer um parênteses aqui. A merda de chegar em lugar que vc não conhece é que você se vê obrigado a "ouvir conselhos". Putaquepariu!!!! Vou fazer uma placa de um conhecido ditado popular brasileiro que se refere à esse tema e colocar na porta de entrada da minha casa. Puta merda!!! Enfim, como estava na minha primeira semana, ouvi o conselho de que o "NatWest era um ótimo banco!"
1ª tentantiva: Primeiro que eu tive que marcar uma "appointment" para falar com o gerente. Onde já se viu isso!!!! Eles que deveriam estar marcando "appointment" para falar comigo...ou estou enganada que as taxas para transferência internacional de dinheiro são as mais altas de um banco? Enfim, marquei a tal "appointment", uma semana depois da primeira vez que tinha ido ao banco. O gerente me disse que eu não poderia abrir uma conta regular (leia-se gratuita) e a única conta que poderia abrir era uma que tem a taxa de £10 (r$40 REAIS) mensais de manutenção. Não preciso nem dizer que minha resposta foi não.
2ª tentativa: Me falaram que o problema era aquela agência e que eu deveria tentar outro NatWest. Lá fui eu....e essa foi a melhor de todas. O gerente me disse "por motivo se segurança e devido a à instabilidade econômica do meu país, não poderiam abrir uma conta".
Por MOTIVO DE SEGURANÇA? olhei bem para cara daquele pobre indiano que falava com um sotaque dos squads (prédios ocupados por sem teto em Londres). Vi aquela camisa surrada, a unha toda suja, o suor escorrendo pela testa que ele escondia por trás de um nariz empinado e de palavras mal usadas. Quem era aquele fulano que quis dizer que eu era um perigo para o banco?
Naquele momento passou pela minha cabeça tudo o que já estudei sobre a Índia, tudo o que eu já estudei na vida, o quando sei de política externa, variação cambial e país emergente. Por um breve segundo toda a minha fúria se juntou e eu cheguei a ponto de falar para ele o que, de fato, era país em risco. Sentia minha mão suar, comecei a gaguejar e os pensamentos ficaram cada vez mais violentos na minha cabeça. Saí chorando do banco. Chovia muito lá fora.
3ª tentativa: Até agora o melhor banco que eu fui é o Barclays. Além deles patrocinarem várias coisas legais de moda e música, eles não cobram taxa para fazer transferência bancária. Ou seja, posso sacar quanto e quando eu quiser e nunca me cobram nada. O Barclays mais próximo de casa fica um pouco longe, mas mesmo assim, saí correndo da faculdade (ah, só para lembrar, aqui eles só abrem conta no banco até 2 da tarde), peguei dois ônibus lotados, corri, corri, corri...quando cheguei no banco o atendente, também indiano, nem me deixou passar da porta.
Para abrir conta, só com comprovante de residência. E por mais que eu explicasse que não tenho comprovante de residência porque moro numa acomodação estudantil com outros 240 estudantes do mundo todo, o indiano ficou por alguns instantes em silêncio. Olhou profundamente para mim e depois de muito pensar disse:"Porque você não pede para o resposável pela sua acomodação colocar uma conta de gás ou de luz no seu nome só para você abrir uma conta no banco?"
Imagine se os 240 estudantes que moram na minha residência são orientados com tamanho brilhantismo de pensamento. Seriam necessárias 240 contas!!!! Pelo menos dessa vez eu saí às gargalhadas do banco.
4ª tentativa: Na Universidade me disseram que um NatWest em Elephant and Castle (o bairro onde fica um dos campus da minha universidade) tinha uma agência que aceitava numa boa estudante internacional. Fui no tal 'banco'. Um corredorzinho de 10 metros de profundidade por 3 metros de largura onde ABSOLUTAMENTE TODAS as transações bancárias que vc faz todo mundo fica sabendo: se vc está com o saldo devedor, se não pagou alguma conta..tudo..tamanha falta de espaço!!!!
Depois de esperar 40 minutos para ser atendida, uma senhora, (coincidência ou não, também indiana) me atendeu. Ela conferiu a minha documentação e estava tudo certo. Na hora que foi fazer o meu cadastro reparou que Universidade havia escrito meu nome diferente da forma que estava escrito no passaporte. Ela não aceitou minha carta de recomendação da universidade. Era sexta feira, véspera de feriado. O último feriado do ano até o Natal.
5ª tentativa: Na terça feira, voltei novamente ao NatWest. E depois de muito esperar aquela mesma senhorinha indiana me atendeu. Dessa vez ela conferiu meus documentos (eu tinha pedido outra carta na universidade) e estava tudo certinho. Abri minha conta. Quando recebi o papel falando que minha conta estava aberta, saí para tomar uma cerveja. O copo numa mão e o boleto bancário na outra.
Uma semana depois fui em uma loja para finalmente comprar meu celular. Escolhi o modelo, o plano, tudo certo. Na hora de pagar....O funcionário disse me informou que seria necessário um relatório da minha movimentação bancária. Expliquei que tinha acabado de abrir a conta. Ele falou para ir até o banco e pedir um relatório desses.
Saí da loja contrariada mas, fazer o quê?
Fui ao banco. Fiquei sabendo que minha conta havia sido cancelada.
6ª tentativa: "Sua conta foi cancela", disse uma negra de cabelo alisado e que aparentava não passar perto de um chuveiro há pelo menos 15 dias. Ela tinha unhas postiças com desenhos de trovões rosa e azul. A 'manicure' tinha sido tão mal feita que dava para ver a cola entre a unha de mentira e a unha de verdade. A cabelo-seboso ficava insistentemente batendo aquelas unhas de plástico no computador só para me deixar mais irritada.
"Vou ver por que sua conta fechou", disse ela num tom de quem estava chupando limão. Dez minutos depois ela voltou e disse: "Sua documentação estava irregular. Não tínhamos a cópia do seu visto".
Eu disse que aquilo não era possível porque a atendente havia tirado cópia do meu passaporte e, inclusive, eu havia assinado a cópia.
Ela disse que se eu quisesse reabrir a conta teria que trazer novamente os documentos. Pedi as xerox dos meus documentos de volta.
Arrogantemente e batendo infernalmente aquelas unhas contra a mesa ela começou a gritar falando que não iria me devolver nada. Eu respondi que ela tinha perdido, por isso não iria me dar de volta.
A negona levantou da cadeira e começou a espernear. Dessa vez fui eu quem olhou profundamente e pensei: "Não é que ela conseguiu ficar ainda mais feia!"
Saí do banco. Novamente chorando.
7ª tentativa: Tinha um Barclays perto dali. Insisto nos mesmo bancos porque são os que tem as melhores taxas e as melhores vantagens. E, as regras que valem para uma agência nem sempre valem para outra.
A mocinha do atendimento me disse que só precisaria do passaporte para abrir a conta. Achei estranho e novamente expliquei minha situação, que estava em Londres havia apenas um mês, mas que eu iria ficar pelo menos dois anos. Impacientemente, ela ouviu toda a minha explicação e repediu a mesma frase, sem tirar nem pôr sequer uma palavra: "Você só precisa do seu passaporte!"
Fiquei uma hora e vinte minutos esperando na fila para o gerente me dizer que conta internacional de estudante só poderia ser aberta em outra agência, na London Bridge.
A lógica é simples: sem conta no banco não se compra celular; sem celular não tem como deixar um telefone de contato para emprego ou algum gatinho; sem emprego ou sem gatinho (ou sem as duas coisas), a vida fica um pouco mais pesada de ser vivida.
Do lado da minha casa tem um NatWest -vulgo 'Bradesco de Londres' - , tem em todo lugar e as filas ultrapassam os limites dos últimos caixas eletrônicos, do último corredor, já quase no meio da rua.
Quero só fazer um parênteses aqui. A merda de chegar em lugar que vc não conhece é que você se vê obrigado a "ouvir conselhos". Putaquepariu!!!! Vou fazer uma placa de um conhecido ditado popular brasileiro que se refere à esse tema e colocar na porta de entrada da minha casa. Puta merda!!! Enfim, como estava na minha primeira semana, ouvi o conselho de que o "NatWest era um ótimo banco!"
