Eu preciso de rotulos. Mas nao foi facil assumir isso. Porque o que e, hoje, pode nao ser, ou pode ser so amanha...parece que ninguem se importa muito se ta rolando, se nao ta, se vai ser...e, ai de voce se pergunta alguma coisa ou tenta colocar limites e rotulos numa relacao....nossa, um horror. Pois e, mas sou assim...e acho que precisei ir para longe para dar nomes aos sentimentos e para o que certas pessoas representam para mim.
Mas, ainda mais dificil do que aceitar essa minha babaca necessidade de colocar etiqueta nas pessoas ou nas relacoes e quando preciso mudar o nome de certas etiquetas. Quando tenho que mudar a etiqueta do tipo 'assunto proibido' para 'assunto morto'. Sei que esse assunto nao e mais um fantasma para mim, meus amigos sabem disso mas parece que ninguem quer tocar no 'assunto proibido'. Foi preciso eu ver o 'assunto proibido', nao reconher o que era para descartar e hoje de 'assunto morto' foi para o bulk dos entitled.
So que as coisas tornam-se ainda mais dificeis quando certas etiquetas, nao simplesmente desaparecem, mas surgem com um rotulo completamente diferente. Era aquela etiqueta que me cobrava, que era o pai do meu super ego, que me ensinou a ter medo, que me controlou todos esses anos, qeu nao me deixou criar, que me fez ter culpa por ter trocado a roupa da barbie e ter a deixado pelada porque a noite estava muito quente para ela dormir com roupa...quando essa etiqueta que, de certa forma, me massacrou mas ao mesmo tempo me fez conhecer o meu limite, me ensinou a aceitar calada certas injusticas, me ajudou a ter forca em certos trechos do caminho. Por mais dolorida que tenha sido essa forca...dor quase fisica mesmo.
De repente, essa etiqueta se aparece para mim precisando da minha ajuda. "Como assim? Eu nao posso te ajudar! Voce que sempre forcou, me ajudou...nao saia do meu pedestal..por favor, nao sei se vou aguentar!", juro que nos pensamentos supliquei isso.
Como poderia olhar com respeito de novo? Ele derrapou..ele nao tinha direito! Ele nao tinha erros...Ele estava na caixinha do 'mal necessario'. Tipo biotonico funtora, ninguem gosta mas tem que tomar porque faz bem...tipo isso. E, agora, qual vai ser o novo rotulo? 'quase bom' ou 'so faca algumas coisas do que eu digo'....nao sei se consigo separ isso. Nao consigo dar meios rotulos para as minhas sensacoes e sentimentos...tipo 'ficante de final de semana' ou 'peguete de ferias'.
Preciso ter conversas estranhas em estacionamentos de meia luz. Sair do carro batendo a porta. Me jogar na balada e me sentir bonita. Para no dia seguinte me arrepender e pedir desculpas. Preciso conversar e saber suas piores intencoes. Mas preciso colocar uma etiquetinha...mesmo que seja de 'sem etiqueta' ou esteja na pasta 'alhures' ou 'tanto faz'.
Achei que isso era so um problema meu. Ate que fui visitar a nova Daslu no shopping Cidade Jardim. Fabulosa, nada parecido para as lojas concentradas do tipo mall...acho que so Dubai tem alguma coisa parecida...enfim...sensacoes a parte, no meio de tantas coisas maravilhosas foi um vestido do Valentino que me fez pensar em parcelar ate o final da vida.
Preto, nada-basico, com rendas na parte de cima que lembrava, de lembra, de leve, as rendas do desfile de janeiro da Prada...ai ai ...delicadamente tirei da arara, vi que nao era do meu tamanho e me arrisquei. Pedi para a vendedora um do meu tamanho: ja tinha decidido..ia pelo menos provar.
A vendedora, foi buscar o meu tamanho e la de longe, quando vinha na minha direcao com aquele belissimo Valentino. Arrisquei ate um Jimmy Choo..what tha hell...eu tenho o direito. Peguei o vestido e fui ate o provador que era GIGANTE...tinha ate um sofa la dentro..foi nessa hora que descobri o rotulo.
Sentei no sofa e comecei a ver detalhadamente todos as costuras, as duas saias, as rendas, laco na cintura, gola do tipo tulipa...lindo lindo lindo....ainda nao tinha visto o preco...chegou essa hora. Quando peguei a etiqueta e para minha surpresa estava escrito "nao vender esse vestido. Esta reservado para a Glaucia do Rogerio ir no casamento da Lucinha." E, em caneta vermelha estava escrito: "Nao vender para ninguem que for no casamento da Lucinha". Achei o maximo. Claro que nem importava mais com o Valentino mas com a falta de classe que consiguiram deixar o vestido. E, obvio, a necessidade de rotulos.
*****
Demorei para atualizar. Tem demonios que em certas fases da vida sao dificieis de encarar. Esse blog e um deles.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
'Meus' e 'Minhas'
Nao sei se e porque todo mundo e ingles. Ou se ja estao acostumados com o jeito europeu de ser. Parece que ingles nunca passa perrengue. Parece que existe uma forca, uma voz que faz com que eles sempre saibam o que tem que fazer e todos eles fazem sempre do mesmo jeito.
O dia da apresentacao da minha proposta foi a redencao dessa teoria. Todo mundo apresentou seus trabalhos exatamente da mesma forma. Menos eu. Chegava ate a ser tediante porque, depois de algumas apresentacoes, voce ja sabe qual sera o proximo slide uma vez que todo mundo organizou sua apresentacao da mesma forma. Quem falou para eles como tinha que ser?
Sabe quando te convidam para ir numa festa ou num lugar que voce nao conhece ninguem e sempre pensa: 'que roupa eu vou?' Dai pondera: Nao posso mostrar muito o corpo porque nao conheco a galera e vao me chamar de biscate; tenis eu nao sei se e legal; chapeu vao me chamar de esnobe; cintura alta vao me chamar de bunduda...e ai vai, por eleminacao voce vai criando sua roupa, ou senao, voce simplesmente acordou com vontade de usar vermelho com azul...isso acontece muito comigo..acordo com vontade de usar uma determinada cor ou estampa..nefim..assunto para outro post. Mas mesmo usando a tecnica da eliminacao na roupa ainda existe uma forte chance de voce errar, e ir diferente de todo mundo. Com ingles esse tipo de coisa nao acontece. Eles sempre sabem que roupa usar e nao se sentir sem amigos por causa da roupa. Ta exemplo bobo.
Queria muito saber o que acontece: por que dessa uniformidade? nao existe gente deslocada. Ou melhor, existe. So que os deslocados so andam entre eles, entao nao ficam tao deslocados assim.
Se tem um show, voce nunca ve ninguem perdido no meio do caminho procurando a entrada certa. Parece que todo mundo sabe qual e a entrada certa. E se tem gente procurando o caminho e estrangeiro. Sem duvida! Onibus e outra coisa. Voce nunca ve ingles esperando hoooooooras no ponto de onibus pelo night bus. E sempre estrangeiro ou bebado que, por mais ingles que seja, a bebida fala mais alto em qualquer nacionalidade. Mas eles sempre chegam e minutos depois o onibus chega. Como eles sabiam???
As coisas aqui funcionam com uma uniformidade e falta de senso de improvisacao que chega a dar medo. Ainda mais se voce nao faz parte do grupo 'dos que dao certo'. Se voce e do meu grupo, que sempre procura caminho, fica horas na internet para nao errar e mesmo assim chega pelo lado errado. Tem a aprentacao mais diferente de todo mundo e, ao final, nao sabe se os olhares de espanto sao devido a sua competencia ou um estranhamento por ver algo tao diferente.
Por mais que falem em brit style - estou no meu 3 livro para entender o tal 'brit style' - consigo ver uma criatividade e um certo estilo mesmo. Mas e sempre algo esperado. E como se a criatividade, por mais inusitada que seja esta sempre dentro de um mesmo leque de opcoes, de acoes e reacoes.
Por isso, aquela festa qeu rolou no metro de Londres ha umas duas semanas atras Booze Party me deixou meio surpresa.
Deixando algo longo em curto: Londres esta ficando uma cidade chata. Nao pode fumar em balada. Os pubs estao fechando a 1 da manha e, agora, nao pode mais beber dentro de onibus, metro ou trem. Entao, ha umas semanas atras, era o ultimo dia antes dessa lei vigorar. Um monte de gente, desconhecido, resolveu que iria fazer a 'booze party' e encher a lata, na ultima madrugada que era permitido beber. Um pessoal foi preso e bla bla bla...So que isso nao e algo muito esperado de ingles. Ingles nao protesta. Ele lamenta assistindo Big Brother na sala de jantar. Mas talvez porque toda essa situacao envolva bebida...por isso as pessoas 'protestaram'. Mas so durou aquela noite. Ainda fiquei esperando, reacoes mais ousadas, mas nada. Parece qeu aquela mesma voz ou forca avisou todo mundo quando era hora de parar. Ate quando podiam se 'manifestar' e depois todo mundo que tinha que ir para casa. Duvido qeu teve alguem protestando no dia seguinte, por exemplo. Nao teve. Porque ingles ja ta treinado. Todo mundo faz tudo igual. Sempre.
******
Assim como tantos textos que ja escrevi relatando alguma experiencia passada, como 'minhas ferias' ou 'minha familia' ou 'meus amigos' vou escrever sobre 'minha primeira suspeita de bomba no metro'.
Fim de tarde. Um calor dos infernos. Aqui so faz calor duas vezes por mes, entao nem reclamo que o metro e quente, porque sei que alguns dias depois volta a ficar frio. Enfim. Voltando do trabalho com mais uma amiga - trabalhando numa semana de moda que ta rolando por aqui. Estavamos no metro, batendo aquele super papo animadissimo falando sobre o bias cut e referencias de Vicktor & Rolf no ultimo desfile (se tivessem homens heterossexuais no recinto o assunto seria outro) quando comeca: a porta do metro abre, uma voz berra mandando todo mundo evacuar a estacao. So que eu e minha amiga, no nosso animadissimo papo, nem prestamos atencao no que estavam falando muito menos no que as pessoas estavam fazendo. E enquanto tava todo mundo saindo da estacao, nos duas, entrando. Dai vem um carinha manco correndo atras da gente. No meio de tanta euforia e palavras cupidas entendemos 'bomba' 'ameaca'. Seguimos ele, pegamos um corredorzinho de emergencia e poucos minutos depois a gente estava fora da estacao.