1ª tentantiva: Primeiro que eu tive que marcar uma "appointment" para falar com o gerente. Onde já se viu isso!!!! Eles que deveriam estar marcando "appointment" para falar comigo...ou estou enganada que as taxas para transferência internacional de dinheiro são as mais altas de um banco? Enfim, marquei a tal "appointment", uma semana depois da primeira vez que tinha ido ao banco. O gerente me disse que eu não poderia abrir uma conta regular (leia-se gratuita) e a única conta que poderia abrir era uma que tem a taxa de £10 (r$40 REAIS) mensais de manutenção. Não preciso nem dizer que minha resposta foi não.
2ª tentativa: Me falaram que o problema era aquela agência e que eu deveria tentar outro NatWest. Lá fui eu....e essa foi a melhor de todas. O gerente me disse "por motivo se segurança e devido a à instabilidade econômica do meu país, não poderiam abrir uma conta".
Por MOTIVO DE SEGURANÇA? olhei bem para cara daquele pobre indiano que falava com um sotaque dos squads (prédios ocupados por sem teto em Londres). Vi aquela camisa surrada, a unha toda suja, o suor escorrendo pela testa que ele escondia por trás de um nariz empinado e de palavras mal usadas. Quem era aquele fulano que quis dizer que eu era um perigo para o banco?
Naquele momento passou pela minha cabeça tudo o que já estudei sobre a Índia, tudo o que eu já estudei na vida, o quando sei de política externa, variação cambial e país emergente. Por um breve segundo toda a minha fúria se juntou e eu cheguei a ponto de falar para ele o que, de fato, era país em risco. Sentia minha mão suar, comecei a gaguejar e os pensamentos ficaram cada vez mais violentos na minha cabeça. Saí chorando do banco. Chovia muito lá fora.
3ª tentativa: Até agora o melhor banco que eu fui é o Barclays. Além deles patrocinarem várias coisas legais de moda e música, eles não cobram taxa para fazer transferência bancária. Ou seja, posso sacar quanto e quando eu quiser e nunca me cobram nada. O Barclays mais próximo de casa fica um pouco longe, mas mesmo assim, saí correndo da faculdade (ah, só para lembrar, aqui eles só abrem conta no banco até 2 da tarde), peguei dois ônibus lotados, corri, corri, corri...quando cheguei no banco o atendente, também indiano, nem me deixou passar da porta.
Para abrir conta, só com comprovante de residência. E por mais que eu explicasse que não tenho comprovante de residência porque moro numa acomodação estudantil com outros 240 estudantes do mundo todo, o indiano ficou por alguns instantes em silêncio. Olhou profundamente para mim e depois de muito pensar disse:"Porque você não pede para o resposável pela sua acomodação colocar uma conta de gás ou de luz no seu nome só para você abrir uma conta no banco?"
Imagine se os 240 estudantes que moram na minha residência são orientados com tamanho brilhantismo de pensamento. Seriam necessárias 240 contas!!!! Pelo menos dessa vez eu saí às gargalhadas do banco.
4ª tentativa: Na Universidade me disseram que um NatWest em Elephant and Castle (o bairro onde fica um dos campus da minha universidade) tinha uma agência que aceitava numa boa estudante internacional. Fui no tal 'banco'. Um corredorzinho de 10 metros de profundidade por 3 metros de largura onde ABSOLUTAMENTE TODAS as transações bancárias que vc faz todo mundo fica sabendo: se vc está com o saldo devedor, se não pagou alguma conta..tudo..tamanha falta de espaço!!!!
Depois de esperar 40 minutos para ser atendida, uma senhora, (coincidência ou não, também indiana) me atendeu. Ela conferiu a minha documentação e estava tudo certo. Na hora que foi fazer o meu cadastro reparou que Universidade havia escrito meu nome diferente da forma que estava escrito no passaporte. Ela não aceitou minha carta de recomendação da universidade. Era sexta feira, véspera de feriado. O último feriado do ano até o Natal.
5ª tentativa: Na terça feira, voltei novamente ao NatWest. E depois de muito esperar aquela mesma senhorinha indiana me atendeu. Dessa vez ela conferiu meus documentos (eu tinha pedido outra carta na universidade) e estava tudo certinho. Abri minha conta. Quando recebi o papel falando que minha conta estava aberta, saí para tomar uma cerveja. O copo numa mão e o boleto bancário na outra.
Uma semana depois fui em uma loja para finalmente comprar meu celular. Escolhi o modelo, o plano, tudo certo. Na hora de pagar....O funcionário disse me informou que seria necessário um relatório da minha movimentação bancária. Expliquei que tinha acabado de abrir a conta. Ele falou para ir até o banco e pedir um relatório desses.
Saí da loja contrariada mas, fazer o quê?
Fui ao banco. Fiquei sabendo que minha conta havia sido cancelada.
6ª tentativa: "Sua conta foi cancela", disse uma negra de cabelo alisado e que aparentava não passar perto de um chuveiro há pelo menos 15 dias. Ela tinha unhas postiças com desenhos de trovões rosa e azul. A 'manicure' tinha sido tão mal feita que dava para ver a cola entre a unha de mentira e a unha de verdade. A cabelo-seboso ficava insistentemente batendo aquelas unhas de plástico no computador só para me deixar mais irritada.
"Vou ver por que sua conta fechou", disse ela num tom de quem estava chupando limão. Dez minutos depois ela voltou e disse: "Sua documentação estava irregular. Não tínhamos a cópia do seu visto".
Eu disse que aquilo não era possível porque a atendente havia tirado cópia do meu passaporte e, inclusive, eu havia assinado a cópia.
Ela disse que se eu quisesse reabrir a conta teria que trazer novamente os documentos. Pedi as xerox dos meus documentos de volta.
Arrogantemente e batendo infernalmente aquelas unhas contra a mesa ela começou a gritar falando que não iria me devolver nada. Eu respondi que ela tinha perdido, por isso não iria me dar de volta.
A negona levantou da cadeira e começou a espernear. Dessa vez fui eu quem olhou profundamente e pensei: "Não é que ela conseguiu ficar ainda mais feia!"
Saí do banco. Novamente chorando.
7ª tentativa: Tinha um Barclays perto dali. Insisto nos mesmo bancos porque são os que tem as melhores taxas e as melhores vantagens. E, as regras que valem para uma agência nem sempre valem para outra.
A mocinha do atendimento me disse que só precisaria do passaporte para abrir a conta. Achei estranho e novamente expliquei minha situação, que estava em Londres havia apenas um mês, mas que eu iria ficar pelo menos dois anos. Impacientemente, ela ouviu toda a minha explicação e repediu a mesma frase, sem tirar nem pôr sequer uma palavra: "Você só precisa do seu passaporte!"
Fiquei uma hora e vinte minutos esperando na fila para o gerente me dizer que conta internacional de estudante só poderia ser aberta em outra agência, na London Bridge.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Fulham x Tottenham X Carnaval em Nothing Hill
A gente combinou de se encontrar às 11 horas na estação de metrô King´s Cross. Ainda me pergunto se o nome dessas estações de metrô tem algum significado especial..pq eu juro, para mim não significa nada...Bank? para mim é banco! e West Ham? Presunto do Oeste?!o pior de todos...White City...Cidade dos Brancos..mas não..não tem nada a ver...é tipo, estação Vergueiro, Jabaquara ou Vila Mariana...claro que quando cheguei em Kings´s Cross (só para não perder o costume, Cruz do Rei), me perdi. Mas depois de 20 minutinhos me achei ao ver de longe aquele inglezinho, todo sorridente e de olhos verdes.
Sabe o que me impressiona? A polícia não anda armada!!!! Só tem uns bastõezinhos de ferro...bem fininho que obviamente deve doer na alma quando são colocados em prática. Mas, nem no Carnaval de Nothing Hill nem no jogo de futebol a polícia estava armada. E o que eu mais gosto é do uniforme..tão arrumado...de chapéu oval, colete de flanela com cola canoa, calça cigarrete....parece até que estão indo para uma festa. Nessa hora minha mente viaja até o Jardim Ângela. Extremo da zona sul de São Paulo. Um dos bairros mais perigosos de uma das cidades mais perigosas de um dos paises mais perigos. Que ainda assim consigo chamar de "casa".
Imaginei aqueles guardinhas ingleses, todos pombosos, sobre seus cavalos brancos, com seus chapéus ovais, suas ombreiras de franjinha igual da paquita e seus bastõezinhos de ferro combatendo a criminalidade no Jardim Ângela. Minha mente vai além. Imagino, ainda, a Rota, conhecido grupo tático da polícia paulistana por seu 'jeito' todo peculiar de lidar com a população, aqui em Londres, durante o Carnaval de Nothing Hill. Um evento de dois dias com duas milhões de pessoas de toda a Grã-Bretanha. Que tal banco de apostas para o balanço após o carnaval londrino com a PM no comando?
a - 15 mortos, 200 feridos e 500 ainda estão desaparecidos
b- todo mundo foi roubado: carteira, celular ou bolsa.
c- "Estatística é coisa para imprensa. Nosso negócio é manter a segurança da população", disse capital Ubiratan, líder da operação Nothing Hill Sufocada, após o 5º corpo ser reconhecido.
d- Não teve Carnaval. A PM achou que lugar de música de preto - rap, dub, reggae e grimmie - é na periferia. Nada de vir para o Centro.
Como tradição inglesa, as pessoas devem ir para o pub antes do jogo começar. Isso significa tomar o primeiro pint às 10 da manhã. E o mais legal: no mesmo pub onde estão os torcedores do Fulham também estão os torcedores do Tottenham!!!! Minha mente mais uma vez me leva para São Paulo. Num domingo esnsolarado, meio da tarde, Estádio do Morumbi. Jogo: São Paulo e Corinthians. Igualzinho....todo mundo tomando uma skol, juntos, numa barraca de pastel e a única discussão do pessoal é que o óleo do pastel é da semana passada!!!!
Durante o jogo, todo mundo sentatinho na sua cadeirinha...não tem instrumento musical, bateria da Vai-Vai, fogos de artício ou palavrões. A única hora que o pessoal levanta é quando tem gol. E olha que o Fulham, mandante do jogo, estava perdendo de 3x1 e ninguém xingou!!! Diversão tão sadia que chega até a enjoar. Placar final, 3x3.
***
Tenho que fazer uma confissão. Está muito difícil escrever. Uma vez uma amiga me disse que escrevo muito melhor quando estou triste. Fico mais sensível e percebo os buracos da miséria humana. Mas e agora??? devo ficar triste para escrever bem ou viver numa feliz mediocridade? Estou compreensiva. Isso me incomoda um pouco. Me incomoda quando minha alma fica quieta. Satisfeita. Aceita tudo.
Mas me incomoda mais ainda quando amigos, que são antigos amigos, se figem de amigos e te cobra coisas de amigos sendo que pouco agem como amigos. Me incomoda ser cobrada por "ois" e "tchaus" quando no último "tchau", do último dia, dos próximos dois anos ouvi as melhor desculpas para justificar as piores cagadas.
Ainda me incomoda quando você fez tudo por uma amizade, ouviu suas loucuras e ao fim de cada "fiquei muito louca" ou "nem lembro do que fiz", engolir a sensação de irresponsabilidade que está travada no estômago e com aquele sorriso quase manual que chega a mostrar a gengiva respondia: "claro que não. Tem mais é que curtir a vida". Não fui falsa. Só quis preservar te preservar e te aceitar porque a nossa amizade vinha acima de tudo. Por isso, todos os julgamentos, estão dentro da sua cabeça, eu não fiz nada.
Até porque, são outros sorrisos em estações de metrô de nome engraçado que me dão mais motivo para me preocupar.
Sabe o que me impressiona? A polícia não anda armada!!!! Só tem uns bastõezinhos de ferro...bem fininho que obviamente deve doer na alma quando são colocados em prática. Mas, nem no Carnaval de Nothing Hill nem no jogo de futebol a polícia estava armada. E o que eu mais gosto é do uniforme..tão arrumado...de chapéu oval, colete de flanela com cola canoa, calça cigarrete....parece até que estão indo para uma festa. Nessa hora minha mente viaja até o Jardim Ângela. Extremo da zona sul de São Paulo. Um dos bairros mais perigosos de uma das cidades mais perigosas de um dos paises mais perigos. Que ainda assim consigo chamar de "casa".
Imaginei aqueles guardinhas ingleses, todos pombosos, sobre seus cavalos brancos, com seus chapéus ovais, suas ombreiras de franjinha igual da paquita e seus bastõezinhos de ferro combatendo a criminalidade no Jardim Ângela. Minha mente vai além. Imagino, ainda, a Rota, conhecido grupo tático da polícia paulistana por seu 'jeito' todo peculiar de lidar com a população, aqui em Londres, durante o Carnaval de Nothing Hill. Um evento de dois dias com duas milhões de pessoas de toda a Grã-Bretanha. Que tal banco de apostas para o balanço após o carnaval londrino com a PM no comando?
a - 15 mortos, 200 feridos e 500 ainda estão desaparecidos
b- todo mundo foi roubado: carteira, celular ou bolsa.
c- "Estatística é coisa para imprensa. Nosso negócio é manter a segurança da população", disse capital Ubiratan, líder da operação Nothing Hill Sufocada, após o 5º corpo ser reconhecido.
d- Não teve Carnaval. A PM achou que lugar de música de preto - rap, dub, reggae e grimmie - é na periferia. Nada de vir para o Centro.
Como tradição inglesa, as pessoas devem ir para o pub antes do jogo começar. Isso significa tomar o primeiro pint às 10 da manhã. E o mais legal: no mesmo pub onde estão os torcedores do Fulham também estão os torcedores do Tottenham!!!! Minha mente mais uma vez me leva para São Paulo. Num domingo esnsolarado, meio da tarde, Estádio do Morumbi. Jogo: São Paulo e Corinthians. Igualzinho....todo mundo tomando uma skol, juntos, numa barraca de pastel e a única discussão do pessoal é que o óleo do pastel é da semana passada!!!!
Durante o jogo, todo mundo sentatinho na sua cadeirinha...não tem instrumento musical, bateria da Vai-Vai, fogos de artício ou palavrões. A única hora que o pessoal levanta é quando tem gol. E olha que o Fulham, mandante do jogo, estava perdendo de 3x1 e ninguém xingou!!! Diversão tão sadia que chega até a enjoar. Placar final, 3x3.
***
Tenho que fazer uma confissão. Está muito difícil escrever. Uma vez uma amiga me disse que escrevo muito melhor quando estou triste. Fico mais sensível e percebo os buracos da miséria humana. Mas e agora??? devo ficar triste para escrever bem ou viver numa feliz mediocridade? Estou compreensiva. Isso me incomoda um pouco. Me incomoda quando minha alma fica quieta. Satisfeita. Aceita tudo.
Mas me incomoda mais ainda quando amigos, que são antigos amigos, se figem de amigos e te cobra coisas de amigos sendo que pouco agem como amigos. Me incomoda ser cobrada por "ois" e "tchaus" quando no último "tchau", do último dia, dos próximos dois anos ouvi as melhor desculpas para justificar as piores cagadas.
Ainda me incomoda quando você fez tudo por uma amizade, ouviu suas loucuras e ao fim de cada "fiquei muito louca" ou "nem lembro do que fiz", engolir a sensação de irresponsabilidade que está travada no estômago e com aquele sorriso quase manual que chega a mostrar a gengiva respondia: "claro que não. Tem mais é que curtir a vida". Não fui falsa. Só quis preservar te preservar e te aceitar porque a nossa amizade vinha acima de tudo. Por isso, todos os julgamentos, estão dentro da sua cabeça, eu não fiz nada.
Até porque, são outros sorrisos em estações de metrô de nome engraçado que me dão mais motivo para me preocupar.
terça-feira, 21 de agosto de 2007
modo de vida
Na minha educação a palavra solidão sempre teve uma conotação ruim. Acho que não seja só na minha casa, mas acho que para toda a língua portuguesa estar sozinho ou sentir-se só chega a quase provocar sentimento de pena.