Ja tava achando que a situacao era super seria ainda mais porque o ar estava meio esfumacado. Ao sair na rua, ja estava imaginando aquele furduncio de imprensa, corre-corre, gente na maca, sangue e eu me lamentando por nao estar com a minha camera. Mas nao. Quando fui la fora, as pessoas tinham saido organizadamente do metro, e estavam pegando um onibus. Nenhum carro de imprensa. Ninguem machucado. No dia seguinte, procurei nos jornais e no site da BBC para saber o qeu tinha acontecido. Nenhuma linha a respeito. Nada. E assim, estado de panico.
****
Seguindo a serie 'meus' e 'minhas', ha uns finais de semana atras fui no 'meu primeiro churrasco londrino'. Tenho uns amigos que sao da Escandinavia. Super ricos e moram num apartamento que tem quintal. Nao e sacada. E quital mesmo. Me ligaram, falando para a gente fazer um barbecue. Fiquei super animada, ja imaginando a cena: laje, pagode, gente bonita, presenca de famosos e clima de paquera. Separei meu shortinho, coloquei um sambao de raiz no IPOD e fui qeu fui para South Kenkington na lotacao.
Mentira.
Mas me preparei para animacao. So tinha uma coisa que nao tinha entendido na mensagem: meu amigo me perguntou se eu 'ia comer'. Que tipo de pergunta era aquela? Como assim? Se eu vou comer? Quem vai num churrasco e nao come? Nem qeu seja um paozinho?
Enfim, levei bebida. Chegando la, qual foi a minha surpresa? Cada um levou a sua comida e a sua bebida no churrasco. Ninguem divide nada. Lembro de quando uma menina chegou literalmente com uma marmitinha na mao: um salmao embrulhado num papel aluminio. Cada um ia ate a grelha, levava sua meia duzia de salsichas e pedacos de frango e esquentava o seu. Depois, ia na geladeira, pegava sua meia duzia de latinhas, se juntava com mais dois amigos e ia comer num canto.
O dia da apresentacao da minha proposta foi a redencao dessa teoria. Todo mundo apresentou seus trabalhos exatamente da mesma forma. Menos eu. Chegava ate a ser tediante porque, depois de algumas apresentacoes, voce ja sabe qual sera o proximo slide uma vez que todo mundo organizou sua apresentacao da mesma forma. Quem falou para eles como tinha que ser?
Sabe quando te convidam para ir numa festa ou num lugar que voce nao conhece ninguem e sempre pensa: 'que roupa eu vou?' Dai pondera: Nao posso mostrar muito o corpo porque nao conheco a galera e vao me chamar de biscate; tenis eu nao sei se e legal; chapeu vao me chamar de esnobe; cintura alta vao me chamar de bunduda...e ai vai, por eleminacao voce vai criando sua roupa, ou senao, voce simplesmente acordou com vontade de usar vermelho com azul...isso acontece muito comigo..acordo com vontade de usar uma determinada cor ou estampa..nefim..assunto para outro post. Mas mesmo usando a tecnica da eliminacao na roupa ainda existe uma forte chance de voce errar, e ir diferente de todo mundo. Com ingles esse tipo de coisa nao acontece. Eles sempre sabem que roupa usar e nao se sentir sem amigos por causa da roupa. Ta exemplo bobo.
Queria muito saber o que acontece: por que dessa uniformidade? nao existe gente deslocada. Ou melhor, existe. So que os deslocados so andam entre eles, entao nao ficam tao deslocados assim.
Se tem um show, voce nunca ve ninguem perdido no meio do caminho procurando a entrada certa. Parece que todo mundo sabe qual e a entrada certa. E se tem gente procurando o caminho e estrangeiro. Sem duvida! Onibus e outra coisa. Voce nunca ve ingles esperando hoooooooras no ponto de onibus pelo night bus. E sempre estrangeiro ou bebado que, por mais ingles que seja, a bebida fala mais alto em qualquer nacionalidade. Mas eles sempre chegam e minutos depois o onibus chega. Como eles sabiam???
As coisas aqui funcionam com uma uniformidade e falta de senso de improvisacao que chega a dar medo. Ainda mais se voce nao faz parte do grupo 'dos que dao certo'. Se voce e do meu grupo, que sempre procura caminho, fica horas na internet para nao errar e mesmo assim chega pelo lado errado. Tem a aprentacao mais diferente de todo mundo e, ao final, nao sabe se os olhares de espanto sao devido a sua competencia ou um estranhamento por ver algo tao diferente.
Por mais que falem em brit style - estou no meu 3 livro para entender o tal 'brit style' - consigo ver uma criatividade e um certo estilo mesmo. Mas e sempre algo esperado. E como se a criatividade, por mais inusitada que seja esta sempre dentro de um mesmo leque de opcoes, de acoes e reacoes.
Por isso, aquela festa qeu rolou no metro de Londres ha umas duas semanas atras Booze Party me deixou meio surpresa.
Deixando algo longo em curto: Londres esta ficando uma cidade chata. Nao pode fumar em balada. Os pubs estao fechando a 1 da manha e, agora, nao pode mais beber dentro de onibus, metro ou trem. Entao, ha umas semanas atras, era o ultimo dia antes dessa lei vigorar. Um monte de gente, desconhecido, resolveu que iria fazer a 'booze party' e encher a lata, na ultima madrugada que era permitido beber. Um pessoal foi preso e bla bla bla...So que isso nao e algo muito esperado de ingles. Ingles nao protesta. Ele lamenta assistindo Big Brother na sala de jantar. Mas talvez porque toda essa situacao envolva bebida...por isso as pessoas 'protestaram'. Mas so durou aquela noite. Ainda fiquei esperando, reacoes mais ousadas, mas nada. Parece qeu aquela mesma voz ou forca avisou todo mundo quando era hora de parar. Ate quando podiam se 'manifestar' e depois todo mundo que tinha que ir para casa. Duvido qeu teve alguem protestando no dia seguinte, por exemplo. Nao teve. Porque ingles ja ta treinado. Todo mundo faz tudo igual. Sempre.
******
Assim como tantos textos que ja escrevi relatando alguma experiencia passada, como 'minhas ferias' ou 'minha familia' ou 'meus amigos' vou escrever sobre 'minha primeira suspeita de bomba no metro'.
Fim de tarde. Um calor dos infernos. Aqui so faz calor duas vezes por mes, entao nem reclamo que o metro e quente, porque sei que alguns dias depois volta a ficar frio. Enfim. Voltando do trabalho com mais uma amiga - trabalhando numa semana de moda que ta rolando por aqui. Estavamos no metro, batendo aquele super papo animadissimo falando sobre o bias cut e referencias de Vicktor & Rolf no ultimo desfile (se tivessem homens heterossexuais no recinto o assunto seria outro) quando comeca: a porta do metro abre, uma voz berra mandando todo mundo evacuar a estacao. So que eu e minha amiga, no nosso animadissimo papo, nem prestamos atencao no que estavam falando muito menos no que as pessoas estavam fazendo. E enquanto tava todo mundo saindo da estacao, nos duas, entrando. Dai vem um carinha manco correndo atras da gente. No meio de tanta euforia e palavras cupidas entendemos 'bomba' 'ameaca'. Seguimos ele, pegamos um corredorzinho de emergencia e poucos minutos depois a gente estava fora da estacao.
Ja tava achando que a situacao era super seria ainda mais porque o ar estava meio esfumacado. Ao sair na rua, ja estava imaginando aquele furduncio de imprensa, corre-corre, gente na maca, sangue e eu me lamentando por nao estar com a minha camera. Mas nao. Quando fui la fora, as pessoas tinham saido organizadamente do metro, e estavam pegando um onibus. Nenhum carro de imprensa. Ninguem machucado. No dia seguinte, procurei nos jornais e no site da BBC para saber o qeu tinha acontecido. Nenhuma linha a respeito. Nada. E assim, estado de panico.
****
Seguindo a serie 'meus' e 'minhas', ha uns finais de semana atras fui no 'meu primeiro churrasco londrino'. Tenho uns amigos que sao da Escandinavia. Super ricos e moram num apartamento que tem quintal. Nao e sacada. E quital mesmo. Me ligaram, falando para a gente fazer um barbecue. Fiquei super animada, ja imaginando a cena: laje, pagode, gente bonita, presenca de famosos e clima de paquera. Separei meu shortinho, coloquei um sambao de raiz no IPOD e fui qeu fui para South Kenkington na lotacao.
Mentira.
Mas me preparei para animacao. So tinha uma coisa que nao tinha entendido na mensagem: meu amigo me perguntou se eu 'ia comer'. Que tipo de pergunta era aquela? Como assim? Se eu vou comer? Quem vai num churrasco e nao come? Nem qeu seja um paozinho?
Enfim, levei bebida. Chegando la, qual foi a minha surpresa? Cada um levou a sua comida e a sua bebida no churrasco. Ninguem divide nada. Lembro de quando uma menina chegou literalmente com uma marmitinha na mao: um salmao embrulhado num papel aluminio. Cada um ia ate a grelha, levava sua meia duzia de salsichas e pedacos de frango e esquentava o seu. Depois, ia na geladeira, pegava sua meia duzia de latinhas, se juntava com mais dois amigos e ia comer num canto.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Chegada do Verao
E capaz que vai ter alguem que ao ler o titulo do post vai pensar 'puta babaca, escrever um post so sobre tempo. Falta de assunto'. Mas olha, nao e so uma estacao do ano. Tudo bem que o verao nao chegou, mas e como se fosse. O sol saiu do esconderijo depois de 9 meses, os dias estao super quentes e, com isso, a breguice inglesa tambem deixou de lado os casacoes pesados e botas ate o joelho para mostrar todo seu 'estilo'.
As vezes fico com um pouco de pena de europeu. Sabe como a gente fica na vespera do Ano Novo? Quando a gente prepara tudo para pre- balada de ano novo e pos-balada de ano novo? Pois e, aqui e igual. So que um continente inteiro desesperado, arrancando com um vigor quase indescritivel cada folhinha do calendario do mes de maio olhando sempre para junho. Fazendo planos de trabalhar em Ibiza, Grecia, arrumar um namorado, juntar dinheiro, fazer estagio, ir para Barcelona...
Sem falar que, como estao felizes, se perminetem um pouco mais. Entao voce vai em qualquer gramadinho da cidade tem sempre meia duzia, em volta de um violao fazendo um pique-nique no parque. A impressao que tenho e que quando o sol sai as pessoas ganham 'day off' no trabalho. Porque voce pode ir em qualquer pub as duas da tarde e esta lotado, (do lado de fora), parque - a mesma coisa.
Ah, nao podia esquecer, os festivais europeus. Glastonbury, Leeds, Liverpool, Sonar e todos os outros que cada verao aumenta um pouquinho mais, esse fim de semana eu ja fui contaplada com um festival. Aniversario de Bangladesh. Estava dormindo, 10 da manha, quando comeca o barulho dos tambores, sinhos e enrolar de lingua (tipo quando os 3 hare-khrishnas que sempre estao na Av. Paulista resolvem celebrar alguma coisa nova) so que muito maior...ai ai...ta prometendo o verao.