Eu que sempre rejeitei o rótulo festivo do brasileiro cheio de intromissões e não perceber o limite alheio, só agora vim perceber o quanto sou brasileira. E pior, o quanto sinto falta disso. Engraçado como são exatamente nesses momentos em que você encontra-se completamente só que consegue chegar a causa de certas angústias. É só quando estamos sozinhos que conseguimos entender os nossos limites e a saber lidar com eles.
Acho que essa é a minha primeira lição de Londres. Aprender a ficar sozinha. Mas de forma nenhuma porque sou estrangeira menos ainda porque acabei de chegar. Esse é o estilo de vida do inglês. Sabe aquela história que inglês é frio??? Eles não são frios. São solitários.
Um inglês é capaz de entrar num pub, ficar quatro horas lá, sozinho naquele balcão. Só ele e o pint. Não conversar com ninguém. Pagar a conta, abrir o guarda-chuva porque certamente está chovendo lá fora, e ir embora.
Mas também existe um outro tipo de solidão. A solidão no meio de um monte de gente. Não posso dizer que é o modo de vida da cidade grande que nos 'enselvagiza', porque venho de São Paulo e considero esta entre os top ten na lista "fora forasteiro". A questão ainda não é essa.
Aqui não tem banco no ponto de ônibus. E não é porque o ônibus não demora. Mas a idéia é de não fazer laços. É muito mais fácil puxar papo com uma pessoa que está sentada do seu lado do que uma em pé ao seu lado. Estar sentado parece que baixa a guarda. E não só nos pontos de ônibus que não tem banco. Em lugar nenhum tem banco. Você nunca pode sentar.
Dentro dos vagões do metrô e dos ônibus tem aquela separação - aquele braço, tipo em cadeira de cinema - deixando bem clara a idéia de único. Isso significa, inclusive, que você tem que comer em pé. Afinal, se quiser sentar para comer num restaurante paga um terço a mais na conta e como estamos falando de pounds, vale muito mais fazer economia do que papo-furado com um fulano qualquer.
Então, as pessoas simplesmente vão aos Subways, Starbucks e todas essas tranqueiras mais, compram seus lanchinhos e ficam comendo em pé, do lado de fora ou andando, esperando o tempo passar até a hora de voltar para o escritório. Ou pior. Isso quando elas não levam o almoço e comem na frente do computador. É a coisa mais comum do mundo você chegar num banco, secretaria da universidade....e o funcionário está almoçando na frente do computador!!!!
Inclusive os estrangeiros adquirem esse modo de vida solitário. Por isso começo a entender os guetos. Porque se você não se organiza com seus iguais se perde junto com a maioria. É diluído pela colcha de retalhos de nacionalidades de Londres.
Mas de maneira nenhuma posso chamar isso de bom ou ruim. É só uma situação completamente diferente de qualquer coisa que eu já tenha passado. É como se a cidade estivesse preparada para receber as pessoas apenas de forma unitária. Daí, outro dia, já vieram me dizer: "Mas estar sozinho em Londres é outra coisa...não é igual no Brasil". Será que dá para se medir solidão? Tem balança? Quantos quilos de solidão será que tenho hoje??
Eu que sempre rejeitei o rótulo festivo do brasileiro cheio de intromissões e não perceber o limite alheio, só agora vim perceber o quanto sou brasileira. E pior, o quanto sinto falta disso. Engraçado como são exatamente nesses momentos em que você encontra-se completamente só que consegue chegar a causa de certas angústias. É só quando estamos sozinhos que conseguimos entender os nossos limites e a saber lidar com eles.
Acho que essa é a minha primeira lição de Londres. Aprender a ficar sozinha. Mas de forma nenhuma porque sou estrangeira menos ainda porque acabei de chegar. Esse é o estilo de vida do inglês. Sabe aquela história que inglês é frio??? Eles não são frios. São solitários.
Um inglês é capaz de entrar num pub, ficar quatro horas lá, sozinho naquele balcão. Só ele e o pint. Não conversar com ninguém. Pagar a conta, abrir o guarda-chuva porque certamente está chovendo lá fora, e ir embora.
Mas também existe um outro tipo de solidão. A solidão no meio de um monte de gente. Não posso dizer que é o modo de vida da cidade grande que nos 'enselvagiza', porque venho de São Paulo e considero esta entre os top ten na lista "fora forasteiro". A questão ainda não é essa.
Aqui não tem banco no ponto de ônibus. E não é porque o ônibus não demora. Mas a idéia é de não fazer laços. É muito mais fácil puxar papo com uma pessoa que está sentada do seu lado do que uma em pé ao seu lado. Estar sentado parece que baixa a guarda. E não só nos pontos de ônibus que não tem banco. Em lugar nenhum tem banco. Você nunca pode sentar.
Dentro dos vagões do metrô e dos ônibus tem aquela separação - aquele braço, tipo em cadeira de cinema - deixando bem clara a idéia de único. Isso significa, inclusive, que você tem que comer em pé. Afinal, se quiser sentar para comer num restaurante paga um terço a mais na conta e como estamos falando de pounds, vale muito mais fazer economia do que papo-furado com um fulano qualquer.
Então, as pessoas simplesmente vão aos Subways, Starbucks e todas essas tranqueiras mais, compram seus lanchinhos e ficam comendo em pé, do lado de fora ou andando, esperando o tempo passar até a hora de voltar para o escritório. Ou pior. Isso quando elas não levam o almoço e comem na frente do computador. É a coisa mais comum do mundo você chegar num banco, secretaria da universidade....e o funcionário está almoçando na frente do computador!!!!
Inclusive os estrangeiros adquirem esse modo de vida solitário. Por isso começo a entender os guetos. Porque se você não se organiza com seus iguais se perde junto com a maioria. É diluído pela colcha de retalhos de nacionalidades de Londres.
Mas de maneira nenhuma posso chamar isso de bom ou ruim. É só uma situação completamente diferente de qualquer coisa que eu já tenha passado. É como se a cidade estivesse preparada para receber as pessoas apenas de forma unitária. Daí, outro dia, já vieram me dizer: "Mas estar sozinho em Londres é outra coisa...não é igual no Brasil". Será que dá para se medir solidão? Tem balança? Quantos quilos de solidão será que tenho hoje??
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Selfridges & Co
Pela primeira vez na minha vida meus olhos sorriram. Pelo menos pela primeira vez por causa de roupa. Garganta travada, arrepido, calafrio, tontura...e choro. Foi assim que me senti ao entrar pela primera vez na Selfridges. Uma vendedora me encarou e deve ter pensado "sei que os preços estão salgadinhos mas não precisa chorar nega, logo mais tem liquidação. É um pulo até janeiro".
Tem coisas que parece que as palavras simplesmente não são suficientes para explicar o tamanho da emoção e os níveis de sensações atingidos.
Pode ser quando você encontra aquele cara que ficou no sábado passado e ele veio falar com você; ou quando chega no ponto de ônibus mega atrasada e o seu ônibus passa em pouquíssimos segundos depois ou ainda quando aquela gorda gigante cheia de pacotes que ameaçou sentar ao seu lado por um golpe do destinho decide esmagar outro fulano. É isso, uma mistura de felicidade com alívio.
Alívio por causa da magnitude das roupas. Alívo por encontrar a perfeição em forma de um vestinho floral com uma jaquetinha de couro marrom. É como se eu estivesse na revista Caras das roupas. Sabe quando tem aquelas matérias de Oscar e aparece o nome da atriz menciona o nome do estilista que a veste??? Pois é, a Selfridges tem todos esses estilistas e muito mais.
São mais de sete pisos (mais porque perdi a conta ao olhar para cima...os andares são muito largos) só dedicados à roupa, sapato, acessórios, produto de beleza e comida. E cada andar tem uns restaurantezinhos, com cara de cantina Bixiga mas com preço de Emiliano. Tem loja própria da Godiva!!
Minhas lágrimas chegaram ao ápice quando fui na sessão do Marc Jacobs. A perfeição do caimento dá impressão que Marc colou em casa e costurou um vestido no meu corpo. Nada de fazer barra porque tem calça de tudo quanto é tamanho. Zíper torto, babado pouco armado, cetim barato que imita seda é considerado eresia. E aí vai...Vera Rekiel, All Saints, Gucci, Prada, Armani, Azedine Alaïa, Viktor&Rolf até chegar nos sapatos....
Não resisti. Experimentei um Manolo Blahnik. A ferrari dos sapatos. Pedi para a moça um 37, mas disse que estava em dúvida quanto ao tamanho. Era um chanel com o bico redondo, salto quadrado grosso, 8 centímetros. Preto. Para não ter perigo de errar.
Quando a vendedora veio de longe era como se ela ficasse tão pequenininha perto daquela caixa de sapato. Abri a caixa e experimentei.
Sabe aquele dia que você está se sentindo um lixo? cólica de menstruação, olheiras de panda - que vem até o joelho - engordou 6 quilos de um dia para o outro, sua coxa está mais grossa do que o pescoço do seu namorado, choveu bem no dia da progressiva, os pelos da virilha encravaram, a calça jeans fantástica por R$ 10 reais não tem o seu tamanho...então, todas essas sensações desaparecem quando você calça um Manolo. Como fiquei bonita! Além de alta, minha coxa ficou mais fina. Olha, não importa a roupa....com um sapato desses...
Fiquei lá, namorando...olhando, passando a mão, vendo a costura da sola que segue certinha por seu contorno...
"E aí, gostou? Vai levar???", me perguntou a loirinha de 1,90m e 20 quilos que me antedia.
"Não, não ficou muito bom!!".....Não tive nem coragem de perguntar o preço.
Tem coisas que parece que as palavras simplesmente não são suficientes para explicar o tamanho da emoção e os níveis de sensações atingidos.
Pode ser quando você encontra aquele cara que ficou no sábado passado e ele veio falar com você; ou quando chega no ponto de ônibus mega atrasada e o seu ônibus passa em pouquíssimos segundos depois ou ainda quando aquela gorda gigante cheia de pacotes que ameaçou sentar ao seu lado por um golpe do destinho decide esmagar outro fulano. É isso, uma mistura de felicidade com alívio.
Alívio por causa da magnitude das roupas. Alívo por encontrar a perfeição em forma de um vestinho floral com uma jaquetinha de couro marrom. É como se eu estivesse na revista Caras das roupas. Sabe quando tem aquelas matérias de Oscar e aparece o nome da atriz menciona o nome do estilista que a veste??? Pois é, a Selfridges tem todos esses estilistas e muito mais.
São mais de sete pisos (mais porque perdi a conta ao olhar para cima...os andares são muito largos) só dedicados à roupa, sapato, acessórios, produto de beleza e comida. E cada andar tem uns restaurantezinhos, com cara de cantina Bixiga mas com preço de Emiliano. Tem loja própria da Godiva!!
Minhas lágrimas chegaram ao ápice quando fui na sessão do Marc Jacobs. A perfeição do caimento dá impressão que Marc colou em casa e costurou um vestido no meu corpo. Nada de fazer barra porque tem calça de tudo quanto é tamanho. Zíper torto, babado pouco armado, cetim barato que imita seda é considerado eresia. E aí vai...Vera Rekiel, All Saints, Gucci, Prada, Armani, Azedine Alaïa, Viktor&Rolf até chegar nos sapatos....
Não resisti. Experimentei um Manolo Blahnik. A ferrari dos sapatos. Pedi para a moça um 37, mas disse que estava em dúvida quanto ao tamanho. Era um chanel com o bico redondo, salto quadrado grosso, 8 centímetros. Preto. Para não ter perigo de errar.
Quando a vendedora veio de longe era como se ela ficasse tão pequenininha perto daquela caixa de sapato. Abri a caixa e experimentei.
Sabe aquele dia que você está se sentindo um lixo? cólica de menstruação, olheiras de panda - que vem até o joelho - engordou 6 quilos de um dia para o outro, sua coxa está mais grossa do que o pescoço do seu namorado, choveu bem no dia da progressiva, os pelos da virilha encravaram, a calça jeans fantástica por R$ 10 reais não tem o seu tamanho...então, todas essas sensações desaparecem quando você calça um Manolo. Como fiquei bonita! Além de alta, minha coxa ficou mais fina. Olha, não importa a roupa....com um sapato desses...
Fiquei lá, namorando...olhando, passando a mão, vendo a costura da sola que segue certinha por seu contorno...
"E aí, gostou? Vai levar???", me perguntou a loirinha de 1,90m e 20 quilos que me antedia.
"Não, não ficou muito bom!!".....Não tive nem coragem de perguntar o preço.
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
currículo
Cara Susannah Frankel,
Meu nome é Maria Eugenia (na verdade te um acento mas como o inglês não permite isso acabo me rendendo às peculiaridades da sua língua e deixo para lá), tenho 25 anos e sou uma jornalista brasileira. Ou melhor, era.
Era porque desde que cheguei nesse país (há pouco mais de uma semana) me encontrei numa situação que nunca havia antes sentido. A de sub-empregada.
Toda a minha experiência de 5 anos de Estadão (ah, vc não deve saber mas esse é um dos maiores jornais do Brasil, claro que a tiragem não chega aos pés do seu jornal, afinal, estamos falando de BRASIL, onde as pessoas não compram jornal porque ele suja a mão).
Além disso falo bem francês (tenho o diploma de Delf, mas para quê isso importa,né??? a França deixou de ser um país dominante no século XIX, o negócio agora é aprender mandarim....não é isso que dizem???).
Ah, também falo muito bem espanhol, resultado de curso dificílimo que fiz na melhor universidade da Argentina. ("Agora fiquei confusa", pensa a editora Susannah - "Mas não se fala espanhol no Brasil??? Então porque essa menina foi fazer um curso na Argentina??).
Estou em Londres fazendo meu mestrado em Jornalismo de Moda na London College of Fashion e gostaria muito de trabalhar com a senhora. O seu jornal é um dos mais respeitados do mundo, leio-o todos os domingos (não dá para comprar todos os dias porque o dinheiro que me mantém aqui vem em real e não em libra, ops, pound).
Na verdade não sei nem se devo mandar esse e-mail para a senhora, afinal, deve ser uma pessoa muito ocupada, mas é que já tentei de algumas outras formas e até agora não tive resultados favoráveis. Na verdade estive em uma dessas agências de emprego mantidas pelo governo e gostaria até de comentar com a senhora sobre esse fato.
Dona Sussanah, que lugar maravilhoso!!!! Nunca achei que procurar emprego seria agradável. (tá, eu sei que essa não é a melhor palavra, mas na falta de algo mais explicativo, vai isso mesmo...)
Você chega na agência e tem vários computadorezinhos...e você digita todas as informações que precisa: a localização de onde quer o trabalho, quantas horas deseja trabalhar (tem trabalho que a carga horária é de UMA HORA POR DIA), quanto deseja ganhar, cargo....o computador faz uma pesquisa e TCHANAAANNNN vem um monte de vagas...daí é só você escolher a que melhor se encaixa ao seu perfil e imprimir!!! Pois é!!! Não tem essa de ficar copiando...o computador imprime na hora para você....depois que todas as vagas foram impressas, esse centro de trabalho também oferece um telefone para que você ligue para todos os lugares que tem vagas abertas.
Essa busca por emprego é quase igual no meu país dona Susannah...a única diferença é que nessas agências de emprego do Brasil, além de toda essa organização ainda é servido bolachinhas e capuccino para os desempregados!!!!! (risadinha de canto de boca)
Ah, mas voltando a minha vaga. Te juro que tenho todas as habilidades necessárias para o emprego. Na verdade, conversando com outras meninas inglesas que também trabalham com moda fiquei impressionada com tamanha desqualificação. Marshall MacLuhan é nome de astronauta para elas. Ninguém leu George Orwell e "Big Brother" é nome de reality show.
Começo a pensar na necessidade de qualificação para fazer moda...pois é dona Susannah...
a senhora, que já deve ter passado por inúmeras crises na sua carreira, deve entender o que estou falando...ou melhor, não estou em crise, só gostaria de entender porque muitos de nós que viemos de países mais pobres, porém, somos infinitas vezes mais qualificados do que os 'natives' ficamos tão deixados de lado e somos tão subjulgados...parece que se você vem de fora tem que lutar 5 vezes mais do que um europeu qualquer.