A impressao que tenho e que absolutamente todo mundo tem carro conversivel. E muito coisa de novo rico. Novo rico que nao sabe mais como mostrar, compra um carro conversivel na epoca do verao e faz questao de tirar o capo so quando esta no semaforo, assim todo mundo na rua repara em seu apertar de botoes que transforma o veiculo. Depois ele liga aquele o ultimo sucesso de grime e vai passear na Oxford Street (para isso paga £7 por dia). La, ele fica olhando para a turistaiada derretendo dentro ou fora das lojas.
Isso porque esse pais nao esta pronto para o verao. Nao existe ar condicionado aqui. Entao esta fazendo 26 graus la fora, e as lojas, bancos, restaurantes, bares...tudo sao extremamente quentes porque estao preparados so para o inverno. Uma delicia! Dai, para se refrescar, o que as pessoas fazem? Tomam agua e compram sorvente. Ontem eu fui em 2 supermercados e em 4 lojas de conveniencia e simplemente nao tinha agua. Ninguem conhece banho de mangueira nao????Ah, ainda tem o detalhe das janelas. Janela na Inglaterra quase nao abre. Ela abre so uns 10 centimetros na parte de cima entao nada de 'ventinho para refrescar'.
Mas o melhor e o metro. Quem ja veio para Londres, o metro e o melhor lugar no inverno. Porque ele e super quentinho. Da ate para tirar a blusa e ficar so de camiseta. NO INVERNO. Sem exagero, no verao fica quase impossivel andar de metro no fim da tarde. Minha opcao tem sido ficar o dobro do tempo num onibus lotado do que encarar o 'quentinho' do metro.
Ontem estava lendo o Independent quando dou de cara com uma foto de Brighton (cidade de praia mais proxima de Londres) no fim de semana. Nao perdia em nada para o Boqueirao. Dava ate para ver um grupinho tocando pagode. Puta farofada. E o pior e que eles nao tem essa nocao de 'ser farofeiro' porque, para eles, ir para praia ou parque levando um monte de comida e bebida e super normal. Entao nao tem nem graca falar que 'e farofa'. Isso sem falar na moda.
Uma menina da minha sala outro dia falou ' o melhor do verao e qeu agora sim a gente ve quem tem estilo e quem nao tem'. Deuzulivre. Como assim???? No inverno, a gente toma um apavoro da Europa em termos de moda, mas no verao. As coisas aqui esta quase horriveis. Claro que nao tudo. Mas um parte importante. A Topshop, loja que eu tanto gosto quanto trabalho, tem uma sessao G-I-G-A-N-T-E de 'basics'. Ou seja, so shorts, saia, camisinha ou 'blusinha' sem uma estampa, desenho, brincadeira..nada, totalmente plain. Da arrepio de lembrar. Sem falar que aqui nao existe aquela ideia de 'roupa de praia'. Qualquer roupa e usada em qualquer lugar por qualuqer pessoa. Entao vc vai no banco e a atendente esta com um chapeu de palha. O melhor de tudo, foi ontem, eu indo para a faculdade, andando na louca Oxford Street quando dou de cara com duas meninas de biquini, bronzeado artifical cor de cenoura a la Donatella Versace, entregando panfletos. 'Tipo, nem no Brasil e assim!!!!!' Gritei mentalmente: Booooooooom Senssssssssssssso.
Mas esta divertido. Nao sei se ainda vou pensar assim la pela metade de agosto...
xxxx
vou ter que dar um tempinho de escrever no blog. Ta foda. Apresento a proposta final do mestrado em algumas semanas.
As vezes fico com um pouco de pena de europeu. Sabe como a gente fica na vespera do Ano Novo? Quando a gente prepara tudo para pre- balada de ano novo e pos-balada de ano novo? Pois e, aqui e igual. So que um continente inteiro desesperado, arrancando com um vigor quase indescritivel cada folhinha do calendario do mes de maio olhando sempre para junho. Fazendo planos de trabalhar em Ibiza, Grecia, arrumar um namorado, juntar dinheiro, fazer estagio, ir para Barcelona...
Sem falar que, como estao felizes, se perminetem um pouco mais. Entao voce vai em qualquer gramadinho da cidade tem sempre meia duzia, em volta de um violao fazendo um pique-nique no parque. A impressao que tenho e que quando o sol sai as pessoas ganham 'day off' no trabalho. Porque voce pode ir em qualquer pub as duas da tarde e esta lotado, (do lado de fora), parque - a mesma coisa.
Ah, nao podia esquecer, os festivais europeus. Glastonbury, Leeds, Liverpool, Sonar e todos os outros que cada verao aumenta um pouquinho mais, esse fim de semana eu ja fui contaplada com um festival. Aniversario de Bangladesh. Estava dormindo, 10 da manha, quando comeca o barulho dos tambores, sinhos e enrolar de lingua (tipo quando os 3 hare-khrishnas que sempre estao na Av. Paulista resolvem celebrar alguma coisa nova) so que muito maior...ai ai...ta prometendo o verao.
A impressao que tenho e que absolutamente todo mundo tem carro conversivel. E muito coisa de novo rico. Novo rico que nao sabe mais como mostrar, compra um carro conversivel na epoca do verao e faz questao de tirar o capo so quando esta no semaforo, assim todo mundo na rua repara em seu apertar de botoes que transforma o veiculo. Depois ele liga aquele o ultimo sucesso de grime e vai passear na Oxford Street (para isso paga £7 por dia). La, ele fica olhando para a turistaiada derretendo dentro ou fora das lojas.
Isso porque esse pais nao esta pronto para o verao. Nao existe ar condicionado aqui. Entao esta fazendo 26 graus la fora, e as lojas, bancos, restaurantes, bares...tudo sao extremamente quentes porque estao preparados so para o inverno. Uma delicia! Dai, para se refrescar, o que as pessoas fazem? Tomam agua e compram sorvente. Ontem eu fui em 2 supermercados e em 4 lojas de conveniencia e simplemente nao tinha agua. Ninguem conhece banho de mangueira nao????Ah, ainda tem o detalhe das janelas. Janela na Inglaterra quase nao abre. Ela abre so uns 10 centimetros na parte de cima entao nada de 'ventinho para refrescar'.
Mas o melhor e o metro. Quem ja veio para Londres, o metro e o melhor lugar no inverno. Porque ele e super quentinho. Da ate para tirar a blusa e ficar so de camiseta. NO INVERNO. Sem exagero, no verao fica quase impossivel andar de metro no fim da tarde. Minha opcao tem sido ficar o dobro do tempo num onibus lotado do que encarar o 'quentinho' do metro.
Ontem estava lendo o Independent quando dou de cara com uma foto de Brighton (cidade de praia mais proxima de Londres) no fim de semana. Nao perdia em nada para o Boqueirao. Dava ate para ver um grupinho tocando pagode. Puta farofada. E o pior e que eles nao tem essa nocao de 'ser farofeiro' porque, para eles, ir para praia ou parque levando um monte de comida e bebida e super normal. Entao nao tem nem graca falar que 'e farofa'. Isso sem falar na moda.
Uma menina da minha sala outro dia falou ' o melhor do verao e qeu agora sim a gente ve quem tem estilo e quem nao tem'. Deuzulivre. Como assim???? No inverno, a gente toma um apavoro da Europa em termos de moda, mas no verao. As coisas aqui esta quase horriveis. Claro que nao tudo. Mas um parte importante. A Topshop, loja que eu tanto gosto quanto trabalho, tem uma sessao G-I-G-A-N-T-E de 'basics'. Ou seja, so shorts, saia, camisinha ou 'blusinha' sem uma estampa, desenho, brincadeira..nada, totalmente plain. Da arrepio de lembrar. Sem falar que aqui nao existe aquela ideia de 'roupa de praia'. Qualquer roupa e usada em qualquer lugar por qualuqer pessoa. Entao vc vai no banco e a atendente esta com um chapeu de palha. O melhor de tudo, foi ontem, eu indo para a faculdade, andando na louca Oxford Street quando dou de cara com duas meninas de biquini, bronzeado artifical cor de cenoura a la Donatella Versace, entregando panfletos. 'Tipo, nem no Brasil e assim!!!!!' Gritei mentalmente: Booooooooom Senssssssssssssso.
Mas esta divertido. Nao sei se ainda vou pensar assim la pela metade de agosto...
xxxx
vou ter que dar um tempinho de escrever no blog. Ta foda. Apresento a proposta final do mestrado em algumas semanas.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Dans le Noir
O corredor era estreitinho. Bum. Foi escurecendo, luz vermelha e bum. Tudo completamente escuro.
COmecou a me dar uma fobia. Um medo de que eu ia bater a cabeca no teto, ou que teriam alguns pilares na minha frente que imaginariamente tentava desviar. E quanto mais eu 'desviava' mais achava que ia bater. Quanto mais tentava me proteger mais achava que ia cair, mais achava que ia bater nos outros, que ia machucar alguem.
Takashi. Esse era o nome do nosso guia. Ele tinha avisado que ao entrarmos no restaurante deveriamos colocar a mao direita no ombro direito da pessoa da frente e entrarmos em fila indiana. Ele era a unica pessoa que quando falava comigo me sentia um pouco mais segura.
Quando entramos no salao principal do restaurante, naquele breu completo, comecei a desesperar. Eu sentia que minhas pupilas estavam dilatadas, buscando erroneamente alguma luz. Mas nao teria mais contato com qualuqer luz pelas proximas quase 3 horas.
Ele nos sentou em uma mesa que tinhamos que dividir com mais outras 10 pessoas. E o restaurante estava completamente lotado. So que por nao conseguirem se ver, as pessoas simplesmente gritavam. Falavam num tom ensurdecedor e aquela maravilhosa experiencia de comer no absoluto escuro um prato que eu nao fazia ideia do que poderia ser comecou a se tornar numa experiencia assustadora.
Meus ouvidos ouviam coisas que eu nunca tinha prestado atencao antes: ouvia o cara do meu lado mastigando o pao, o cara da mesa de tras mexendo o gelo no copo de wisky, a risada inglesa que precisava de escuro para poder aparecer livremente.
Comecei a desesperar. QUeria sentir cada pedaco. Cada respirada naquele ar quente. Queria sentir aquele medo. Mas eu nao conseguia. TUdo era distracao, uma taca que caia, alguem pedindo mais comida, risada. Muita risada, gritos, barulho. Nao aguentei. Comecei a chorar ali mesmo. Mas por que eu tava chorando? Nao sabia. SO sei que consegui me entregar aquele sentimento. Era um desespero, uma solidao, uma busca por luz. De olhar para os lados e pensar que na verdade todas aquelas pessoas so estavam passando pela vida e ninguem tava prestando atencao.
A inseguranca com medo do escuro e do desconhecido se tornava uma barreira tao grande e a falta de visao, literal, digo, nao enxergar mesmo e nao uma falta de visao mais filosofica, deixava-os tao vulneraveis que a unica saida era contar piada a noite inteira.
E incrivel que quando nao se enxerga, as pessoas erroneamente acreditam que nao se ouve e nao compreende as manifestacoes naturais do corpo tipo peido. Pode parecer engracao mas naquele restaurante em que todo mundo havia resgistrado com pelo menos um mes de antecedencia para conseguir uma mesa e deliciar as mais diversas comidas no mais completo escuro sentiam-se tao a vontade que simplesmente peidavam. Ou, discutiam sobre suas vidas sexuais. Ou, simplesmente falavam da pessoa do lado como se ela nao estivesse entendo o que estava sendo dito.
Como a percepcao do comportamento das pessoas muda quando vc, de fato, nao consegue ve-las para colocar seus pre-conceitos. Pessoas que do lado de fora, antes de entrarmos naquela experiencia noir se comportavam quase pedantemnte de tao educados chegando a me deixar sem graca, foi ao primeiro sinal da ausencia de olhos estrangeiros e julgadores para essas pessoas se mostrarem como sao. Quase como se estivessem em suas vidas privadas. Dentro daquele lar ingles medio, em que se trabalha 8 horas por dia, reclama do tempo e assiste programas de bizarrices na televisao.
Repassando agora na minha cabeca essa experienca de jantar no completo escuro e tentar fazer parelelos com a vida, com as coisas que eu vivo e de tentar observar as pessoas comeco a achar que essa historia nao tem fim...mesmo que eu tente criar um fim, um jeito de tentar justificar a minha ansiedade para aquilo acabar logo, minha frustracao por nao ter conseguido aproveitar aquela experiencia, minha vontade de mandar todo mundo calar a boca...a impressao que tenho e que essa insatifacao nao tem fim...
COmecou a me dar uma fobia. Um medo de que eu ia bater a cabeca no teto, ou que teriam alguns pilares na minha frente que imaginariamente tentava desviar. E quanto mais eu 'desviava' mais achava que ia bater. Quanto mais tentava me proteger mais achava que ia cair, mais achava que ia bater nos outros, que ia machucar alguem.
Takashi. Esse era o nome do nosso guia. Ele tinha avisado que ao entrarmos no restaurante deveriamos colocar a mao direita no ombro direito da pessoa da frente e entrarmos em fila indiana. Ele era a unica pessoa que quando falava comigo me sentia um pouco mais segura.
Quando entramos no salao principal do restaurante, naquele breu completo, comecei a desesperar. Eu sentia que minhas pupilas estavam dilatadas, buscando erroneamente alguma luz. Mas nao teria mais contato com qualuqer luz pelas proximas quase 3 horas.
Ele nos sentou em uma mesa que tinhamos que dividir com mais outras 10 pessoas. E o restaurante estava completamente lotado. So que por nao conseguirem se ver, as pessoas simplesmente gritavam. Falavam num tom ensurdecedor e aquela maravilhosa experiencia de comer no absoluto escuro um prato que eu nao fazia ideia do que poderia ser comecou a se tornar numa experiencia assustadora.
Meus ouvidos ouviam coisas que eu nunca tinha prestado atencao antes: ouvia o cara do meu lado mastigando o pao, o cara da mesa de tras mexendo o gelo no copo de wisky, a risada inglesa que precisava de escuro para poder aparecer livremente.
Comecei a desesperar. QUeria sentir cada pedaco. Cada respirada naquele ar quente. Queria sentir aquele medo. Mas eu nao conseguia. TUdo era distracao, uma taca que caia, alguem pedindo mais comida, risada. Muita risada, gritos, barulho. Nao aguentei. Comecei a chorar ali mesmo. Mas por que eu tava chorando? Nao sabia. SO sei que consegui me entregar aquele sentimento. Era um desespero, uma solidao, uma busca por luz. De olhar para os lados e pensar que na verdade todas aquelas pessoas so estavam passando pela vida e ninguem tava prestando atencao.
A inseguranca com medo do escuro e do desconhecido se tornava uma barreira tao grande e a falta de visao, literal, digo, nao enxergar mesmo e nao uma falta de visao mais filosofica, deixava-os tao vulneraveis que a unica saida era contar piada a noite inteira.
E incrivel que quando nao se enxerga, as pessoas erroneamente acreditam que nao se ouve e nao compreende as manifestacoes naturais do corpo tipo peido. Pode parecer engracao mas naquele restaurante em que todo mundo havia resgistrado com pelo menos um mes de antecedencia para conseguir uma mesa e deliciar as mais diversas comidas no mais completo escuro sentiam-se tao a vontade que simplesmente peidavam. Ou, discutiam sobre suas vidas sexuais. Ou, simplesmente falavam da pessoa do lado como se ela nao estivesse entendo o que estava sendo dito.
Como a percepcao do comportamento das pessoas muda quando vc, de fato, nao consegue ve-las para colocar seus pre-conceitos. Pessoas que do lado de fora, antes de entrarmos naquela experiencia noir se comportavam quase pedantemnte de tao educados chegando a me deixar sem graca, foi ao primeiro sinal da ausencia de olhos estrangeiros e julgadores para essas pessoas se mostrarem como sao. Quase como se estivessem em suas vidas privadas. Dentro daquele lar ingles medio, em que se trabalha 8 horas por dia, reclama do tempo e assiste programas de bizarrices na televisao.
Repassando agora na minha cabeca essa experienca de jantar no completo escuro e tentar fazer parelelos com a vida, com as coisas que eu vivo e de tentar observar as pessoas comeco a achar que essa historia nao tem fim...mesmo que eu tente criar um fim, um jeito de tentar justificar a minha ansiedade para aquilo acabar logo, minha frustracao por nao ter conseguido aproveitar aquela experiencia, minha vontade de mandar todo mundo calar a boca...a impressao que tenho e que essa insatifacao nao tem fim...
domingo, 23 de março de 2008
escocesa desde pequena
Se um dia eu tiver filhos, eles vao fazer intercambio em alguma escola da Escocia. Puta pais legal. Escoces nao tem aquele amargo ressentimento do Irlandes por um dia ter sido territorio ingles. E por outro lado nao e como o gales que jura que e ingles. Eles nao tao nem ai. Eles tem o dinheiro deles, usam saia no inverno, as construcoes das cidades sao sempre um castelo. E engracao vc entrar no Starbucks (Starfucks como ja diriamos eu e lolinha) que o predio e um castelo...
Mas o melhor e o ingles da Escocia. E assim; pega uma pessoa de Piracicaba, que fala aqeule R bem enRRRROLADO...e poe para falar ingles. E igualzinho. No comeco eu achei que tava cheio de estrangeiro em Edinburgh mas nao...escoces fala assim mesmo...Pena que blog nao tem som pq eu aprendi a imitar direitinho "Marrrry, wherrre arrre you???".
Mas o mais legal da Escocia sao as historias de bruxa. Eu nao sabia, mas todas essas lendas de bruxa, fantasma e historias de terror vem da Escocia e la a galera realmente acredita que isso existe. Um dia eu ate tentei discordar da existencia de bruxas com um escoces..ai ai ...
Entao, ta no inferno, abraca o capeta. Ou a bruxa. Eu e meus amigos nos increvemos para fazer um daqueles passeios noturnos por Edinburgh. O passeio ia da meia noite ate a uma e meia e vai contando um monte de historias e causos da cidade. So que Edinburgh so tem vielinhas e umas construcoes bem antigas...de dia ja e um pouquinho creppy, de noite entao...so sei que nos encontramos com o resto da turistaiada e fomos fazer um passeio com uma guia que, so para adiantar, era muito engracada.
So sei que la pelas tantas fomos ate o cemiterio. Ah, um adendo. Na Escocia, tudo era motivo para queimar as pessoas acusando-as de bruxaria. Absolutamente tudo. Se vc nao gostasse muito do seu chefe...era so falar que era bruxo ou bruxa. Dai comecava uma investigacao, detalhe, o bruxo ou bruxa em questao nao tinham direito a advogado de defesa. O teste final para saber se a pessoa estava envorvida com magia era o seguinte: amarrava a pessoa quase de cocoras, mas com a mao esquerda no joelho direito e a mao direita no joelho esqeurdo..quase numa cruz. Jogava a pessoa na agua. Se o corpo flutuasse ela era bruxa; se afundasse nao era. So que ai ja tinha morrido. Paciencia. Ai eles pediam desculpas.
Ah, ou melhor, os escoses nunca pediram desculpas para quem eles mataram na fogueira ou nesse ritual de afogamento. Tem uma placa em frente ao principal castelo de Edinburgh falando 'aqui e o local que as bruxas eram incendiadas'...mas em nenhum momento fala 'e nos pedimos desculpas por ter matado tanta gente'. Pelo que fiquei sabendo em uma conversa de bar eram mortos 8 pessoas por semana acusadas de bruxaria. Nao preciso nem falar que comecou a faltar gente na cidade. Foi ai, que eles resolveram que essa historia de bruxa, fantasma e tal, talvez fosse mentira...so que isso ja era o seculo XVIII.
Ah, mas nao acaba por ai. Voltando a historia de colocar o bruxo ou bruxa na agua. Se fosse verficado que a pessoa realmente tinha um dedidinho com o demo, nao bastava mata-lo afogado. Pegava-se o corpo e literalmente cortava-se em partes e depois botava fogo no picadinho. E sabe o qeu se fazia com as cinzas? Ia para a construcao civil. Afinal, nada de desperdicio. Isso mesmo, as cinzas dos envorvidos com o capeta serviam, junto com grama, esterco, lama e sei-la-mais-o-que, para construir os castelos da cidade. Dizem que e por causa disso que as ruas sao assombradas.
Ah, um outro detalhe interessantissimo desse pais da piada pronta, teve um rei, nao me lembro qual nome que resolveu que um determinado tipo de lama, seria bem aproveitado na construcao civil: barato e facil de arrumar o material. So tem uma coisa...o tempo da Escocia. A Escocia e pior do que a Irlanda. Chove quase todos os dias do ano. E quando nao chove neva ou venta muito. Construcoes usando lama, mais cedo ou mais tarde derreteriam...e foi isso que aconteceu..no seculo XVII, era comum pedacos de castelo ou torres de igreja simplesmente despencarem e matar uma galera...bom que dava para queimar esse pessoal e usar no reparo desses predios..ahahahahah
Ah, e uma ultima historia engracadissima..um outro brilhante rei resolveu que Edinburgh era uma cidade do futuro e queria construir mais edificacoes industriais na cidade. Como nao tinha espaco o qeu ele fez? Resolveu que usaria o territorio de dois dos tres cemiterios da cidade. Sabe o que ele fez com os tumulos dos cemiterios??? Literalmente jogou os restos mortas de dois cemiterios em um cemiterio. Entao, no cemiterio da cidade, nao tem como vc nao pisar em tumulos...absolutamente tudo e tumulo e o mais legal e que e super comum encontrar restos de gente mal-enterrados no chao.