Mas dona Susannah, não pense que vou me abater....afinal "sou brasileira e não desisto nunca"!!!
Então, peço para a senhora me dar uma chance, qualquer coisa mesmo....só para eu estar um pouco mais perto daquilo que mais amo...prometo que sou limpinha!
obrigada pela atenção,
Maria Eugenia Pacheco Tomazini
Meu nome é Maria Eugenia (na verdade te um acento mas como o inglês não permite isso acabo me rendendo às peculiaridades da sua língua e deixo para lá), tenho 25 anos e sou uma jornalista brasileira. Ou melhor, era.
Era porque desde que cheguei nesse país (há pouco mais de uma semana) me encontrei numa situação que nunca havia antes sentido. A de sub-empregada.
Toda a minha experiência de 5 anos de Estadão (ah, vc não deve saber mas esse é um dos maiores jornais do Brasil, claro que a tiragem não chega aos pés do seu jornal, afinal, estamos falando de BRASIL, onde as pessoas não compram jornal porque ele suja a mão).
Além disso falo bem francês (tenho o diploma de Delf, mas para quê isso importa,né??? a França deixou de ser um país dominante no século XIX, o negócio agora é aprender mandarim....não é isso que dizem???).
Ah, também falo muito bem espanhol, resultado de curso dificílimo que fiz na melhor universidade da Argentina. ("Agora fiquei confusa", pensa a editora Susannah - "Mas não se fala espanhol no Brasil??? Então porque essa menina foi fazer um curso na Argentina??).
Estou em Londres fazendo meu mestrado em Jornalismo de Moda na London College of Fashion e gostaria muito de trabalhar com a senhora. O seu jornal é um dos mais respeitados do mundo, leio-o todos os domingos (não dá para comprar todos os dias porque o dinheiro que me mantém aqui vem em real e não em libra, ops, pound).
Na verdade não sei nem se devo mandar esse e-mail para a senhora, afinal, deve ser uma pessoa muito ocupada, mas é que já tentei de algumas outras formas e até agora não tive resultados favoráveis. Na verdade estive em uma dessas agências de emprego mantidas pelo governo e gostaria até de comentar com a senhora sobre esse fato.
Dona Sussanah, que lugar maravilhoso!!!! Nunca achei que procurar emprego seria agradável. (tá, eu sei que essa não é a melhor palavra, mas na falta de algo mais explicativo, vai isso mesmo...)
Você chega na agência e tem vários computadorezinhos...e você digita todas as informações que precisa: a localização de onde quer o trabalho, quantas horas deseja trabalhar (tem trabalho que a carga horária é de UMA HORA POR DIA), quanto deseja ganhar, cargo....o computador faz uma pesquisa e TCHANAAANNNN vem um monte de vagas...daí é só você escolher a que melhor se encaixa ao seu perfil e imprimir!!! Pois é!!! Não tem essa de ficar copiando...o computador imprime na hora para você....depois que todas as vagas foram impressas, esse centro de trabalho também oferece um telefone para que você ligue para todos os lugares que tem vagas abertas.
Essa busca por emprego é quase igual no meu país dona Susannah...a única diferença é que nessas agências de emprego do Brasil, além de toda essa organização ainda é servido bolachinhas e capuccino para os desempregados!!!!! (risadinha de canto de boca)
Ah, mas voltando a minha vaga. Te juro que tenho todas as habilidades necessárias para o emprego. Na verdade, conversando com outras meninas inglesas que também trabalham com moda fiquei impressionada com tamanha desqualificação. Marshall MacLuhan é nome de astronauta para elas. Ninguém leu George Orwell e "Big Brother" é nome de reality show.
Começo a pensar na necessidade de qualificação para fazer moda...pois é dona Susannah...
a senhora, que já deve ter passado por inúmeras crises na sua carreira, deve entender o que estou falando...ou melhor, não estou em crise, só gostaria de entender porque muitos de nós que viemos de países mais pobres, porém, somos infinitas vezes mais qualificados do que os 'natives' ficamos tão deixados de lado e somos tão subjulgados...parece que se você vem de fora tem que lutar 5 vezes mais do que um europeu qualquer.
Mas dona Susannah, não pense que vou me abater....afinal "sou brasileira e não desisto nunca"!!!
Então, peço para a senhora me dar uma chance, qualquer coisa mesmo....só para eu estar um pouco mais perto daquilo que mais amo...prometo que sou limpinha!
obrigada pela atenção,
Maria Eugenia Pacheco Tomazini
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
what is your ethnic group?
1 - branco (inglês)
2- branco, negro e caribenho
3 - branco e indígena
4 - negro e indígena
5 - caribenho e indígena
6- asiático
7- asiático e branco
8 - asiático e negro
9 - asiático e indígena
10 - branco europeu
11- me recuso a responder essa questão
Para minha Universidade, minha 'raça' não existe.
Depois de me deleitar num sorriso sem graça ao ter que responder numa sala com 250 alunos que "minha raça não existe nas opções", comecei a pensar sobre isso.
Escolhi a London University of Arts por ser uma das melhor universidades de arte do mundo. Referência mesmo. Assim como Havard está para o direito, a LUA está para as artes. Embora tenha tentado explicar que não existe "brasileiro puro", eles simplesmente desconversaram tentando se safar de um posicionamento pra lá de racista...
Ainda tive que aguentar a seguinte piadinha de uma aluna russa: "talvez os macacos sejam os brasileiros puros". Ainda bem que a faculdade é de gente esclarecida...
###
Sabe uma coisa que me irrita??? Uma salada ter 300 calorias. Vou viver de big mac...
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2- branco, negro e caribenho
3 - branco e indígena
4 - negro e indígena
5 - caribenho e indígena
6- asiático
7- asiático e branco
8 - asiático e negro
9 - asiático e indígena
10 - branco europeu
11- me recuso a responder essa questão
Para minha Universidade, minha 'raça' não existe.
Depois de me deleitar num sorriso sem graça ao ter que responder numa sala com 250 alunos que "minha raça não existe nas opções", comecei a pensar sobre isso.
Escolhi a London University of Arts por ser uma das melhor universidades de arte do mundo. Referência mesmo. Assim como Havard está para o direito, a LUA está para as artes. Embora tenha tentado explicar que não existe "brasileiro puro", eles simplesmente desconversaram tentando se safar de um posicionamento pra lá de racista...
Ainda tive que aguentar a seguinte piadinha de uma aluna russa: "talvez os macacos sejam os brasileiros puros". Ainda bem que a faculdade é de gente esclarecida...
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Sabe uma coisa que me irrita??? Uma salada ter 300 calorias. Vou viver de big mac...
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domingo, 12 de agosto de 2007
dublinenses
Imagine a capital de um país. Enorme, cheia de arranha céus, pessoas correndo contra o tempo para conciliar a reunião com a academia com o último dia de liquidação daquela fantástica loja de sapatos. Pois é. Dublin não é assim.
Embora com status de capital, tem cara de cidade pequena que dá vontade de dar um abraço. Tirando a porra da chuva que é muito corta foda, Dublin é perfeita. Primeiro que todo mundo é bonito. Na boa, tirei foto com o mendigo para mostrar para minha mãe que até os homeless da cidade são bonitos. É um dos salários mínimos mais altos da Europa. Imagina, você, o 'cumim' (menos que garçom) ganhando o suficiente que dá para viajar pela Europa nas férias...pois é..por essas e outras que vem gente do mundo todo para Dublin.
Dublin é a disney do europeu. Engarrafamento é demorar meia hora de busão (que NUNCA ESTÁ CHEIO) do bairro distante até o centro. Igreja lá é igual boteco na periferia - cada esquina tem um. Só que os 'botecos' dublinenses datam do início do século e dão vontade de chorar tamanha complexidade arquitetônica.
Só tem casinha baixinha. E as portas são coloridas. Tradição que perdurou dos idos tempos de dominção inglesa quando esses, obrigavam a família irish a pintar a porta de casa de uma determinada cor para poder identificá-los. Em protesto, a cidade toda pintou as portas cada uma de uma cor.