Logo depois desse informativo e riquissimo passeio ao cemiterio fomos para um pub. Comecei a conversar com uns escoceses. Ai comecaram as historias bizarras. Um deles me contou da historia de Mary Dixessen (nao tenho certeza da grafia). Ela estava gravida e resolveu nao contar para ninguem que estava gravida. Resultado: foi acusada de bruxaria. Levaram ela para a guilhotinha (ela estava desacordada). A primeira quilhotinada nao deu certo, arrebentou so a coluna da Mary. Na segunda a Mary acordou. Dai foi o caos. Ela, gravida, comecou a dar um escandalo. So sei que pararam a sessao de matanca na hora e a corte escocesa comecou o seguinte debate: Mary Dixessen voltou por obra de Deus ou do Demonio? Ninguem chegou a um acordo. So sei que a mulher nao foi morta, casou, teve mais 8 filhos e abriu um pub. Inclusive aquele pub que eu estava era o da Mary Dixessen. Fantastico!
Ah, tambem viajei por algumas cidade do interior da Escocia. Nao tinha muito tempo mas fui ate o norte, no Lago Ness. Muito legal, paisagem linda, frio do caralho e assim como Edinburgh vc tem a impressao que esta numa cidade fanstasma. Porque as construcoes estao la, tem luz, vc sabe que tem vida mas nao ve as pessoas. E engracado isso na Escocia. Vc nao ve muita gente.
Mas o melhor foi a ultima noite em Edinburgh. Conhecemos uma galera no hostel e decidimos que iamos para a frenetica balada de Edinburgh (que acaba a 1 da manha). Tem um pub em Edinburgh que e muito engracado. Chama-se Global. Ja comeca que no primeiro dia que cheguei na cidade, era St. Patrick's Day. Entao tinha gente bebado desde as 5 da manha e todo mundo estava pintado de verde. So sei que a noite fomos ate esse pub. Na rua estava uma puta gritaria, so bebado louco..quando entramos no pub a galera sentatinha, super comportada, cada um com seu pedaco de papel e caneta respondendo um quizz ...testando seus conhecimentos sobre a Irlanda. Chorei de dar risada. Imagina vc entrar num pub e todo mundo quitinho, tipo fazendo uma prova. Dai tinha um fulano no microfone fazendo as perguntas. Pena que nao tirei uma foto.
Voltei la outro dia pq sabia, aquele pub era especial. E nao deu outra. No outro dia que eu voltei era especial Karaoke escoces. Meu deus do ceu, chorei de dar risada. Aquele monte de gordao, brancao, aquelas meninas enooooooooormes e sem o menor pudor de usar saia curta, decote e certamente estavam muito mais felizes com seu corpo do que eu com o meu dancando e cantando musicas tradicionais escocesas. Isso sem falar qeu a galera na Escocia, tem uma mania de ir para balada fantasiado. Entao tinha pirata, fanstasma, papai noel, ladrao, fada...no meio da balada e nao era festa a fantasia. A cena e tao estranha que nao da para descrever a sensacao de estar no meio daquela bagunca e de fato se sentir fazendo parte. Abracar aquele pessoal suado e com bafo de cerveja jurando que sao melhores amigos. Subir no karaoke, cantar musica em gaelico e ainda ser aplaudida. Em uma semana na Escocia me senti fazendo parte da brincadeira de tal forma que morando ha quase 8 meses em Londres nao me sinto.
Eu casaria com um escoces, teria filhinhos ruivos e mudaria para Escocia facil facil. Se nao der certo, ja fico satisfeita em poder voltar para la.
Mas o melhor e o ingles da Escocia. E assim; pega uma pessoa de Piracicaba, que fala aqeule R bem enRRRROLADO...e poe para falar ingles. E igualzinho. No comeco eu achei que tava cheio de estrangeiro em Edinburgh mas nao...escoces fala assim mesmo...Pena que blog nao tem som pq eu aprendi a imitar direitinho "Marrrry, wherrre arrre you???".
Mas o mais legal da Escocia sao as historias de bruxa. Eu nao sabia, mas todas essas lendas de bruxa, fantasma e historias de terror vem da Escocia e la a galera realmente acredita que isso existe. Um dia eu ate tentei discordar da existencia de bruxas com um escoces..ai ai ...
Entao, ta no inferno, abraca o capeta. Ou a bruxa. Eu e meus amigos nos increvemos para fazer um daqueles passeios noturnos por Edinburgh. O passeio ia da meia noite ate a uma e meia e vai contando um monte de historias e causos da cidade. So que Edinburgh so tem vielinhas e umas construcoes bem antigas...de dia ja e um pouquinho creppy, de noite entao...so sei que nos encontramos com o resto da turistaiada e fomos fazer um passeio com uma guia que, so para adiantar, era muito engracada.
So sei que la pelas tantas fomos ate o cemiterio. Ah, um adendo. Na Escocia, tudo era motivo para queimar as pessoas acusando-as de bruxaria. Absolutamente tudo. Se vc nao gostasse muito do seu chefe...era so falar que era bruxo ou bruxa. Dai comecava uma investigacao, detalhe, o bruxo ou bruxa em questao nao tinham direito a advogado de defesa. O teste final para saber se a pessoa estava envorvida com magia era o seguinte: amarrava a pessoa quase de cocoras, mas com a mao esquerda no joelho direito e a mao direita no joelho esqeurdo..quase numa cruz. Jogava a pessoa na agua. Se o corpo flutuasse ela era bruxa; se afundasse nao era. So que ai ja tinha morrido. Paciencia. Ai eles pediam desculpas.
Ah, ou melhor, os escoses nunca pediram desculpas para quem eles mataram na fogueira ou nesse ritual de afogamento. Tem uma placa em frente ao principal castelo de Edinburgh falando 'aqui e o local que as bruxas eram incendiadas'...mas em nenhum momento fala 'e nos pedimos desculpas por ter matado tanta gente'. Pelo que fiquei sabendo em uma conversa de bar eram mortos 8 pessoas por semana acusadas de bruxaria. Nao preciso nem falar que comecou a faltar gente na cidade. Foi ai, que eles resolveram que essa historia de bruxa, fantasma e tal, talvez fosse mentira...so que isso ja era o seculo XVIII.
Ah, mas nao acaba por ai. Voltando a historia de colocar o bruxo ou bruxa na agua. Se fosse verficado que a pessoa realmente tinha um dedidinho com o demo, nao bastava mata-lo afogado. Pegava-se o corpo e literalmente cortava-se em partes e depois botava fogo no picadinho. E sabe o qeu se fazia com as cinzas? Ia para a construcao civil. Afinal, nada de desperdicio. Isso mesmo, as cinzas dos envorvidos com o capeta serviam, junto com grama, esterco, lama e sei-la-mais-o-que, para construir os castelos da cidade. Dizem que e por causa disso que as ruas sao assombradas.
Ah, um outro detalhe interessantissimo desse pais da piada pronta, teve um rei, nao me lembro qual nome que resolveu que um determinado tipo de lama, seria bem aproveitado na construcao civil: barato e facil de arrumar o material. So tem uma coisa...o tempo da Escocia. A Escocia e pior do que a Irlanda. Chove quase todos os dias do ano. E quando nao chove neva ou venta muito. Construcoes usando lama, mais cedo ou mais tarde derreteriam...e foi isso que aconteceu..no seculo XVII, era comum pedacos de castelo ou torres de igreja simplesmente despencarem e matar uma galera...bom que dava para queimar esse pessoal e usar no reparo desses predios..ahahahahah
Ah, e uma ultima historia engracadissima..um outro brilhante rei resolveu que Edinburgh era uma cidade do futuro e queria construir mais edificacoes industriais na cidade. Como nao tinha espaco o qeu ele fez? Resolveu que usaria o territorio de dois dos tres cemiterios da cidade. Sabe o que ele fez com os tumulos dos cemiterios??? Literalmente jogou os restos mortas de dois cemiterios em um cemiterio. Entao, no cemiterio da cidade, nao tem como vc nao pisar em tumulos...absolutamente tudo e tumulo e o mais legal e que e super comum encontrar restos de gente mal-enterrados no chao.
Logo depois desse informativo e riquissimo passeio ao cemiterio fomos para um pub. Comecei a conversar com uns escoceses. Ai comecaram as historias bizarras. Um deles me contou da historia de Mary Dixessen (nao tenho certeza da grafia). Ela estava gravida e resolveu nao contar para ninguem que estava gravida. Resultado: foi acusada de bruxaria. Levaram ela para a guilhotinha (ela estava desacordada). A primeira quilhotinada nao deu certo, arrebentou so a coluna da Mary. Na segunda a Mary acordou. Dai foi o caos. Ela, gravida, comecou a dar um escandalo. So sei que pararam a sessao de matanca na hora e a corte escocesa comecou o seguinte debate: Mary Dixessen voltou por obra de Deus ou do Demonio? Ninguem chegou a um acordo. So sei que a mulher nao foi morta, casou, teve mais 8 filhos e abriu um pub. Inclusive aquele pub que eu estava era o da Mary Dixessen. Fantastico!
Ah, tambem viajei por algumas cidade do interior da Escocia. Nao tinha muito tempo mas fui ate o norte, no Lago Ness. Muito legal, paisagem linda, frio do caralho e assim como Edinburgh vc tem a impressao que esta numa cidade fanstasma. Porque as construcoes estao la, tem luz, vc sabe que tem vida mas nao ve as pessoas. E engracado isso na Escocia. Vc nao ve muita gente.
Mas o melhor foi a ultima noite em Edinburgh. Conhecemos uma galera no hostel e decidimos que iamos para a frenetica balada de Edinburgh (que acaba a 1 da manha). Tem um pub em Edinburgh que e muito engracado. Chama-se Global. Ja comeca que no primeiro dia que cheguei na cidade, era St. Patrick's Day. Entao tinha gente bebado desde as 5 da manha e todo mundo estava pintado de verde. So sei que a noite fomos ate esse pub. Na rua estava uma puta gritaria, so bebado louco..quando entramos no pub a galera sentatinha, super comportada, cada um com seu pedaco de papel e caneta respondendo um quizz ...testando seus conhecimentos sobre a Irlanda. Chorei de dar risada. Imagina vc entrar num pub e todo mundo quitinho, tipo fazendo uma prova. Dai tinha um fulano no microfone fazendo as perguntas. Pena que nao tirei uma foto.
Voltei la outro dia pq sabia, aquele pub era especial. E nao deu outra. No outro dia que eu voltei era especial Karaoke escoces. Meu deus do ceu, chorei de dar risada. Aquele monte de gordao, brancao, aquelas meninas enooooooooormes e sem o menor pudor de usar saia curta, decote e certamente estavam muito mais felizes com seu corpo do que eu com o meu dancando e cantando musicas tradicionais escocesas. Isso sem falar qeu a galera na Escocia, tem uma mania de ir para balada fantasiado. Entao tinha pirata, fanstasma, papai noel, ladrao, fada...no meio da balada e nao era festa a fantasia. A cena e tao estranha que nao da para descrever a sensacao de estar no meio daquela bagunca e de fato se sentir fazendo parte. Abracar aquele pessoal suado e com bafo de cerveja jurando que sao melhores amigos. Subir no karaoke, cantar musica em gaelico e ainda ser aplaudida. Em uma semana na Escocia me senti fazendo parte da brincadeira de tal forma que morando ha quase 8 meses em Londres nao me sinto.
Eu casaria com um escoces, teria filhinhos ruivos e mudaria para Escocia facil facil. Se nao der certo, ja fico satisfeita em poder voltar para la.
segunda-feira, 10 de março de 2008
esse sim
Fernando B...Esse sim foi amor de verdade.
A gente se conheceu melhor na quarta serie. Eramos da mesma sala, mas ja estava de olho nele desde a terceira serie.
Gorducho (nao, fofo), usava oculos, sempre tirava 10 de comportamento e em todas as materias. Ele sentava atras de mim e era muito foda! Ele sabia todas as capitais da America Latina. Eu, sabia algumas. Naquela epoca, eu era a lider dos meninos. Deixa explicar a historia.
A Irina tinha feito uma festa de aniversario em sua casa. Durante a gincana os convidados foram divididos em grupo de meninos e meninas...e eu cheguei atrasada na festa e o time dos meninos ja estava com 3 a menos (incrivel!! desde aquela epoca sempre tem mais mulher!!!). Dai me colocaram no time dos meninos. Ate entao eles estavam perdendo. Eu entrei e a gente ganhou. Nao preciso nem falar que a Irina deu o maior xilique do mundo pq ela nao achou justo perder no dia do seu aniversario. Tambem nao acharia.
Mas voltando a historia de lider. Dai, na segunda feira, depois do aniversario da Irina os meninos comecaram a falar que eu era lider deles...adorei a ideia eu nao gostava muito da maioria das meninas. Nunca gostei de brincar de boneca. A nao ser Barbie, mas gostava por causa das roupas e porque ela e o Ken (mais tarde Bob) eram gente e nao eram bebe. Eles tinham ferrari, casa, psicina. E as bonecas ficavam chorando..enfim...tive uma enorme colecao de Barbie que hoje deve estar junto com as canecas do meu pai. (piadinha interna da minha casa. Vou explicar..meu pai tinha umas canecas horriveis, que ele adorava. Minha mae, num incontivel impulso de limpeza resolveu jogar fora, porem, nunca assumiu o feito. Isso faz mais de 13 anos. Entao, sempre que alguma coisa na minha casa some a gente fala 'Esta junto com as canecas do papai')
Voltando ao meu amor. Entao a gente nao tinha muitas coisas em comum. Ele era quietinho e eu cabulava aula de datilografia para ficar tomando sol no jardim da escola; ele sempre ia para o exterior passar ferias e eu ia para Peruibe ou, claro, a queridissima e seca Goias...; ele era o melhor aluno da escola...de todas as quintas series...eu pintava o cabelo de papel crepon e fazia tie-die com a roupa do uniforme, jogava lantejoula no cabelo para ficar 'brilhante' e colava umas estrelhinhas no rosto. Eu tinha o cabelo enroladao armado que minha mae penteava (imagina o tamanho que ficava) e, ele, usava gel. Eu lembro o dia que um professor de frances, professor Sergio, e falou para minha mae na reuniao da escola: "D. Marisa, a senhora sabe que as criancas tem medo da sua filha??"
Eu sempre inventava alguma coisa nova com meu uniforme. Cansei de ser mandada de volta para casa por causa disso. Um dia, tinha pintado meu cabelo de papel crepon laranja e fui para a escola que era do lado da minha casa. So que no caminho comecou a chover. Adivinha minha cor na hora da aula? Laranja.
Cheguei na classe puta da vida. E o Fernando, na maior pureza do mundo me falou: "Gostava mais quando era roxo!'
Ah, eu e o Fernando tinhamos uma paixao em comum. A gente adorava carros. E eu era super boa. Sabia todos os nomes dos carros e suas fabricantes..sabia um monte de moto tambem. E a principal diversao dos meninos era brincar de forca com o nome de carro. Um dia, estavamos numa mega competicao. Ate qeu em uma das semi-finais era eu contra o Fernando. Ele que tinha que descobrir o carro. Eu tinha acabado de conhecer um carro novo chamado Lexus. E coloquei ele na forca. Ele nao conhecia o carro. Ficou triste em ter perdido mas depois eu comprei um doce para ele e ficou tudo bem.
Ah, quase esqueco de contar a outra parte da historia. A Carol. Ela era a princesinha da escola. Chaaaaaata que so ela. Era meio burrinha tambem mas como era bonita e filha de uma professora sempre passava de ano. Ah, ela tinha a letra mais bonita da classe mas era burrinha. Ela era loira, de olhos azuis e cheia de sardinhas no rosto. Sempre combinava a bolsa com o sapato. Ela tinha cabelo liso e sem volume.
Eu fazia esportes. Era titular de todos os esportes, voley, basquete, handball, tenis e corrida. Ela brincava de boneca qeu chorava. So que todo mundo adorava ela porque, alem de filha de professora, era comportada, bonita e sabia falar frances muito bem. Eu ate gostava de frances. Mas o que sempre gostei e era otima aluna era na Aula de Educacao Artistica. Essa eu sempre ajudava o Fernando. Tadinho..nao tinha a menor visao artistica..e ele sempre me ajudava nas contas.
So sei que um dia, nao aguentei mais e pedi o Fernando em namoro. Ele disse que ia pensar. No dia seguinte me disse que nao podia namorar comigo porque o Diego, uma amigo nosso, gostava de mim. (Olhao drama aos 10 anos de idade!!!). Ele me levou um sonho de valsa nesse dia. Comi numa mordida so. A gente nao namorava mas era amigos. E eu estava bem satisfeita com isso...namoro e amizade naquela epoca nao fazia muita diferenca.
Me veio na cabeca um carao qeu eu passei por causa do Fernando. Eu, que era otima esportista, estava no treino de voley e, quando vi, o Fernando estava na outra quadra me olhando jogar. Me achando, querendo dar uma de super-foda-jogadora, resolvi dar uma cortada numa bola e.....quando eu pulei para cortar a bola, caiu um monte de coisas do meu bolso e que estavam presas na minha calca.
Ah, esse e um outro detalhe da minha vida infantil. Sempre fui meio baguncada. E minha mae, nas sua infinita tentativa de me fazer arrumar o quarto, (nao desiste ate hoje) naquele dia, me chegou na chincha e disse - ou vc arruma o quarto ou nao vai no treino. Eu, muito esperta, fiz o que sempre fazia...pegava meus brinquedos e minhas roupas e colocava dentro da mochila e ia para escola com aquele puta peso mas pelo menos minha mae parava de pesar!
Naquele dia em especial, tinha tanta bagunca que nao cabia na minha mochila. Entao peguei algumas coisas e coloquei nos bolsos e umas roupas e amarrei na cintura. So qeu me esqueci. So sei qeu de repente, quando eu fui dar aquela super cortada aquele monte de roupa caiu da minha cintura...que vergonha!
No ano seguinte eu nao estudei com ele. Na verdade nem lembrava mais dele...(acho que aprendi ai a esquecer os amores....) so que na sexta serie, nos caimos de novo na mesma sala. Nao era mais a mesma coisa. A gente nao sentava mais perto. Eu tava comecando a ficar rebelde. A odiar escola. E ele, sempre bonzinho, otimo aluno. Ele me irritava as vezes. TOda vez a sala inteira ia mal numa prova o Fernando tirava 9. Queria morrer. Lembro que um dia ate gritei com ele poruqe o achava muito travado..coitado do moleque. Depois dos meus gritos devo ter custado uns bons anos de terapia.
Sai daquela escola. Nunca mais vi o Fernando.
Fui morar nos Estados Unidos. Um ano e meio depois eu voltei. Fui numa festa da Escola Paulista e quem eu encontro la? O Fernando. Ele tinha entrado direto da escola em Medicina. Ele ate tentou ficar comigo, ficamos lembrando como eramos 'melhores amigos' e ele me contou que gostava de mim mas que me achava mandona. Mas naquela altura do campeonato eu estava apaixonada por um outro babaca e nem dei bola para o Fernando....nao contente, bebada, vomitei do lado dele e ainda fiz o pobre me levar em casa.
Nunca mais vi tive noticias dele.
Hoje, depois de entregar meu ultimo trabalho deste termo, entrei no Orkut e encontrei a comunidade daquela escola. Na hora pensei, 'Vou procurar o Fernando'. E nao e que eu encontrei!
Entrei no Orkut dele e para minha supresa ele estava com aquele patetico status 'married'. So um adendo. Brasileiro e foda. Quando vc acha que nao da mais para ser babaca, alem de usar a breguissima 'alianda de compromisso', uns inconvenientes colocam 'married'. Ai ai, no dia que for 'married' mesmo, vai querer colocar 'single'. E para minha surpresa quem era a 'married' do Fernando?? Aquela Carol do comeco da historia. Eu quase cai da cadeira. 'Como assim???', pensei. Eu era muito mais descolada do que ela. 'Eu cabulei aula para ir na manifestacao dos cara-pintada; eu inventava meu uniforme; eu tinha o cabelo colorido; eu era engracada'.
Nao resisti. Fui olhar o album do casal. E tinha fotos do Ano Novo. Adivinha onde??? Buenos Aires. Puta coisa brega. Aposto que pagou um pacote da CVC em 10x e ficou tirando foto na frente da casa rosada e depois colocou aquelas medonhas legendas 'que delicia!' ou 'aqui sim e o paraiso!".. ou, a pior de todas, "amo muito tudo isso". Desde quando citar propaganda do Macdonnald's ficou aceitavel???? Nao, nao e legal! Cita o Fernando Pessoa, mas nao o Ronald Macdonnalds!