Ninguém recebe troco no busão. Você põe o dinheiro numa caixinha, se tiver troco, vc recebe um tipo de 'vale' - em que o troca por dinheiro de verdade (obviamente, ninguém faz isso).
O lema 'se beber não dirija' é lei. É muito raro ver carros na madrugada dublinense que não sejam táxi ou busão. (a frota de táxi dessa cidade é de 60 mil carros - maior que nova iorque. Detalhe, a cidade só tem 2 milhões de habitantes). É tão bonitinho de madrugada, as pessoas fazem uma fila na O´Connel (avenida principal) para esperar o táxi e NINGUÉM FURA A FILA!!!!
A balada começa super cedo...8 da noite os pubs estão bombando e a festa vai até umas 5 da manhã.
James Joyce é herói nacional. Tem o pub dele, estátudas espalhadas pela cidade, o cemitério que ele está, suas escrituras, tem de tudo. Ele é Pelé irlandês. Com a diferença que além de ídolo nacional, não tenho medo de dizer, é o melhor escritor do século XX.
Minhas noites foram fantásticas. Conheci muita gente, dei risada em inglês, alemão, francês, italiano, espanhol e, claro, português. Me diverti ao som de "umbrela", pus o pé para uma italiana biscate tomar um tombo, fiquei bêbada de quase cair no chão na saída da fábrica da Guiness, não entendi quase nada que um irlandês fala (maldito sotaque), achei que dois irlandeses conversando em gaélico era uma briga e também não entendi porque os pontos de ônibus são ao contrário.
Dias que nunca mais vou esquecer. E que não seriam os mesmos sem Marininha, Gabis e Tiago. Obrigada por serem meus amigos. Obrigada pelas risadas. Obrigada.
Embora com status de capital, tem cara de cidade pequena que dá vontade de dar um abraço. Tirando a porra da chuva que é muito corta foda, Dublin é perfeita. Primeiro que todo mundo é bonito. Na boa, tirei foto com o mendigo para mostrar para minha mãe que até os homeless da cidade são bonitos. É um dos salários mínimos mais altos da Europa. Imagina, você, o 'cumim' (menos que garçom) ganhando o suficiente que dá para viajar pela Europa nas férias...pois é..por essas e outras que vem gente do mundo todo para Dublin.
Dublin é a disney do europeu. Engarrafamento é demorar meia hora de busão (que NUNCA ESTÁ CHEIO) do bairro distante até o centro. Igreja lá é igual boteco na periferia - cada esquina tem um. Só que os 'botecos' dublinenses datam do início do século e dão vontade de chorar tamanha complexidade arquitetônica.
Só tem casinha baixinha. E as portas são coloridas. Tradição que perdurou dos idos tempos de dominção inglesa quando esses, obrigavam a família irish a pintar a porta de casa de uma determinada cor para poder identificá-los. Em protesto, a cidade toda pintou as portas cada uma de uma cor.
Ninguém recebe troco no busão. Você põe o dinheiro numa caixinha, se tiver troco, vc recebe um tipo de 'vale' - em que o troca por dinheiro de verdade (obviamente, ninguém faz isso).
O lema 'se beber não dirija' é lei. É muito raro ver carros na madrugada dublinense que não sejam táxi ou busão. (a frota de táxi dessa cidade é de 60 mil carros - maior que nova iorque. Detalhe, a cidade só tem 2 milhões de habitantes). É tão bonitinho de madrugada, as pessoas fazem uma fila na O´Connel (avenida principal) para esperar o táxi e NINGUÉM FURA A FILA!!!!
A balada começa super cedo...8 da noite os pubs estão bombando e a festa vai até umas 5 da manhã.
James Joyce é herói nacional. Tem o pub dele, estátudas espalhadas pela cidade, o cemitério que ele está, suas escrituras, tem de tudo. Ele é Pelé irlandês. Com a diferença que além de ídolo nacional, não tenho medo de dizer, é o melhor escritor do século XX.
Minhas noites foram fantásticas. Conheci muita gente, dei risada em inglês, alemão, francês, italiano, espanhol e, claro, português. Me diverti ao som de "umbrela", pus o pé para uma italiana biscate tomar um tombo, fiquei bêbada de quase cair no chão na saída da fábrica da Guiness, não entendi quase nada que um irlandês fala (maldito sotaque), achei que dois irlandeses conversando em gaélico era uma briga e também não entendi porque os pontos de ônibus são ao contrário.
Dias que nunca mais vou esquecer. E que não seriam os mesmos sem Marininha, Gabis e Tiago. Obrigada por serem meus amigos. Obrigada pelas risadas. Obrigada.
kebab de cu é rola
Não vou falar da Irlanda. Pelo menos não agora. Fiz esse blog registrar a forma como vejo o mundo. Através das minhas observações das pessoas, o que vejo, o que crio, o que penso. Mas agora estou afim de falar de algumas coisas que estou sentindo...então não aconselho ninguém a ler esse texto..ele é só para mim mesmo, só para depois voltar, daqui um tempo e ler de novo.
Esse texto não merece ser lido porque não vou contar nada meu. Só vou repetir algo que todo mundo faz. (caralho, a porra da menina que mora do lado do meu dorm não pára de bater a porta)
Evitei. Tentei não olhar. Tentei não reparar na sua felicidade. Quis ignorar mesmo, achando que estava tudo bem. Mas não dava. Eu ficava pensando nisso, querendo saber como você estava mesmo que não faça mais parte da minha vida há muito tempo. Então ficava receosa de querer saber como você estava, se estava namorando, se estava bem no trabalho. Minha imaginação inventava situações que nunca existiram mas que meu coração jamais diria que essas sensações foram inventadas. ´
É como se eu tivesse vivido cada uma daquelas cenas na balada, com você me olhando, eu fingindo que não te via, com uma outra pessoa ao meu lado. Imaginava que vc viria conversar comigo. Como era seu fim de semana, no Ibirapuera, na Benedito KY, no cinema...e minha cabeça criava tanta coisa, que eu chegava a sentir o cheiro dos lugares imaginados, via a roupa que vocês estavam vestindo, sentia o gosto daquele maldito kebab.
Tomei coragem e parei de imaginar. Resolvi 'perguntar'. Deixar de ver com meu coração e começar a sentir com a cabeça.
Mesmo morrendo de medo resolvi encarar a real. E foi a melhor coisa que fiz. hahahahahahah
se soubesse que seria tão fácil, tão bom teria feito antes. Você virou uma piada amarela - aquela que as pessoas entendem e falam "ah, tá...". Cortei o laço que existia. O que sobrou foi só dor de cotovelo mesmo... mas nada que o tempo não tenha curado. O tempo. Meu melhor amigo.
Como me sinto bem para continuar..é como se você não tivesse existido...ahahahhahaha e, você, de fato, não existe mais. Para sempre.
Esse texto não merece ser lido porque não vou contar nada meu. Só vou repetir algo que todo mundo faz. (caralho, a porra da menina que mora do lado do meu dorm não pára de bater a porta)
Evitei. Tentei não olhar. Tentei não reparar na sua felicidade. Quis ignorar mesmo, achando que estava tudo bem. Mas não dava. Eu ficava pensando nisso, querendo saber como você estava mesmo que não faça mais parte da minha vida há muito tempo. Então ficava receosa de querer saber como você estava, se estava namorando, se estava bem no trabalho. Minha imaginação inventava situações que nunca existiram mas que meu coração jamais diria que essas sensações foram inventadas. ´
É como se eu tivesse vivido cada uma daquelas cenas na balada, com você me olhando, eu fingindo que não te via, com uma outra pessoa ao meu lado. Imaginava que vc viria conversar comigo. Como era seu fim de semana, no Ibirapuera, na Benedito KY, no cinema...e minha cabeça criava tanta coisa, que eu chegava a sentir o cheiro dos lugares imaginados, via a roupa que vocês estavam vestindo, sentia o gosto daquele maldito kebab.
Tomei coragem e parei de imaginar. Resolvi 'perguntar'. Deixar de ver com meu coração e começar a sentir com a cabeça.
Mesmo morrendo de medo resolvi encarar a real. E foi a melhor coisa que fiz. hahahahahahah
se soubesse que seria tão fácil, tão bom teria feito antes. Você virou uma piada amarela - aquela que as pessoas entendem e falam "ah, tá...". Cortei o laço que existia. O que sobrou foi só dor de cotovelo mesmo... mas nada que o tempo não tenha curado. O tempo. Meu melhor amigo.
Como me sinto bem para continuar..é como se você não tivesse existido...ahahahhahaha e, você, de fato, não existe mais. Para sempre.
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
constatações
gostaria de fazer algumas primeiras observações:
em londres não tem guia...tipo, a calçada e a rua estão no mesmo nível...logo, você está no meio da rua, nem percebe e pode ser facilmete atropelada (essa última parte foi meio confidencial)
as pessoas não comem com faca. Pois é minha gente, garfo e colher é super in e faca, super out...sei lá, vai ver que é porque corta...
sabe aquela hisória suuuuuuuuuuper irritante de quando você está na escada do metrô super atrasado para chegar no trampo tem um casal ocupando todo o degrau e não te deixa passar na frente??? pois é, isso aqui em Londres não acontece....é tão bonitinho..as pessoas que não estão com pressa ficam do lado direito da escada, paradinhas, e quem está com pressa, sobe correndo pelo lado esquerdo...e num é que dá certo???? ainda vou tirar uma foto!!!
outra coisa, ninguém aqui fala "welcome" depois que vc fala "thanks". Eles falam "chears".....adorei...
o metrô é uma cidade subterrânea. Todo mundo que me conhece também está familiarizado com a minha obceção com o metrô. Simplesmente adooooooro os trilhos subterrâneos...aqui, tem tantos corredores e tantas baldeações que vc pode demorar mais de 20 minutos entre um corredor e outro....
pronto.
em londres não tem guia...tipo, a calçada e a rua estão no mesmo nível...logo, você está no meio da rua, nem percebe e pode ser facilmete atropelada (essa última parte foi meio confidencial)
as pessoas não comem com faca. Pois é minha gente, garfo e colher é super in e faca, super out...sei lá, vai ver que é porque corta...
sabe aquela hisória suuuuuuuuuuper irritante de quando você está na escada do metrô super atrasado para chegar no trampo tem um casal ocupando todo o degrau e não te deixa passar na frente??? pois é, isso aqui em Londres não acontece....é tão bonitinho..as pessoas que não estão com pressa ficam do lado direito da escada, paradinhas, e quem está com pressa, sobe correndo pelo lado esquerdo...e num é que dá certo???? ainda vou tirar uma foto!!!
outra coisa, ninguém aqui fala "welcome" depois que vc fala "thanks". Eles falam "chears".....adorei...
o metrô é uma cidade subterrânea. Todo mundo que me conhece também está familiarizado com a minha obceção com o metrô. Simplesmente adooooooro os trilhos subterrâneos...aqui, tem tantos corredores e tantas baldeações que vc pode demorar mais de 20 minutos entre um corredor e outro....
pronto.
dia engraçado
Louca. Essa é a palavra mais próxima para revelar um pouquinho do que eu sou. Londres tem um sério problema. Tanto pela manhã como à noite, é igualzinho..então se você tirar uma soneca, pode demorar um tempinho para saber se é manhã ou noite. E foi exatamente essa minha experiência (nem precisei de drogas para isso).
Ainda não tive coragem de mudar o horário do meu relógio de pulso. Então cada vez que olho no relógio tenho que ficar fazendo contas. Talvez more aí, parte da explicação do absurdo que vou contar.
Quando levantei hoje, o relógio marcava 6h30. Mas não sei porque razão, achei que eram 6h30 da tarde. Levantei desesperada porque tinha que comprar panelas, comida, descobrir como faço para ir para o aeroporto (vou para Dublin amanhã, mas isso é uma nova história)...ah, sei lá, mil coisas...(como já diria adriane galisteu). E, principalmente, arrumar a porra das tomadas do meu quarto que há três dias não funcionavam, logo não podia usar o computador, a máquina fotógráfica e principalmente, O SECADOR...
Levantei correndo, fui na recepção do prédio expliquei pela décima vez meu problema, disseram que iriam me mudar de quarto. Fui correndo na rua, comprar alguma coisa para comer e tentar resolver parte dos meus problemas. Comecei a reparar quea rua estava bem deserta...andei por vários lugares e tudo estava fechado. Achei que era feriado e eu não sabia.
Andei para cima e para baixo e só tinha gente da construção civil...achei um pouco estranho mas, pensei : "esse pessoal sim trabalha muito". Não conseguia tirar a idéia da minha cabeça que tinha dormido 18 horas. Inclusive liguei para um amigo aqui em Londres (mais tarde fui entender porque ele só ficava bocejando durante a ligação) e ainda insisti por instruções para ir para o tal aeroporto Stansted e, o sonolento rapaz, não sabia como me ajudar.
Fui no mac donnald´s´- único lugar aberto nesse 'fim de tarde' - e chegando lá perguntei para a mulher porque não serviam o menu normal, como em qualquer mac donnald´s do mundo...ela deu um sorriso e respondeu: "pq de manhã as pessoas não gostam de hamburguer".....
Ainda não tive coragem de mudar o horário do meu relógio de pulso. Então cada vez que olho no relógio tenho que ficar fazendo contas. Talvez more aí, parte da explicação do absurdo que vou contar.
Quando levantei hoje, o relógio marcava 6h30. Mas não sei porque razão, achei que eram 6h30 da tarde. Levantei desesperada porque tinha que comprar panelas, comida, descobrir como faço para ir para o aeroporto (vou para Dublin amanhã, mas isso é uma nova história)...ah, sei lá, mil coisas...(como já diria adriane galisteu). E, principalmente, arrumar a porra das tomadas do meu quarto que há três dias não funcionavam, logo não podia usar o computador, a máquina fotógráfica e principalmente, O SECADOR...
Levantei correndo, fui na recepção do prédio expliquei pela décima vez meu problema, disseram que iriam me mudar de quarto. Fui correndo na rua, comprar alguma coisa para comer e tentar resolver parte dos meus problemas. Comecei a reparar quea rua estava bem deserta...andei por vários lugares e tudo estava fechado. Achei que era feriado e eu não sabia.
Andei para cima e para baixo e só tinha gente da construção civil...achei um pouco estranho mas, pensei : "esse pessoal sim trabalha muito". Não conseguia tirar a idéia da minha cabeça que tinha dormido 18 horas. Inclusive liguei para um amigo aqui em Londres (mais tarde fui entender porque ele só ficava bocejando durante a ligação) e ainda insisti por instruções para ir para o tal aeroporto Stansted e, o sonolento rapaz, não sabia como me ajudar.
Fui no mac donnald´s´- único lugar aberto nesse 'fim de tarde' - e chegando lá perguntei para a mulher porque não serviam o menu normal, como em qualquer mac donnald´s do mundo...ela deu um sorriso e respondeu: "pq de manhã as pessoas não gostam de hamburguer".....
me rendi
Sempre quis ter um blog. Isso é fato. Por mais que zoasse quem tinha blog e tal sempre achei umj coisa legal mas com um péssimo defeito: todo mundo pode ler o que escrevo. Inclusive aqueles pessoas por quem, momentaneamente, estou falando mal!!! Mesmo que sejam meus amigos, afinal, atire a primeira pedra quem nunca quis atacar uma pedra na cabeça de um amigo!!!!
Mas, agora, como estou em Londres, posso falar mal de quem quiser, posso não falar de ninguém (aí não vão encher meu saco do tipo, 'poxa, tb tava com vc na balada e vc nem me citou') as pessoas que serão mencionadas aqui, certamente não sabem ler português, então....fuck brother (ahahahha versão inglesa para o meu bordão já aclamado pelas massas 'foda-se mano').
Mas, agora, como estou em Londres, posso falar mal de quem quiser, posso não falar de ninguém (aí não vão encher meu saco do tipo, 'poxa, tb tava com vc na balada e vc nem me citou') as pessoas que serão mencionadas aqui, certamente não sabem ler português, então....fuck brother (ahahahha versão inglesa para o meu bordão já aclamado pelas massas 'foda-se mano').
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