.Juro que quando vi aquelas fotos senti que minha dor de cotovelo estava curada.
A gente se conheceu melhor na quarta serie. Eramos da mesma sala, mas ja estava de olho nele desde a terceira serie.
Gorducho (nao, fofo), usava oculos, sempre tirava 10 de comportamento e em todas as materias. Ele sentava atras de mim e era muito foda! Ele sabia todas as capitais da America Latina. Eu, sabia algumas. Naquela epoca, eu era a lider dos meninos. Deixa explicar a historia.
A Irina tinha feito uma festa de aniversario em sua casa. Durante a gincana os convidados foram divididos em grupo de meninos e meninas...e eu cheguei atrasada na festa e o time dos meninos ja estava com 3 a menos (incrivel!! desde aquela epoca sempre tem mais mulher!!!). Dai me colocaram no time dos meninos. Ate entao eles estavam perdendo. Eu entrei e a gente ganhou. Nao preciso nem falar que a Irina deu o maior xilique do mundo pq ela nao achou justo perder no dia do seu aniversario. Tambem nao acharia.
Mas voltando a historia de lider. Dai, na segunda feira, depois do aniversario da Irina os meninos comecaram a falar que eu era lider deles...adorei a ideia eu nao gostava muito da maioria das meninas. Nunca gostei de brincar de boneca. A nao ser Barbie, mas gostava por causa das roupas e porque ela e o Ken (mais tarde Bob) eram gente e nao eram bebe. Eles tinham ferrari, casa, psicina. E as bonecas ficavam chorando..enfim...tive uma enorme colecao de Barbie que hoje deve estar junto com as canecas do meu pai. (piadinha interna da minha casa. Vou explicar..meu pai tinha umas canecas horriveis, que ele adorava. Minha mae, num incontivel impulso de limpeza resolveu jogar fora, porem, nunca assumiu o feito. Isso faz mais de 13 anos. Entao, sempre que alguma coisa na minha casa some a gente fala 'Esta junto com as canecas do papai')
Voltando ao meu amor. Entao a gente nao tinha muitas coisas em comum. Ele era quietinho e eu cabulava aula de datilografia para ficar tomando sol no jardim da escola; ele sempre ia para o exterior passar ferias e eu ia para Peruibe ou, claro, a queridissima e seca Goias...; ele era o melhor aluno da escola...de todas as quintas series...eu pintava o cabelo de papel crepon e fazia tie-die com a roupa do uniforme, jogava lantejoula no cabelo para ficar 'brilhante' e colava umas estrelhinhas no rosto. Eu tinha o cabelo enroladao armado que minha mae penteava (imagina o tamanho que ficava) e, ele, usava gel. Eu lembro o dia que um professor de frances, professor Sergio, e falou para minha mae na reuniao da escola: "D. Marisa, a senhora sabe que as criancas tem medo da sua filha??"
Eu sempre inventava alguma coisa nova com meu uniforme. Cansei de ser mandada de volta para casa por causa disso. Um dia, tinha pintado meu cabelo de papel crepon laranja e fui para a escola que era do lado da minha casa. So que no caminho comecou a chover. Adivinha minha cor na hora da aula? Laranja.
Cheguei na classe puta da vida. E o Fernando, na maior pureza do mundo me falou: "Gostava mais quando era roxo!'
Ah, eu e o Fernando tinhamos uma paixao em comum. A gente adorava carros. E eu era super boa. Sabia todos os nomes dos carros e suas fabricantes..sabia um monte de moto tambem. E a principal diversao dos meninos era brincar de forca com o nome de carro. Um dia, estavamos numa mega competicao. Ate qeu em uma das semi-finais era eu contra o Fernando. Ele que tinha que descobrir o carro. Eu tinha acabado de conhecer um carro novo chamado Lexus. E coloquei ele na forca. Ele nao conhecia o carro. Ficou triste em ter perdido mas depois eu comprei um doce para ele e ficou tudo bem.
Ah, quase esqueco de contar a outra parte da historia. A Carol. Ela era a princesinha da escola. Chaaaaaata que so ela. Era meio burrinha tambem mas como era bonita e filha de uma professora sempre passava de ano. Ah, ela tinha a letra mais bonita da classe mas era burrinha. Ela era loira, de olhos azuis e cheia de sardinhas no rosto. Sempre combinava a bolsa com o sapato. Ela tinha cabelo liso e sem volume.
Eu fazia esportes. Era titular de todos os esportes, voley, basquete, handball, tenis e corrida. Ela brincava de boneca qeu chorava. So que todo mundo adorava ela porque, alem de filha de professora, era comportada, bonita e sabia falar frances muito bem. Eu ate gostava de frances. Mas o que sempre gostei e era otima aluna era na Aula de Educacao Artistica. Essa eu sempre ajudava o Fernando. Tadinho..nao tinha a menor visao artistica..e ele sempre me ajudava nas contas.
So sei que um dia, nao aguentei mais e pedi o Fernando em namoro. Ele disse que ia pensar. No dia seguinte me disse que nao podia namorar comigo porque o Diego, uma amigo nosso, gostava de mim. (Olhao drama aos 10 anos de idade!!!). Ele me levou um sonho de valsa nesse dia. Comi numa mordida so. A gente nao namorava mas era amigos. E eu estava bem satisfeita com isso...namoro e amizade naquela epoca nao fazia muita diferenca.
Me veio na cabeca um carao qeu eu passei por causa do Fernando. Eu, que era otima esportista, estava no treino de voley e, quando vi, o Fernando estava na outra quadra me olhando jogar. Me achando, querendo dar uma de super-foda-jogadora, resolvi dar uma cortada numa bola e.....quando eu pulei para cortar a bola, caiu um monte de coisas do meu bolso e que estavam presas na minha calca.
Ah, esse e um outro detalhe da minha vida infantil. Sempre fui meio baguncada. E minha mae, nas sua infinita tentativa de me fazer arrumar o quarto, (nao desiste ate hoje) naquele dia, me chegou na chincha e disse - ou vc arruma o quarto ou nao vai no treino. Eu, muito esperta, fiz o que sempre fazia...pegava meus brinquedos e minhas roupas e colocava dentro da mochila e ia para escola com aquele puta peso mas pelo menos minha mae parava de pesar!
Naquele dia em especial, tinha tanta bagunca que nao cabia na minha mochila. Entao peguei algumas coisas e coloquei nos bolsos e umas roupas e amarrei na cintura. So qeu me esqueci. So sei qeu de repente, quando eu fui dar aquela super cortada aquele monte de roupa caiu da minha cintura...que vergonha!
No ano seguinte eu nao estudei com ele. Na verdade nem lembrava mais dele...(acho que aprendi ai a esquecer os amores....) so que na sexta serie, nos caimos de novo na mesma sala. Nao era mais a mesma coisa. A gente nao sentava mais perto. Eu tava comecando a ficar rebelde. A odiar escola. E ele, sempre bonzinho, otimo aluno. Ele me irritava as vezes. TOda vez a sala inteira ia mal numa prova o Fernando tirava 9. Queria morrer. Lembro que um dia ate gritei com ele poruqe o achava muito travado..coitado do moleque. Depois dos meus gritos devo ter custado uns bons anos de terapia.
Sai daquela escola. Nunca mais vi o Fernando.
Fui morar nos Estados Unidos. Um ano e meio depois eu voltei. Fui numa festa da Escola Paulista e quem eu encontro la? O Fernando. Ele tinha entrado direto da escola em Medicina. Ele ate tentou ficar comigo, ficamos lembrando como eramos 'melhores amigos' e ele me contou que gostava de mim mas que me achava mandona. Mas naquela altura do campeonato eu estava apaixonada por um outro babaca e nem dei bola para o Fernando....nao contente, bebada, vomitei do lado dele e ainda fiz o pobre me levar em casa.
Nunca mais vi tive noticias dele.
Hoje, depois de entregar meu ultimo trabalho deste termo, entrei no Orkut e encontrei a comunidade daquela escola. Na hora pensei, 'Vou procurar o Fernando'. E nao e que eu encontrei!
Entrei no Orkut dele e para minha supresa ele estava com aquele patetico status 'married'. So um adendo. Brasileiro e foda. Quando vc acha que nao da mais para ser babaca, alem de usar a breguissima 'alianda de compromisso', uns inconvenientes colocam 'married'. Ai ai, no dia que for 'married' mesmo, vai querer colocar 'single'. E para minha surpresa quem era a 'married' do Fernando?? Aquela Carol do comeco da historia. Eu quase cai da cadeira. 'Como assim???', pensei. Eu era muito mais descolada do que ela. 'Eu cabulei aula para ir na manifestacao dos cara-pintada; eu inventava meu uniforme; eu tinha o cabelo colorido; eu era engracada'.
Nao resisti. Fui olhar o album do casal. E tinha fotos do Ano Novo. Adivinha onde??? Buenos Aires. Puta coisa brega. Aposto que pagou um pacote da CVC em 10x e ficou tirando foto na frente da casa rosada e depois colocou aquelas medonhas legendas 'que delicia!' ou 'aqui sim e o paraiso!".. ou, a pior de todas, "amo muito tudo isso". Desde quando citar propaganda do Macdonnald's ficou aceitavel???? Nao, nao e legal! Cita o Fernando Pessoa, mas nao o Ronald Macdonnalds!
.Juro que quando vi aquelas fotos senti que minha dor de cotovelo estava curada.
domingo, 2 de março de 2008
Divagacoes I
Ja teve epoca que a gente juntava cupom de revista para ganhar carro. Hoje a gente junta para ganhar uma bolsa Balanciaga.
Estava no meu caminho para o trabalho e ao entrar no metro peguei um daqueles jornais gratuitos daqui de Londres, o Metro. Enquanto folheava, me deparei com um anuncio de pagina inteira em que tentadoramente falava - "Junte nao-sei-quantos-cupons que voce concorre a uma bolsa Balanciaga". E, ainda estava dentro daqueles boxes redondos, vermelho com pink - ingles adora essa combinacao - o valor do premio: quase £2,000 - quase R$8 mil).
Tudo bem que nao da para comprar um carro zero, mas o que me chamou a atencao foi o apelo e a forca da marca. A ponto de ser comparada com um carro ou com um computador sei la....
Na semana passada, andando pela Regent Street, entre uma janela e outra das minhas aulas, parei em frente a uma banca de revistas e comecei a procurar alguma revista...quando me dei conta que as principais revistas de moda tipo Haarpers Bazaar, V, In Style e outras menores mas nao de menos importancia estampavam nas suas capas 'gente velha'.
Deixa eu explicar melhor.
Quero dizer atrizes que embora bonitas e famosas, fizeram a fama nos anos 80 e 90, ha anos nao fazem um filme que se preste e mesmo assim estao na capa dessas revistas. Tipo Demi Moore, Uma Thurman e Sharon Stone. Tudo bem, elas sao legais, fizeram historia cada uma com seu papel - ou da gostosona fatal, a outra fica pelada para salvar a pele da filha e a Uma, pelo estilo super bacana, amiga de estilista...enfim..essas coisas que hoje e tao comum que a gente nem repara mais.
Mas e engracado pensar quem em 2008 a estamos usando icones. 'antigos'. Quando me refiro a velho e antigo deve-se levar em conta que estou falando de moda. E, em moda, 15 anos e uma vida. Mas parece que nem tanto assim ultimamente. Acho, de verdade, que o que esta acontecendo e uma crise de idolos. Sem ser demagoga nem achar que estou aqui para ensinar, mas so pensei em usar esse espaco para reunir algumas ideias que me foram chegando a cabeca aos poucos nesses ultimos dias pos-London Fashion Week.
O cinema ja fez esse papel que a moda faz hoje. De criar idolos, de querer ficar igual - um corte de cabelo igual o da Marylin Monroe na Rodeo Drive provavelmente deve ter o mesmo efeito de uma bolsa Balanciaga. Mas com a diferenca que o idolo era uma pessoa e nao uma marca. E onde estou qeurendo chegar com essas comparacoes??? A gente precisa de idolos. Nao e de hoje isso. o Bertold Bretch ja disse isso, entre outros...mas parece que a efemeridade dos 'idolos' recem saidos de algum realitty show ou ex-musa-futura-evangelica rainha da bateria de alguma escola de samba de Belford Roxo ta mexendo de alguma forma com o ideal de imagem e de comportamento.
Longe de mim dar uma de puritana. Mas veja a Sienna Miller por exemplo. Ela e um classico exemplo disso qeu eu estou falando. De cabeca, tenta pensar em algum filme que ela fez....(aposto que alguem deve pensar...'mas ela e atriz??? nao sabia..) Ela nao fez absolutamente nenhum filme de relevancia, nao e cantora, nao engravidou de jogador de futebol, sim sempre esta bebada na saida de algum club -super-uber-descolado mas nunca fez nada de relevancia. Ah, ela tem uma marca com a irma. So que dia sim dia nao ela esta nos jornais, ela se da autoria de varios looks principalmente essa ondinha meio hippie-chic. Mas quem e essa fulana? O que ela fez para todo mundo ser obcecado com o qeu ela veste, faz, namora?
O mesmo vai para as irmas Olsen. Elas estao com 23 anos. Fizeram sucesso quando tinham 3, numa serie em que eram nenes qeu nao falavam...logo, nao precisa de muito talento, so que as pessoas tb sao obcecadas com elas. Elas se vestem super bem, uma tava numa clinica de reabilitacao ate outro dia, a outra tava tendo um caso com o Heath Ledger que acabou de morrer de overdose (ou foi a mesma irma?). Tipo, so informacoes inuteis. Fulana que namorou nao sei quem que brigou com uma das tops mais famosas do mundo e agora assina uma marca de roupas....
Parece que os nossos modelos de agora eles sao o que sao mas nunca por conquista. Para voce conhecer algum desses famosos deve-se sempre lembrar 'a fulana que saiu com o tapa-pubis-invisivel' ou o outro que engravidou a outra por fama...enfim, raramente e por um trabalho extraordinario.
E essa perda de referencial ja saiu ha muito tempo da esfera 'famosa' para a esfera familiar (ou sera que foi ao contrario? primeiro em casa e depois na vida dos famosos????)
Outro dia estava conversando com uma garota inglesa que tambem estuda na minha Universidade e comecei a perguntar sobre o que ela tinha feito antes do mestrado, o que pretendia fazer, onde ela ja tinha trabalho.
Para a minha surpresa, ela me respondeu que tinha feito faculdade de psicologia. Entao perguntei o que tinha acontecido que ela resolveu largar isso para tentar seguir na area de moda. A resposta dela foi no minimo curiosa: "Sabe, meu pai e comprador de uma das maiores lojas de departamentos da Inglaterra...acho que a moda esta no sangue"
E isso que estou dizendo. Ela precisou buscar no pai uma razao para a escolha de agora.
Tudo bem que esse exemplo que eu dei e meio tapado (mas essa garota tem um otimo senso estetico se isso serve, em algum momento, de explicacao). Mas o que eu tenho achado e isso..essa perda de referencial, esta fazendo com que a gente volte a viver um passado mais real, mais palpavel, mais certo.
E, para mim, o reflexo na moda, sao as picuinhas que ficam maior do que a informacao. TIpo editora de moda que nao recebeu convite para um dos desfiles de Milao. Putissima da vida resolveu descer o cacete no estilista. Mas e a informacao? e as roupas? onde fica? de que importa?? a editora de moda ficou mais famosa do que o estilista mesmo....
Estava no meu caminho para o trabalho e ao entrar no metro peguei um daqueles jornais gratuitos daqui de Londres, o Metro. Enquanto folheava, me deparei com um anuncio de pagina inteira em que tentadoramente falava - "Junte nao-sei-quantos-cupons que voce concorre a uma bolsa Balanciaga". E, ainda estava dentro daqueles boxes redondos, vermelho com pink - ingles adora essa combinacao - o valor do premio: quase £2,000 - quase R$8 mil).
Tudo bem que nao da para comprar um carro zero, mas o que me chamou a atencao foi o apelo e a forca da marca. A ponto de ser comparada com um carro ou com um computador sei la....
Na semana passada, andando pela Regent Street, entre uma janela e outra das minhas aulas, parei em frente a uma banca de revistas e comecei a procurar alguma revista...quando me dei conta que as principais revistas de moda tipo Haarpers Bazaar, V, In Style e outras menores mas nao de menos importancia estampavam nas suas capas 'gente velha'.
Deixa eu explicar melhor.
Quero dizer atrizes que embora bonitas e famosas, fizeram a fama nos anos 80 e 90, ha anos nao fazem um filme que se preste e mesmo assim estao na capa dessas revistas. Tipo Demi Moore, Uma Thurman e Sharon Stone. Tudo bem, elas sao legais, fizeram historia cada uma com seu papel - ou da gostosona fatal, a outra fica pelada para salvar a pele da filha e a Uma, pelo estilo super bacana, amiga de estilista...enfim..essas coisas que hoje e tao comum que a gente nem repara mais.
Mas e engracado pensar quem em 2008 a estamos usando icones. 'antigos'. Quando me refiro a velho e antigo deve-se levar em conta que estou falando de moda. E, em moda, 15 anos e uma vida. Mas parece que nem tanto assim ultimamente. Acho, de verdade, que o que esta acontecendo e uma crise de idolos. Sem ser demagoga nem achar que estou aqui para ensinar, mas so pensei em usar esse espaco para reunir algumas ideias que me foram chegando a cabeca aos poucos nesses ultimos dias pos-London Fashion Week.
O cinema ja fez esse papel que a moda faz hoje. De criar idolos, de querer ficar igual - um corte de cabelo igual o da Marylin Monroe na Rodeo Drive provavelmente deve ter o mesmo efeito de uma bolsa Balanciaga. Mas com a diferenca que o idolo era uma pessoa e nao uma marca. E onde estou qeurendo chegar com essas comparacoes??? A gente precisa de idolos. Nao e de hoje isso. o Bertold Bretch ja disse isso, entre outros...mas parece que a efemeridade dos 'idolos' recem saidos de algum realitty show ou ex-musa-futura-evangelica rainha da bateria de alguma escola de samba de Belford Roxo ta mexendo de alguma forma com o ideal de imagem e de comportamento.
Longe de mim dar uma de puritana. Mas veja a Sienna Miller por exemplo. Ela e um classico exemplo disso qeu eu estou falando. De cabeca, tenta pensar em algum filme que ela fez....(aposto que alguem deve pensar...'mas ela e atriz??? nao sabia..) Ela nao fez absolutamente nenhum filme de relevancia, nao e cantora, nao engravidou de jogador de futebol, sim sempre esta bebada na saida de algum club -super-uber-descolado mas nunca fez nada de relevancia. Ah, ela tem uma marca com a irma. So que dia sim dia nao ela esta nos jornais, ela se da autoria de varios looks principalmente essa ondinha meio hippie-chic. Mas quem e essa fulana? O que ela fez para todo mundo ser obcecado com o qeu ela veste, faz, namora?
O mesmo vai para as irmas Olsen. Elas estao com 23 anos. Fizeram sucesso quando tinham 3, numa serie em que eram nenes qeu nao falavam...logo, nao precisa de muito talento, so que as pessoas tb sao obcecadas com elas. Elas se vestem super bem, uma tava numa clinica de reabilitacao ate outro dia, a outra tava tendo um caso com o Heath Ledger que acabou de morrer de overdose (ou foi a mesma irma?). Tipo, so informacoes inuteis. Fulana que namorou nao sei quem que brigou com uma das tops mais famosas do mundo e agora assina uma marca de roupas....
Parece que os nossos modelos de agora eles sao o que sao mas nunca por conquista. Para voce conhecer algum desses famosos deve-se sempre lembrar 'a fulana que saiu com o tapa-pubis-invisivel' ou o outro que engravidou a outra por fama...enfim, raramente e por um trabalho extraordinario.
E essa perda de referencial ja saiu ha muito tempo da esfera 'famosa' para a esfera familiar (ou sera que foi ao contrario? primeiro em casa e depois na vida dos famosos????)
Outro dia estava conversando com uma garota inglesa que tambem estuda na minha Universidade e comecei a perguntar sobre o que ela tinha feito antes do mestrado, o que pretendia fazer, onde ela ja tinha trabalho.
Para a minha surpresa, ela me respondeu que tinha feito faculdade de psicologia. Entao perguntei o que tinha acontecido que ela resolveu largar isso para tentar seguir na area de moda. A resposta dela foi no minimo curiosa: "Sabe, meu pai e comprador de uma das maiores lojas de departamentos da Inglaterra...acho que a moda esta no sangue"
E isso que estou dizendo. Ela precisou buscar no pai uma razao para a escolha de agora.
Tudo bem que esse exemplo que eu dei e meio tapado (mas essa garota tem um otimo senso estetico se isso serve, em algum momento, de explicacao). Mas o que eu tenho achado e isso..essa perda de referencial, esta fazendo com que a gente volte a viver um passado mais real, mais palpavel, mais certo.
E, para mim, o reflexo na moda, sao as picuinhas que ficam maior do que a informacao. TIpo editora de moda que nao recebeu convite para um dos desfiles de Milao. Putissima da vida resolveu descer o cacete no estilista. Mas e a informacao? e as roupas? onde fica? de que importa?? a editora de moda ficou mais famosa do que o estilista mesmo....
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